
Hoje, ao preparar algumas reflexões para o Dia da Mulher, voltei a revisitar uma pergunta que muitas vezes surge quando atravessamos momentos de transformação: como ressignificar a vida depois de um problema grave de saúde? A resposta não está em apagar o que aconteceu, mas em descobrir um novo significado para aquilo que vivemos.
Há momentos em que a vida nos obriga a parar. Momentos em que o caminho muda inesperadamente e somos confrontados com os nossos próprios limites. No início, pode parecer que algo terminou. Que uma parte da história ficou para trás. No entanto, com o tempo, começamos a perceber que algumas linhas de chegada não representam um fim. Representam apenas o início de uma nova partida.
A superação nasce quando mudamos o foco da nossa atenção. Em vez de permanecer presos ao passado ou à pergunta “porquê?”, começamos a olhar para a vida com um novo olhar: o da possibilidade, da aprendizagem e da gratidão.
A gratidão tem um poder silencioso. Não significa ignorar as dificuldades, mas reconhecer que, mesmo nos momentos mais desafiadores, a vida continua a oferecer novos caminhos.
Foi nesse processo de transformação que o desporto se tornou um aliado fundamental. O movimento do corpo não é apenas uma prática física; é também uma forma de reconstruir a mente e fortalecer o espírito. Cada treino representa disciplina, coragem e confiança. Cada quilómetro percorrido lembra-nos que somos capazes de ir além do limite que antes acreditávamos ter.
Preparar o corpo e a mente para um desafio como um Ironman 70.3 vai muito além de uma prova desportiva. É uma jornada interior. Nadar, pedalar e correr longas distâncias exige mais do que resistência física. Exige presença, perseverança e a capacidade de acreditar novamente em si mesma.
Ao longo desse caminho, surge uma compreensão profunda: o corpo é mais do que um instrumento. Ele é o veículo que transporta a nossa alma, o meio através do qual expressamos aquilo que somos. Que espirito forte não habita em corpo fraco.
A verdadeira transformação acontece quando escolhemos viver com mais consciência e amor. Amor pela vida, pelo corpo, pelas oportunidades que ainda estão por vir.
Talvez, nos momentos de dúvida, exista uma pergunta simples capaz de orientar qualquer decisão: o que o amor faria agora?
Porque algumas linhas de chegada não são o fim da história. São apenas o momento em que descobrimos que estamos prontas para começar uma nova jornada de transformação.
E talvez seja esse o maior convite da vida: continuar, com gratidão, coragem e amor, rumo a um novo futuro.
O quê vejo que eu posso amar? ■
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