Em entrevista à Agência Incomparáveis, à margem da cerimónia de entrega do Prémio “Aproxima Portugal-Brasil”, Amanda Lima, editora do Diário de Notícias Brasil (DN Brasil), confessou que a distinção na categoria “Comunicação Social” foi recebida com surpresa, mas também com grande satisfação.
“Foi uma surpresa, na verdade, quando recebi o convite, mas obviamente fiquei muito feliz”, afirmou a jornalista, sublinhando que se considera “uma imigrante muito privilegiada” por poder trabalhar num jornal como o Diário de Notícias”, tradicional periódico português sediado em Lisboa.
Segundo Amanda Lima, o reconhecimento assume um significado especial por estar associado ao trabalho desenvolvido junto da comunidade brasileira em Portugal. Durante um breve discurso, após receber a homenagem, Amanda defendeu o papel dos imigrantes na economia e no cotidiano português.
A jornalista brasileira recordou ainda que, há quase dois anos, o Diário de Notícias passou a ter um espaço dedicado aos imigrantes brasileiros que vivem no país, bem como àqueles que ponderam viver em Portugal.
“Senti que isso é, de certa forma, uma valorização do trabalho dos imigrantes aqui em Portugal”, sublinhou.
Questionada sobre os desafios de editar uma plataforma como o DN Brasil dentro de um jornal de referência, a nossa entrevistada admitiu que a responsabilidade é elevada.
“É uma responsabilidade enorme, envolve muitos desafios”, afirmou, explicando que um dos primeiros obstáculos passa por fazer o público compreender que o DN Brasil não é um espaço de notícias sobre o Brasil, mas sim de notícias de Portugal que dizem respeito à comunidade brasileira.
Esta profissional avaliou também as diferenças na prática jornalística entre os dois países.
“As práticas e o pensamento são muito diferentes”, explicou, referindo o tempo de resposta das autoridades e a inexistência de uma lei de acesso à informação em Portugal, dois fatores que, segundo ela, obrigam a um trabalho paciente de construção de confiança junto das fontes.
Apesar das dificuldades estruturais do setor, Amanda Lima destacou a relação de confiança construída com o público e enfatizou a importância de aproximar o leitor do processo jornalístico, partilhando bastidores do trabalho para ajudar a distinguir jornalismo profissional de outras formas de produção de conteúdo.
“O meu principal objetivo é mostrar a diferença, num mar de desinformação, entre jornalismo e outros tipos de conteúdos. O jornalismo é uma coisa séria e as pessoas precisam entender como ele é feito”, explicou a jornalista, que destacou que, enquanto imigrante, sente uma responsabilidade acrescida.
“Nós somos muito mais visados em relação aos erros do que os colegas portugueses”, afirmou, acrescentando que o rigor, o código deontológico, o direito ao contraditório e a informação credível são exigências permanentes da profissão, ainda mais num contexto de maior escrutínio.
“Quanto mais alcance e mais confiança as pessoas depositam em você, maior tem de ser a responsabilidade e a dedicação”, concluiu, lembrando também a sua recente promoção a editora de Sociedade do Diário de Notícias, função que acumula com a edição do DN Brasil.
Amanda Lima é natural de Cascavel, município brasileiro localizado na região Oeste do estado do Paraná, no Sul do maior país da América do Sul. Vive em Portugal há seis anos. Lidera o DN Brasil desde a sua fundação em 3 de junho de 2025. É atualmente editora do DN Brasil, secção do DN dedicada aos brasileiros que vivem em Portugal e editora de Sociedade do DN, com especial foco em temas como imigração, justiça, segurança e direitos humanos.
A entrevista à nossa reportagem inseriu-se no âmbito de mais uma edição do Prémio “Aproxima Portugal-Brasil”, uma iniciativa que sublinha e distingue o papel de personalidades que contribuem ativamente para o reforço da cooperação entre Portugal e o Brasil, em diversas áreas estratégicas. O Prémio é promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, presidida por Otacílio Soares, e, este ano, decorreu no passado dia 25 de fevereiro no Tivoli Kopke Porto Gaia Hotel, na cidade do Porto, Norte de Portugal. ■





