
O empresário luso-brasileiro António Pargana, presidente da Cisa Trading e fundador da Fundação António Pargana, defendeu a necessidade de Portugal investir de forma estruturada na aproximação às novas gerações de lusodescendentes espalhadas pelo mundo, sublinhando o papel da educação, da cultura e das universidades como instrumentos estratégicos de ligação à diáspora.
As declarações foram prestadas em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, no âmbito do Fórum “Portugal Nação Global”, realizado nos dias 29 e 30 de abril, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e no qual António Pargana interveio como um dos oradores no painel “Casos de Sucesso da Diáspora”, dedicado a percursos internacionais de portugueses com projeção global.
Radicado no Brasil desde 1976, onde construiu um percurso empresarial internacional em áreas como comércio externo, energia e infraestruturas portuárias, António Pargana explicou que a criação da Fundação que hoje preside nasceu de uma preocupação pessoal e geracional com o afastamento progressivo dos descendentes de portugueses em relação ao país de origem das suas famílias.
“Eu tenho visto, ao longo da minha vida, um gradual afastamento, por razões naturais, dos filhos e netos dos portugueses que foram para o Brasil, que eles não sabem o que é o Portugal de hoje”, afirmou este responsável, que é membro do Conselho da Diáspora Portuguesa desde 2013.
Foi precisamente dessa constatação que nasceu a missão da Fundação António Pargana, criada em Portugal com o objetivo de construir novas pontes entre o país e as gerações mais jovens da diáspora lusófona.
“Eu pensei que nós tínhamos de tentar colmatar essa falha, porque um jovem que conhece o país, ou um jovem que conhece o que Portugal tem a oferecer, ele tem uma visão diferente daquele que não conhece”, explicou, sublinhando que a Fundação foi desenhada para atuar sobretudo no campo académico, através de programas desenvolvidos em parceria com instituições de ensino superior portuguesas, proporcionando experiências de imersão cultural, institucional e empresarial.
“Criei a Fundação exatamente para desenvolver programas com as universidades”, revelou, acrescentando que a Fundação iniciou atividade há um ano e já teve “mais de 300 jovens que passaram por diversos programas”.
Entre as instituições já envolvidas nestas iniciativas, António Pargana destacou parcerias com a Universidade de Évora, a Universidade de Tecnologia do Porto e a Universidade Católica Portuguesa, em programas concebidos para dar a conhecer aos participantes várias dimensões da realidade portuguesa.
“São programas nos quais se vai mostrar história, geografia, funcionamento das instituições políticas e governamentais de Portugal, as suas empresas e também, eventualmente, até estágios”, disse.
Durante a sua participação no Fórum “Portugal Nação Global”, António Pargana defendeu também que a ligação às novas gerações da diáspora representa hoje uma das maiores oportunidades estratégicas para a projeção internacional de Portugal, apontando para a dimensão global do universo lusodescendente.
“Nós estimamos que há mais de 10 milhões de lusodescendentes entre os 20 e os 35 anos, espalhados pelo mundo”, afirmou, acrescentando que no Brasil “deve haver uns cinco milhões”.
Na sua visão, este potencial humano exige uma resposta articulada entre fundações, universidades, instituições públicas e comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
“Há um trabalho a ser feito com as diversas universidades, instituições de ensino, para promover esses cursos, esses programas de conhecimento”, defendeu.
Questionado sobre a importância do Fórum “Portugal Nação Global” para os objetivos da Fundação António Pargana, o empresário mostrou-se particularmente satisfeito com a criação de um espaço dedicado ao papel económico, cultural e académico da diáspora portuguesa.
“Acho que este “Portugal Nação Global” é muito bom no sentido de dizer: ‘olha, há um trabalho a ser feito, querem-se associar a isso?’ Então esse é o objetivo”, confirmou.
Em tom de conclusão, Pargana não deixou dúvidas sobre o impacto que iniciativas desta natureza poderão ter no futuro da sua Fundação e na aproximação entre Portugal e as novas gerações lusodescendentes.
“Sim, com certeza, este evento é uma mais-valia naquilo que é a atividade da Fundação para alargar horizontes”, finalizou. ■




