Caracas celebrou “Dia Mundial da Língua Portuguesa” 2026 com encontro cultural na UCV

Evento contou com a presença de altos representantes diplomáticos, liderados pelos embaixadores e representantes dos países membros da CPLP acreditados na Venezuela; durante a cerimónia oficial, os diplomatas de Portugal, Brasil, Angola, Guiné-Bissau e Guiné Equatorial partilharam mensagens que destacaram a diversidade das variantes da língua e a força da cooperação lusófona

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Fotos: Marcos Ramos Jardim/divulgação
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Num ambiente de fraternidade e multiculturalismo, a Universidade Central da Venezuela (UCV) foi, no dia 5 de maio, o palco principal da celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa na capital venezuelana, uma data que presta homenagem a uma língua que une mais de 260 milhões de pessoas em quatro continentes.

O evento, organizado em conjunto pelas missões diplomáticas dos países de língua portuguesa, como as embaixadas de Portugal, Brasil, Angola e Guiné Equatorial, e pela Faculdade de Humanidades e Educação da UCV, destacou a importância estratégica do português como língua da ciência, da diplomacia e dos negócios no contexto global atual.

A Semana da Língua Portuguesa 2026 foi um evento que transcendeu o âmbito académico para se consolidar como uma homenagem à identidade e à diversidade cultural. Com uma agenda que decorre de 5 a 15 de maio, a instituição transforma-se no ponto de encontro de uma língua que une mais de 260 milhões de pessoas em quatro continentes, reafirmando o seu compromisso com a integração internacional.

O evento contou com a presença de altos representantes diplomáticos, liderados pelos embaixadores e representantes dos países membros da CPLP acreditados na Venezuela. Durante a cerimónia oficial, os diplomatas de Portugal, Brasil, Angola, Guiné-Bissau e Guiné Equatorial partilharam mensagens que destacaram a diversidade das variantes da língua e a força da cooperação lusófona.

O Embaixador de Portugal na Venezuela, Manuel Frederico Da Silva, destacou no seu discurso as três décadas de existência da CPLP e “a sua missão de projetar a língua”, enquanto “idioma de paz, desenvolvimento e de partilha de valores fundamentais, como a democracia, os direitos humanos e a justiça social”.

“A Língua Portuguesa é um hino à diversidade, à criatividade e à fraternidade, que une mais de 260 milhões de pessoas, falantes, em cinco continentes, pelo um dos idiomas mais globais de nosso tempo. É a língua oficial em nove países, é veículo de ciência, de diplomacia, de comércio e, acima de tudo, também de arte e de sentimento, que na sua gloriosa diversidade pluricultural, constrói pontos onde outros ergueriam muros”, acrescentou.

Como exemplo, apontou, “atualmente já são 63 as escolas em todos os estados da Venezuela que adotaram a língua portuguesa como língua de ensino curricular. São cerca de 15 mil alunos em diferentes regiões, que aprendem diariamente a nossa língua”.

Por seu lado, a Embaixadora do Brasil na Venezuela, Glivania María de Oliveira, manifestou o compromisso de continuar a promover o ensino da diversidade linguística e cultural nas salas de aula e nos espaços do país, bem como de colaborar com Portugal e a África Lusófona para que a herança portuguesa continue a florescer no coração da capital venezuelana.

Já o Cônsul-geral de Angola na Venezuela, Mário Simão, sublinhou que mais de 260 mil milhões de pessoas falam português e que agora “a batalha” é “conseguir que a língua portuguesa se torne uma língua de trabalho da Organização das Nações Unidas”. Salientando que a diplomacia angolana em Caracas tem dado a conhecer a sua cultura lusófona à população venezuelana. 

Por sua vez, o Embaixador da Guiné Equatorial na Venezuela, Marcos Ndong Edu Nchama, destacou a importância de ser o único país hispano-africano a adotar o português como língua oficial, juntando-se, no mês de maio, às celebrações mundiais do Dia Mundial da Língua Portuguesa. 

“Para a Guiné Equatorial, celebrar a língua portuguesa em Caracas é reafirmar a nossa vocação universal, como nação que partilha raízes espanholas, portuguesas e africanas; a nossa participação simboliza a riqueza da diversidade cultural e o papel estratégico que desempenhamos na integração dos povos”, salientou. 

O reitor da UCV, Víctor Rago, reivindicou o papel da linguagem como eixo central da existência, definindo-a como o facto cultural de maior importância para o género humano, porque não só representa um atributo biológico que nos confere uma posição única no reino animal como os únicos animais que falam, mas constitui a condição necessária para que a cultura exista e se estruture.

Partindo desta premissa, explicou que a língua e a cultura formam um todo indissociável, o que impõe a obrigação de celebrar a riqueza contida em cada língua, especialmente numa como o português, que une centenas de milhões de pessoas que coexistem num mundo de diversidade linguística onde se estima a existência de entre cinco mil e seis mil línguas.

Da mesma forma, a vice-reitora académica da UCV, María Fátima Garcés, filha de pais madeirenses, partilhou o que significa construir um destino em terras novas sem abandonar o fio condutor da língua materna, uma história de luta e superação que reflete a narrativa de milhares de famílias luso-venezuelanas integradas num país que recebeu os filhos de Portugal de braços abertos.

Esta integração, segundo explicou, evoluiu para uma busca incansável pela excelência académica na UCV, onde a tenacidade e a disciplina são os pilares para formar profissionais de alto nível. Da mesma forma, destacou que a UCV recebeu a certificação internacional concedida pelo Alto Conselho Francês para a Avaliação da Investigação e do Ensino Superior (HCERES), um reconhecimento que funciona como uma garantia global de que os processos pedagógicos, os métodos de ensino e as linhas de investigação da instituição cumprem os mais elevados padrões de qualidade europeus.

Em resumo, todos os oradores salientaram que o português não é apenas um património partilhado, mas uma ponte essencial para a integração da Venezuela com as economias emergentes de África e para a consolidação dos laços históricos com o Brasil e Portugal.

A celebração incluiu uma agenda académica e cultural variada que permitiu aos estudantes da UCV e ao público em geral mergulhar no universo luso: a Chefe do Departamento de Língua Portuguesa, Digna Tovar, e os professores da Escola de Línguas Modernas da UCV debateram a expansão do português no sistema educativo venezuelano e as oportunidades de bolsas de estudo internacionais.

Realizaram-se leituras de poesia de autores emblemáticos como Fernando Pessoa, Jorge Amado e Agostinho Neto, acompanhadas por interpretações musicais que percorreram desde o fado até ao samba e aos ritmos africanos na Sala de Concertos da Universidade Central da Venezuela.

A programação desta comemoração prometeu uma imersão na lusofonia, uma vez que os participantes desfrutaram das apresentações culturais dos grupos estudantis da Escola Latino-Americana de Medicina Salvador Allende (ELAM), de Moçambique, da Guiné-Bissau e do Brasil. 

Os quais apresentaram a vasta, rica e diversificada cultura das suas nações, desde a história até à gastronomia, passando por exibições de géneros musicais africanos e das unidades federais do Brasil, enquanto Portugal contou com a apresentação da Associação Cultural Grupo Folclórico Os Lusíadas, composta por emigrantes portugueses e descendentes de portugueses radicados em Caracas.

O encontro terminou com a apresentação do violinista venezuelano Enrique González, que interpretou vários temas musicais da cultura lusófona, como as canções da cabo-verdiana Cesária Évora, clássicos como “Garota de Ipanema”, do Brasil, e “Uma Casa Portuguesa”, de Portugal, culminando com as canções de “Alma Llanera” e “Venezuela”, provocando uma onda de emoções nos participantes.  ■

Marcos Ramos Jardim

Correspondente na Venezuela e nas Caraíbas

 

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