No Dia Internacional da Mulher, a trajetória de Joice Yane surge como estudo de caso sobre reinvenção profissional e reposicionamento pessoal. Depois de anos na aviação internacional, num setor marcado por exigência operacional e rigor comunicacional, decidiu interromper um percurso considerado estável para liderar o “TheProjectJoy”, iniciativa centrada no autoconhecimento e na expansão da consciência. A mudança não foi apenas de carreira. Foi, como a própria define à nossa reportagem, um reposicionamento existencial que transformou crise em estrutura e introspeção em projeto com identidade própria.
A líder do “TheProjectJoy” estará em Portugal para participar no Congresso Internacional Metamorfose da Alma, onde conduzirá, a 17 de abril, um workshop sobre arquitetura da consciência, ao lado de Cátia Simionato. No dia seguinte apresentará uma palestra dedicada às realidades paralelas e à manifestação da realidade, culminando, a 19, com a exposição dos seus quadros no hall da Torre de Águila. No momento em que o debate sobre liderança feminina ganha novos contornos, Joice Yane afirma-se como exemplo de transição estratégica entre mundos distintos, assumindo-se hoje como ponte entre lógica e intuição, ciência e mistério, numa abordagem que procura traduzir conceitos complexos em linguagem acessível e aplicável.
Ao olhar para a sua trajetória, que passa da aviação internacional para a liderança do “TheProjectJoy”, de que forma o reposicionamento de carreira se tornou um exercício de afirmação pessoal e profissional enquanto mulher?
O meu reposicionamento não foi apenas profissional, foi existencial. Durante anos, tive de aprender a comunicar, a posicionar-me e a lidar com o mundo externo. Mas a verdadeira afirmação aconteceu quando tive coragem de escutar o mundo interno. Assumir a mudança de rumo significou confiar na minha própria perceção, mesmo quando ela não correspondia aos caminhos considerados “seguros”. Para uma mulher, isso é um ato de soberania. É reconhecer que o sucesso não é apenas aquilo que se vê de fora, mas aquilo que se sustenta por dentro.
Num mercado que ainda valoriza percursos lineares, como foi assumir uma mudança profunda de rumo e transformar uma crise pessoal e global num projeto estruturado com identidade própria?
Foi um salto de consciência. A pandemia obrigou o mundo a parar, e a mim obrigou-me a olhar. O que parecia interrupção revelou-se alinhamento. Em vez de resistir à crise, usei-a como portal de reinvenção. O “TheProjectJoy” nasceu desse momento de silêncio e observação, como uma escola de pensamento dedicada a introduzir uma nova lógica de compreensão da realidade. O percurso pode não ter sido linear, mas foi coerente, e coerência interna vale mais do que linearidade externa. E mais tarde percebi também que a linearidade é uma ilusão criada pela mente humana, que foi designada para identificar harmonia e coerência nos padrões da natureza, mesmo sabendo que vem e vive no meio do caos.
A sua história envolve silêncio, introspecção e reconstrução interna. Que competências desenvolvidas nesse processo considera hoje decisivas para a afirmação feminina em contextos de pressão, exposição e tomada de decisão?
Clareza interna, autoconsciência e estabilidade emocional. Quando uma mulher desenvolve essas três competências, ela deixa de reagir ao mundo e passa a responder a partir de si. A pressão externa perde força quando a referência interna é sólida. A introspeção ensinou-me que a verdadeira autoridade não nasce da validação, nasce do alinhamento.
A experiência na aviação foi um ponto de viragem na sua comunicação e posicionamento. Que aprendizagens desse período continuam a influenciar a forma como lidera e comunica hoje?
A aviação foi um ponto de viragem na minha comunicação e no meu posicionamento. Esse período ensinou-me presença, precisão, inteligência emocional e responsabilidade. Num avião, comunicar não é apenas falar; é observar, sentir o ambiente e agir com consciência. Servir não é simplesmente entregar uma refeição, mas saber ler o que cada passageiro precisa, mesmo quando ele próprio ainda não percebeu. Trabalhar em equipa não é apenas saber delegar, é cuidar de cada membro como se fosse a pessoa que poderia salvar a sua vida, porque, de facto, pode ser necessário. Levo esses princípios para tudo o que faço hoje. Liderar um projeto exige exatamente as mesmas competências: capacidade de leitura humana, clareza na mensagem, responsabilidade na informação transmitida e serenidade diante de contextos imprevisíveis.

O “TheProjectJoy” nasceu de uma lógica não convencional. Como é gerir um projeto liderado por uma mulher num campo que ainda enfrenta resistência institucional e preconceito simbólico?
Gerir um projeto inovador implica aceitar que resistência faz parte do processo. Sempre que surge uma ideia nova, ela primeiro é questionada, depois testada e só depois compreendida. Ser mulher nesse contexto acrescenta responsabilidade, porque a presença feminina em espaços de pensamento ainda em expansão representa abertura de caminho para outras. Não vejo a resistência como obstáculo, mas como indicador de fronteira. E fronteiras são exatamente os lugares onde nascem novas visões.
Em 2025, falar de carreira feminina implica também falar de coragem para parar e redefinir prioridades. Que mensagem considera essencial para mulheres que sentem sucesso externo, mas desalinhamento interno?
Se existe desalinhamento interno, o sucesso externo não é sustentável. A mensagem é simples: parar não é falhar, é recalibrar. A pausa consciente é um ato de inteligência, não de fraqueza. Toda mulher que tem coragem de se escutar dá início a um processo de transformação que nenhuma validação externa consegue substituir.
Num Dia Internacional da Mulher marcado por debates sobre liderança e propósito, que responsabilidade sente enquanto mulher empreendedora ao influenciar outras trajetórias femininas?
Sinto a responsabilidade de mostrar que autenticidade é estratégia, não risco. Quando uma mulher se permite existir sem se moldar ao que esperam dela, ela autoriza outras a fazer o mesmo. Influenciar, para mim, não é criar seguidoras. É despertar líderes.
Explique o projeto que lidera hoje…
O “TheProjectJoy” é uma escola do pensamento dedicada à introdução de uma nova lógica de compreensão da realidade, funcionando como uma ponte entre ciência, consciência e percepção. O projeto parte da premissa de que aquilo que muitas vezes é rotulado como irracional pode, na verdade, ser observado, analisado e até quantificado, o que abre um novo campo de exploração em todos os níveis da experiência humana. Atualmente, o foco está cada vez mais direcionado ao ensino e à mentoria, formando pessoas para expandirem a forma como interpretam a realidade, a si mesmas e o universo.
Quais as suas expetativas em relação à sua participação no Congresso Internacional Metamorfose da Alma? O que o público pode esperar?
Será uma participação multidimensional, alinhada com a essência do meu trabalho. No dia 17 de abril conduzirei um workshop, juntamente com Cátia Simionato, dedicado à arquitetura da consciência. No dia 18 apresentarei uma palestra sobre realidades paralelas e manifestação da realidade. E no dia 19 estarão expostos os meus quadros de pintura canalizada no hall da Torre de Águila. O público pode esperar profundidade, clareza e expansão de percepção! ■





