Açores: “O maior potencial das Flores está na sua autenticidade”, defende Hélder Emílio

Empresário florentino responsável pela gestão da “D. JuliaTours”, empresa localizada na ilha das Flores, considera que o futuro turístico da Ilha das Flores passa por experiências “mais qualificadas, bem organizadas e com valor acrescentado”, defendendo que a autenticidade, a escala humana e a preservação ambiental devem continuar a ser os principais ativos estratégicos da ilha mais ocidental da Europa

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Helder Emílio, empresário, operador de animação turística e responsável pela gestão da “D. JuliaTours”, na ilha das Flores, nos Açores. Foto: divulgação
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Natural de Santa Cruz das Flores, nos Açores, Helder Emílio, 49 anos, é empresário, operador de animação turística e responsável pela gestão da “D. JuliaTours”, empresa fundada em 2023 junto com a sua esposa, Renata Emílio, e especializada na organização de tours, transfers, experiências personalizadas e apoio logístico a visitantes da Ilha das Flores e da ilha do Corvo. Licenciado nas áreas de Direito e Turismo, divide atualmente a sua vida entre os Açores e a cidade pernambucana de Recife, no Brasil, onde passa cerca de seis meses por ano.

Filho de José Pimentel Emílio, que integra igualmente o projeto enquanto parceiro da empresa CorvoTravel, o empresário afirma que a criação da “D. JuliaTours” surgiu da necessidade de oferecer aos visitantes uma experiência organizada, segura e adaptada à realidade geográfica e meteorológica das Flores, numa ilha onde o conhecimento local pode fazer toda a diferença na qualidade da visita.

Em entrevista à Agência Incomparáveis, Hélder Emílio defende que o turismo nas Flores deve crescer com equilíbrio, sem perder autenticidade, e acredita que o verdadeiro futuro da ilha passa por experiências personalizadas, organização logística eficiente e uma ligação genuína entre quem visita e quem conhece profundamente o território.

Que leitura faz da criação da “D. JuliaTours” na Ilha das Flores e em que contexto surgiu a empresa no panorama do turismo açoriano?

A “D. JuliaTours” iniciou oficialmente as suas atividades em 2023, fundada por mim e pela minha esposa, Renata. Surgiu na Ilha das Flores a partir de uma necessidade muito concreta: muitos visitantes chegavam à ilha com pouco tempo, sem viatura própria ou sem conhecimento local suficiente para organizar bem a visita. A Ilha das Flores é um destino de enorme beleza, mas que exige planeamento. Nem todos os pontos são intuitivos, as condições meteorológicas influenciam diretamente o roteiro e, muitas vezes, o visitante perde tempo sem saber o que priorizar. Foi nesse contexto que a empresa nasceu: para transformar uma visita potencialmente confusa numa experiência organizada, eficiente e verdadeiramente completa. No panorama do turismo açoriano, a “D. JuliaTours” surge como uma resposta local ao crescimento da procura por destinos de natureza, autenticidade e menor massificação. O objetivo sempre foi simples: “permitir que o visitante conheça o melhor da Ilha das Flores com conforto, segurança e apoio de quem conhece verdadeiramente o território”.

Quais foram os fatores que motivaram a aposta nos Açores, em particular na Ilha das Flores, enquanto destino estratégico para o desenvolvimento da atividade turística?

A aposta na Ilha das Flores nasce, antes de tudo, de uma ligação pessoal muito forte à ilha. Além de ser apaixonado pelas Flores, fui escuteiro durante toda a adolescência, o que me permitiu conhecer profundamente o território, os trilhos, os acessos, os miradouros, as lagoas, as cascatas e muitos recantos que fazem parte da identidade da ilha. Esse conhecimento acumulado ao longo dos anos foi determinante para perceber o potencial turístico das Flores.

Foto: Agência Incomparáveis

A ilha reúne natureza preservada, autenticidade, tranquilidade e paisagens únicas, características cada vez mais procuradas por visitantes nacionais e internacionais. Por isso, a aposta nas Flores não foi apenas uma decisão empresarial, foi também uma forma de transformar conhecimento local, ligação afetiva e experiência no terreno numa oferta turística organizada, segura e com verdadeiro valor para quem visita a ilha.

De que forma a empresa estrutura a sua oferta para valorizar os recursos naturais e culturais da Ilha das Flores junto de visitantes nacionais e internacionais?

A “D. JuliaTours” estrutura a sua oferta com uma preocupação central: retirar o peso da logística ao visitante. Organizamos tours completos, tours privados, transfers e experiências que combinam as ilhas das Flores e do Corvo, bem como apoio logístico dedicado para quem pretende visitar o Corvo de forma autónoma. Adaptamos sempre cada experiência ao tempo disponível, às condições meteorológicas e ao perfil de cada cliente. O visitante não precisa de se preocupar com rotas, acessos, estacionamento, horários ou decisões de última hora. A nossa proposta é que cada pessoa consiga ver o melhor da ilha sem stress e sem perder tempo com erros de planeamento. Nos nossos percursos, incluímos locais emblemáticos como o Poço da Ribeira do Ferreiro, a Rocha dos Bordões, o Poço do Bacalhau, as lagoas do Morro Alto, os principais miradouros e aldeias tradicionais. Mas o valor da experiência não está apenas em chegar aos locais; está em compreender o que se está a ver. Por isso, procuramos transmitir contexto: história local, geologia, tradições, curiosidades, lendas e a relação da comunidade florentina com a paisagem.

Que potencialidades identifica no turismo das Flores?

O maior potencial das Flores está na sua autenticidade. A ilha tem condições excecionais para turismo de natureza, turismo ativo, turismo cultural e experiências personalizadas. Mas esse potencial precisa de ser trabalhado com equilíbrio. As Flores não devem competir com destinos de turismo de massa.

Foto: divulgação

A força da ilha está precisamente na tranquilidade, na preservação, na escala humana e na sensação de exclusividade. O futuro do turismo nas Flores deve passar por experiências mais qualificadas, bem organizadas e com valor acrescentado.

Como descreve o perfil do visitante que procura a “D. JuliaTours” e que tipo de experiências são mais valorizadas pelos turistas na região?

O visitante que procura a “D. JuliaTours” valoriza, sobretudo, organização, conforto, segurança e conhecimento local. São pessoas que querem aproveitar bem a ilha, mas não querem perder tempo com incertezas logísticas. Recebemos casais, famílias, grupos, mochileiros e visitantes internacionais, especialmente portugueses, espanhóis, franceses, americanos e alemães, e, mais recentemente, um crescimento significativo de visitantes asiáticos. Muitos chegam com poucos dias disponíveis e procuram uma solução prática para conhecer os principais pontos da ilha sem depender de aluguer de carro ou de planeamento complexo. As experiências mais valorizadas são os tours completos pela ilha, as cascatas, as lagoas, os miradouros, os trilhos leves, as experiências combinadas entre Flores e Corvo e a possibilidade de ter uma experiência organizada do início ao fim.

Que desafios e oportunidades se colocam ao desenvolvimento do turismo nas ilhas mais periféricas dos Açores e qual tem sido o contributo da empresa nesse processo?

As ilhas mais periféricas dos Açores enfrentam desafios claros: acessibilidade, sazonalidade, dependência das condições meteorológicas, limitação de recursos humanos e necessidade de equilibrar crescimento turístico com preservação ambiental. Nas Flores, esses desafios são ainda mais evidentes, porque a ilha exige organização. O clima pode mudar rapidamente, alguns acessos exigem conhecimento local e o visitante precisa, muitas vezes, de apoio para ajustar o plano à realidade do dia. Mas é precisamente aí que também está a oportunidade.

Foto: Agência Incomparáveis

As ilhas periféricas podem oferecer um turismo mais humano, mais personalizado, mais responsável e mais ligado ao território. A “D. JuliaTours” procura contribuir nesse sentido, organizando experiências completas, valorizando parceiros locais, promovendo a cultura florentina e oferecendo ao visitante uma forma mais segura, eficiente e tranquila de conhecer a ilha. ■

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