A Casa do Concelho de Tomar, em Lisboa, acolheu, no passado dia 10 de março, a terceira e última sessão do ciclo de seminários “Educação, Formação e Ensino na Construção de uma Nação – Que Portugal Queremos?”, uma iniciativa dedicada à reflexão sobre o sistema educativo português e o seu papel no desenvolvimento da sociedade.
A sessão marcou o encerramento de um ciclo de três encontros iniciado em novembro de 2025 e continuado em janeiro de 2026, que procurou analisar diferentes dimensões do sistema educativo português. A etapa final foi dedicada sobretudo ao ensino superior, abordando temas como o compromisso social das instituições académicas, a formação de cidadãos e a relação entre educação e mercado de trabalho.
O programa reuniu diversos especialistas e responsáveis institucionais ligados ao ensino, à política e à sociedade civil. Entre os intervenientes estiveram João Coroado, presidente do Instituto Politécnico de Tomar; Ana Rita Costenla, vogal da Junta de freguesia de Alvalade; e Isabel Marrucho, docente do Instituto Superior Técnico. Participaram também António Freire Mourão, professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, e Paulo Sargento dos Santos, professor da Faculdade de Direito da Universidade Lusófona. O debate contou ainda com os contributos de Hugo Costa, deputado à Assembleia da República, José Carlos Calzens, professor universitário da Universidade Lusófona, José Armando Vizela Cardoso, tenente-general piloto da Força Aérea Portuguesa, e Fernando Seara, professor universitário e presidente da Assembleia Municipal de Sintra.

O jornalista, escritor e CEO da Agência Incomparáveis Ígor Lopes interveio igualmente durante o encontro, destacando a importância de refletir sobre o papel do ensino superior na sociedade portuguesa, sublinhando que as instituições académicas têm uma responsabilidade que ultrapassa a formação técnica dos estudantes.
Na sua intervenção, Lopes chamou a atenção para o compromisso social das universidades e para a necessidade de pensar criticamente os modelos de ensino, de forma a responder aos desafios contemporâneos, entre os quais o reconhecimento de qualificações obtidas no estrangeiro ou a aprendizagem da língua portuguesa.
Este especialista referiu ainda que o ensino superior deve contribuir para a formação de cidadãos conscientes e participativos, capazes de intervir na vida pública e de contribuir para o desenvolvimento do país. Para o jornalista, a educação continua a ser um dos instrumentos mais importantes para fortalecer a sociedade e promover uma ligação mais estreita entre conhecimento, cidadania e responsabilidade social.
Após o evento, e em entrevista à nossa reportagem, o presidente da Casa do Concelho de Tomar, Carlos Galinha, sublinhou a importância da realização de iniciativas deste género no seio do movimento associativo.
Segundo afirmou, a instituição, fundada em 1943, é uma casa regionalista composta por naturais e descendentes de Tomar residentes em Lisboa e procura contribuir para a reflexão sobre questões relevantes para a sociedade portuguesa.
“Fazemos parte de uma comunidade e, como tal, preocupamo-nos com os temas da comunidade portuguesa”, sublinhou, acrescentando que o congresso procurou refletir sobre a educação e sobre o país que se pretende construir no futuro.

Este responsável destacou ainda que, apesar de Portugal ter uma história de mais de oito séculos, é sempre possível melhorar e projetar um país mais preparado para os desafios do futuro.
Já Ernesto Jana, um dos organizadores do encontro, explicou que a iniciativa foi estruturada em três momentos distintos, correspondentes a diferentes níveis do sistema educativo. Segundo referiu, a última sessão foi dedicada ao ensino superior e procurou analisar as perspetivas de integração dos estudantes no mercado de trabalho e a forma como a formação académica pode contribuir para a participação social.
“Não é só receberem o ensino e pronto, agora vou trabalhar. Devemos, todos nós, como nós aqui fazemos, trabalhar em prol da comunidade”, afirmou.
Entre os participantes que marcaram presença no desenrolar dos trabalhos esteve o advogado luso-brasileiro Caubi Arraes Junior, que considerou que a iniciativa foi particularmente relevante para a valorização da cultura e da identidade portuguesa.
“Foi algo que trouxe um conhecimento nato do que é a defesa da nossa cultura, da cultura portuguesa, desde a sua base ao seu desdobramento como um todo”, afirmou, acrescentando que iniciativas desta natureza deveriam servir de exemplo para outras entidades e regiões do país.
“Voto de Louvor” distinguiu Ígor Lopes

Durante a sessão foi também entregue um “voto de louvor” ao jornalista e escritor Ígor Lopes, uma distinção que tinha sido atribuída pela direção da Casa do Concelho de Tomar dias antes da realização do encontro e que reconhece o seu contributo na valorização e divulgação do trabalho desenvolvido pela instituição.
Ígor Lopes recorreu às suas redes sociais para referir que ontem viveu “um momento de particular significado” no seu percurso profissional e cívico, sublinhando que o diploma recebido reconhece o papel prestado na promoção do trabalho da Casa do Concelho de Tomar, que descreveu como “uma referência no movimento associativo português”.
Na mesma publicação, o jornalista acrescentou ainda que “a educação, o pensamento crítico e a comunicação pública continuam a ser instrumentos fundamentais para aproximar comunidades, gerar conhecimento e contribuir para uma sociedade mais consciente e participativa”.
Com a realização desta última sessão, ficou concluído o ciclo de seminários dedicado ao tema “Educação, Formação e Ensino na Construção de uma Nação – Que Portugal Queremos?”, uma iniciativa que procurou reunir diferentes perspetivas e promover um debate alargado sobre o papel da educação na construção do futuro de Portugal. ■





