
O auditório da Biblioteca Municipal de Castelo Branco acolheu, na terça-feira, dia 24 de fevereiro, o lançamento do livro “O Sabor da Lusofonia – Uma coletânea de receitas em português com diferentes sotaques”, numa iniciativa promovida pela Associação Mais Lusofonia, que tem sede nesta mesma cidade.
O evento contou com a presença de lideranças locais, autarcas, jornalistas, membros da associação, além de entusiastas do mundo lusófono e da gastronomia, mas também participantes na elaboração das receitas que constam no livro, num momento que destacou a cultura como instrumento de aproximação entre comunidades e territórios.
A obra reúne receitas provenientes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), refletindo a diversidade geográfica e cultural do universo lusófono. De Portugal, estão representadas regiões como Beira Baixa, Algarve, Douro, Alentejo, Ribatejo, Lisboa e Vale do Tejo e Beira Alta. Do Brasil, constam contributos de Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Paraná e Ceará. O livro integra ainda receitas de Cabo Verde (Ilhas de Santo Antão e Santiago), Guiné-Bissau, Angola, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Macau.
O livro conta com prefácio do vice-presidente da associação, Ígor Lopes, intitulado “Sabores que unem, gestos que amparam”, e posfácio da presidente da associação, Sofia Lourenço, com o título “Mais Lusofonia: de um sonho a um projeto concretizado”.

Em declarações à Agência Incomparáveis, Sofia Lourenço realçou que o livro representa “o culminar de todo o trabalho que fomos fazendo de intercâmbio, desta vez na gastronomia”.
A presidente sublinha ainda que a obra vai além da dimensão técnica das receitas, integrando o carinho que as pessoas projetaram em cada contributo e assumindo-se como “uma mescla de intercâmbio cultural e de sabores”, resultado do envolvimento de associados e colaboradores dentro e fora da região.
Já Igor Lopes, que conduziu a apresentação do evento, explica que o projeto editorial se insere numa estratégia mais ampla da associação, articulando intervenção social, cultura e educação.

Para o vice-presidente, o livro funciona como um espaço de aprendizagem intercultural, “como se fosse um curso de línguas, mas de culturas”, contribuindo para a projeção internacional da associação e para a afirmação de Castelo Branco no contexto lusófono.
O valor simbólico da iniciativa foi igualmente sublinhado pelo professor João Carlos Antunes, que enquadrou a gastronomia como ferramenta de integração e inclusão.
Na sua perspetiva, projetos desta natureza são essenciais porque promovem a união entre povos, o respeito pela diversidade e a troca de saberes, através de uma linguagem universal: a dos sabores. Assim, mais do que uma simples coletânea culinária, “O Sabor da Lusofonia” afirma-se como um projeto cultural e social que transforma a cozinha num espaço de encontro, memória e pertença, reforçando os laços entre os povos unidos pela língua portuguesa.

No posfácio do livro, Sofia Lourenço sintetiza esta visão numa afirmação que marcou todo o encontro e o próprio projeto: “Nós não viemos ao mundo para fazer sombra”, uma ideia que confirma não apenas o livro como um gesto coletivo de afirmação cultural, social e humana no espaço lusófono, mas também o posicionamento e a missão da Associação Mais Lusofonia enquanto agente ativo de intervenção, inclusão e projeção da lusofonia a partir de Castelo Branco.
No final do evento, houve, além da venda dos livros, uma degustação gastronômica lusófona com foco em receitas presentes na obra e confeccionadas pelos membros da Associação. ■




