Portugal encerra temporariamente Embaixada no Irão devido a risco securitário

Governo português determinou o encerramento temporário da missão diplomática em Teerão, no contexto de crescente tensão regional, tendo já garantido a saída de cidadãos nacionais e reforçado o alerta contra viagens ao país.

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Embaixada de Portugal no Irão foi encerrada temporariamente por questões de segurança. Foto: divulgação
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O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Portugal anunciou o encerramento temporário da Embaixada de Portugal no Irão, decidido na quarta-feira, 14 de janeiro, na sequência do agravamento do contexto de segurança na região.

Segundo a nota divulgada à imprensa pelo MNE, todos os cidadãos portugueses residentes no Irão foram contactados pelas autoridades diplomáticas. 

Até ao momento, oito cidadãos nacionais já abandonaram o território iraniano, enquanto alguns se encontram em processo de saída, com diligências mantidas sob reserva por razões de segurança.

Permanecem no país dez cidadãos portugueses, sete dos quais possuem dupla nacionalidade portuguesa e iraniana, que manifestaram vontade de permanecer no território.

O governo português reforçou ainda o desaconselhamento de todas as viagens ao Irão, medida já comunicada através do Portal das Comunidades Portuguesas, tendo em conta o atual contexto de tensão e a existência de um cenário de conflito armado latente na região, que representa um risco significativo em termos de segurança.

Ricardo Sá Pinto em segurança na embaixada portuguesa em Teerão

No meio do clima de instabilidade, o treinador português Ricardo Sá Pinto, atual técnico do Esteghlal, garantiu estar em segurança na Embaixada de Portugal em Teerão, embora admita apreensão quanto à evolução da situação no país.

“Está tudo aparentemente calmo, com pessoas na rua e carros a circular. É claro que estamos apreensivos para perceber o que se está a passar ou poderá ocorrer, mas estamos em segurança e temos planos de emergência bem delineados e preparados”, disse o técnico, num vídeo publicado nas redes sociais.

Ricardo Sá Pinto e a sua equipa técnica do Esteghlal estão atualmente abrigados na Embaixada de Portugal em Teerão, onde permanecem em segurança após ficarem incontactáveis. 

O treinador português agradeceu o apoio do encarregado de negócios e futuro embaixador de Portugal no Irão, André Oliveira, que os tem acompanhado e apoiado durante este período de tensão.

Sá Pinto recordou ainda experiências anteriores no país: “Não gostava de presenciar uma guerra novamente, porque já cá estava logo no início. Depois, acalmou, mas agora está na iminência de [voltar]”.

Apesar da instabilidade, o futebol mantém-se ativo no país, e o Esteghlal venceu fora o Foolad Hormozgan (2-0), garantindo o apuramento para os quartos de final da Taça do Irão, competição da qual é detentor do troféu.

Sobre a decisão de permanecer em funções, o técnico afirmou: “Senti-me na obrigação de ficar, continuar a dar os treinos à minha equipa e perceber se há condições. Para mim, é difícil abandonar nesta altura. Espero que tudo se possa resolver pelo melhor. É o meu desejo”.

Escalada de tensão internacional

O agravamento da situação interna iraniana ocorre num momento de crescente pressão internacional: o Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se esta quinta-feira para uma sessão informativa dedicada à situação no Irão, a pedido dos Estados Unidos, que ameaçam avançar com uma ação militar contra Teerão na sequência da repressão violenta dos protestos.

O porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, reiterou que as Nações Unidas estão “extremamente preocupadas” com as imagens de manifestantes mortos durante a repressão das autoridades iranianas.

Segundo fontes citadas pela emissora norte-americana NBC News, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá informado os seus conselheiros de que, caso avance uma operação militar, pretende uma ação “rápida e decisiva”, evitando um conflito prolongado. 

Ainda assim, assessores admitem não existir garantia de que o regime iraniano colapse rapidamente após um eventual ataque.

Protestos e repressão interna

O Irão vive desde 28 de dezembro de 2025 uma nova vaga de protestos, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial e pela elevada inflação, o que tem levado as manifestações a alastrarem-se rapidamente a mais de cem cidades.

Após uma fase inicial de tolerância, as autoridades endureceram a repressão, classificando os manifestantes como terroristas ligados aos Estados Unidos e a Israel. 

Relatos recentes apontam para condenações à pena de morte, execuções extrajudiciais e uma repressão generalizada, estimando-se que mais de duas mil pessoas tenham morrido nos confrontos entre manifestantes e forças de segurança. ■

 

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