
O Hotel Royal, em Genebra, na Suíça, foi palco da oitava edição do “Summit Estética”, uma iniciativa internacional idealizada pela empresária brasileira Luzinete Pires, mais conhecida como Lu Pires, que voltou a reunir profissionais provenientes da Suíça, Portugal, Espanha, Brasil e de outros mercados europeus num encontro dedicado à formação, networking, legalidade profissional e desenvolvimento de negócios ligados ao universo da estética, cosmética e bem-estar.
A avaliação da organização não deixou margem para dúvidas. Questionada pela nossa reportagem sobre o balanço desta nova edição, Lu Pires, gestora do Grupo Summit Estética, assumiu que “ultrapassou todas as expetativas”.
“Hoje foi um sucesso, surpreendeu-me, tivemos vários participantes, palestrantes de Portugal, Espanha, Brasil, foi algo internacional. Tivemos a sala cheia de profissionais, escolas, certificados, reconhecimentos que eu nunca poderia imaginar que ia receber e recebi sonhos aqui realizados”, afirmou, visivelmente emocionada.
A fundadora da iniciativa destacou igualmente a dimensão multicultural do encontro.
“Tivemos aqui pessoas praticamente do mundo inteiro, de várias línguas, inglês, português, espanhol, francês, alemão, isso para mim foi um prémio”, sublinhou Lu Pires, que fez também questão de reforçar a relevância do conteúdo técnico e humano partilhado ao longo do dia.
“Tivemos palestrantes de alto nível que tocaram em assuntos sensíveis sobre promoção pessoal, mas também sobre a literacia em termos da legalidade dos ambientes de estética aqui na Suíça”, destacou a empresária, que se orgulha por liderar um projeto “com esta dimensão” e que continua a representar a concretização de uma visão iniciada há vários anos.
“Desde o conceito, foi um sonho realizado. Trazer pessoas de renome, escolas, algo realmente profissional para estas empreendedoras, para mim foi algo sem explicação”, confessou.
Sobre a escolha de Genebra para receber mais uma edição, Lu Pires enfatizou que “Genebra é um cartão-postal, uma identidade visual, uma cidade onde tenho história, raízes, onde cresci. Aqui estão várias culturas, várias línguas, e, para mim, cada “Summit” construído aqui é muito importante”.
Participantes sublinham impacto do “Summit Estética” na criação de redes, atualização profissional e novas oportunidades internacionais
Se, para Lu Pires, esta oitava edição do evento representou a confirmação de um projeto cada vez mais internacional, também entre as dezenas de profissionais presentes em Genebra o sentimento dominante foi de “realização, descoberta e projeção futura”.
Vindas de diferentes geografias, áreas de especialização e fases de carreira, as participantes ouvidas pela nossa reportagem convergiram numa ideia comum: o “Summit Estética” afirmou-se, mais uma vez, como um “espaço de aprendizagem prática, partilha humana e construção de oportunidades concretas”.
Uma perceção que ficou evidente no testemunho de Samara Santos, especialista em bronzeamento artificial e depilação a laser, que participou pela primeira vez depois de ter adiado a presença na edição anterior.
“Eu vim conhecer o evento, porque já fui convidada no ano passado e não tive a oportunidade de estar presente. Mas, este ano, vim e conheci pessoas que moram aqui”, explicou esta empresária, que está instalada há apenas seis meses na região fronteiriça entre França e Suíça, após mais de uma década a viver em Santiago de Compostela, Espanha. Samara reconhece que o encontro permitiu não apenas ampliar contactos, mas também repensar aspetos estratégicos do seu posicionamento profissional.
“Levo daqui muito conhecimento, muita história que vai servir de exemplo para mim”, afirmou, acrescentando que uma das reflexões mais marcantes esteve relacionada com comunicação digital.
“Falou-se muito sobre isso e, para mim, acho que é um momento de pensar, refletir e rever como vou comunicar digitalmente, porque não tem como ser esteticista hoje sem estar na Internet. (…) Estou muito satisfeita, adorei o “Summit Estética”, e super recomendo”, disse.
Também para Alessandra Athadeu, cirurgiã dentista especializada, desde 2016, em estética facial, a experiência em Genebra abriu novas perspetivas de expansão internacional.
“Fui convidada pela Lu Pires, uma amiga que Deus me deu, que viu o meu trabalho na Internet e gostou. Fiquei muito feliz e muito honrada”, enfatizou, reconhecendo que a sua participação se transformou em algo maior do que uma simples palestra.
“Além de chocolate suíço, levo da Suíça muito conhecimento, muitos amigos”, disse, revelando ainda uma intenção futura: “Penso até mesmo começar a fazer uma conexão entre o Brasil e a Suíça, ou seja, trazer o meu trabalho também para este país”, salientou.
“Quero dizer ao público que é muito gratificante, é muito bom para nós, como palestrantes, trazer histórias de vida ao “Summit Estética”, onde conseguimos acrescentar, tirar pessoas, às vezes, da depressão, do sofrimento através da estética. Às vezes, pensa-se que é só estética, só um momento, mas não, há uma identidade que é recuperada. Vale muito a pena participar neste evento”, afirmou.
Esta mesma lógica de descoberta esteve presente na estreia de Dayana Bruna, especialista em estética avançada, que encontrou no evento uma oportunidade de aproximação ao setor internacional.
“Hoje está a ser uma oportunidade de encontrar outras colegas de trabalho”, começou por explicar. À medida que foi acompanhando as diferentes intervenções, esta profissional destacou o valor técnico do encontro.
“Faz muito bem ver novas técnicas, novas formas de trabalhar e isso é sempre bom de partilhar. (…) Para mim é uma primeira vez, mas para tudo tem de haver uma primeira vez e de facto está a ser muito bom mesmo”, sustentou, recordando que esta foi a sua primeira participação.
Se para algumas profissionais a participação no evento em Genebra foi uma “estreia”, outras regressaram ao “Summit” com a certeza de estarem no “lugar certo”. Foi o caso de Lucília Pimentel, terapeuta capilar residente na Suíça há mais de duas décadas, que participou pela segunda vez e não escondeu o entusiasmo. “Foi tudo de bom”, afirmou.
Mais do que o conteúdo técnico, Lucília valorizou a energia coletiva gerada ao longo do encontro. “Encontrei pessoas maravilhosas. Para falar a verdade, é uma energia radiante”, acrescentou a empresária, que deixou ainda uma mensagem a quem ainda não teve a oportunidade de participar.
“O meu conselho hoje é que todos participem, não só brasileiros, até suíços estiveram aqui e encantaram-se com esta energia”, afirmou, concluindo com uma confissão pessoal: “É a segunda vez que participo e arrependi-me de não ter participado antes”, finalizou.
A dimensão formativa da iniciativa foi outro dos aspetos que ganhou relevância no evento, através de Leia Santos, esteticista, cosmetóloga, terapeuta capilar e formadora, que olha para este tipo de iniciativas também como ferramenta pedagógica. Enquanto professora, explicou que o próprio “Summit Estética” serve como referência junto das suas alunas.
“Digo sempre às minhas alunas que têm de participar em eventos como este, principalmente este, que é um “Summit Estética” bem internacional”, destacou, resumindo aquilo que levou do encontro.
“Levo conhecimentos, network, além de trazer e levar o meu conhecimento e conhecer outros profissionais”, salientou, deixando ainda uma recomendação: “Participem em eventos como o “Summit Estética” porque conseguimos conquistar uma bagagem muito impressionante”, referiu.
A importância da continuidade e da presença regular neste tipo de encontros foi, por sua vez, sublinhada por Veronica Giorgio, empresária internacional com mais de três décadas de experiência na área da maquiagem e educação capilar, que explicou porque regressou ao evento.
“O que me motiva é ter sempre algo a aprender e a ensinar”, sublinhou, enfatizando que a aplicação prática do conhecimento adquirido e a diversidade de perfis presentes no evento continuam a ser “dois dos maiores ativos da iniciativa”.
“Para mim é muito importante esta conexão com outros empresários da área e de áreas diferentes”, realçou, acrescentando ter material para mais de seis meses de trabalho com base em tudo o que aprendeu no “Summit Estética”.
Apesar de atuar numa área diferente, também a portuguesa Sandra Soares, florista, decoradora de eventos e empresária, encontrou no evento novas possibilidades de colaboração.
“Esta experiência trouxe-me network e conhecimentos”, elencou, sem deixar de mencionar que, ao longo do encontro, identificou oportunidades concretas de ligação entre o seu negócio e o universo da estética.
“A estética não é a minha área, mas posso ter serviço com a estética, ou seja, posso fazer a decoração, fazer as decorações personalizadas de toalhas, a farda que usam. Posso fazer alguns personalizados adequados a cada empresa”, explicou.
A encerrar este conjunto de testemunhos, Ivanete Dapper, empresária e cosmetóloga, reforçou a dimensão estratégica do encontro para quem trabalha no universo empresarial.
“O “Summit Estética” é um evento que abrange o ramo nacional e internacional”, começou por explicar. Em seguida, elogiou a visão de fundadora da iniciativa.
“A Lu Pires é uma pessoa muito para a frente, uma empresária nata. (…) É sempre bom fazer networking, conhecer novas pessoas, novos empresários, novos contactos”, afirmou, acrescentando que, “quando trabalhamos no ramo empresarial, nunca sabemos onde vamos encontrar o contacto certo”.
Formação, regulamentação e integração marcam também o evento
No âmbito das entrevistas realizadas ao longo do “Summit Estética”, foi possível perceber que os setores da saúde, estética, cosmética e bem-estar estão em plena expansão, um movimento impulsionado, em grande parte, pela possibilidade de networking, partilha de conhecimento e criação de novas oportunidades internacionais.
Contudo, o encontro em Genebra abriu igualmente espaço para uma reflexão técnica e institucional sobre os desafios da profissionalização no mercado suíço. Conversamos com Soraia Pontes, palestrante sobre Dermatologia e Tecnologias Estéticas, docente e especialista na nova Lei Federal suíça sobre a “Proteção contra os Perigos das Radiações Não Ionizantes e do Som”, regulamentada pela “O-LRNIS / V-NISSG”. Esta profissional é ainda fundadora da “International Beauty Academy” e referência europeia em estética cosmética médica, com mais de 18 anos de experiência na área, atuando desde Zurique, com foco na formação de profissionais da estética.
Durante a sua palestra, chamou a atenção para a importância da qualificação certificada e do cumprimento das exigências legais atualmente em vigor no país helvético. Segundo explicou, a instituição que lidera ministra formação a profissionais brasileiros, italianos e alemães, com especial enfoque na adaptação à nova legislação suíça aplicável à utilização de determinados equipamentos de estética.
“Ministramos cursos da nova legislação na Suíça, que é uma legislação muito séria, que entrou em vigor no dia 1 de junho de 2024, para regular o uso de certos aparelhos que podem emitir energia dentro do corpo e que, antes, eram usados por pessoas sem uma instrução específica, sem uma escola, e havia vários problemas, como queimaduras ou até lesões nos olhos”, explicou.
Esta responsável sublinhou que, desde a entrada em vigor da referida regulamentação, todos os profissionais que pretendam trabalhar com este tipo de tecnologia passaram a necessitar de certificação obrigatória.
“Todos que querem trabalhar com essas máquinas na Suíça têm de ter esse certificado, um atestado de competência”, enfatizou Soraia Pontes, revelando que o processo de acreditação da escola que lidera junto das autoridades suíças exigiu um longo percurso de adaptação e cumprimento de critérios rigorosos.
“A nossa empresa dá o curso e a formação. Não foi fácil entrar, não foi fácil o governo aceitar. Nós demorámos quase dois anos para sermos aceites, porque o governo tem critérios. Tivemos de voltar a apresentar as condições necessárias até sermos aprovados”, recordou.
Atualmente, acrescentou, “existem poucas instituições autorizadas a ministrar este tipo de formação especializada em território suíço”.
“Na Suíça são pouquíssimas as escolas que podem dar esta formação. Nós podemos”, destacou.
Dirigindo-se particularmente às profissionais imigrantes que ainda não dominam os idiomas exigidos pelo sistema suíço, Soraia deixou uma mensagem de incentivo e perseverança.
“O que eu quero dizer para as empreendedoras que trabalham com esses aparelhos há 15, 20 ou apenas cinco anos, e que não falam nenhuma das línguas aceites, é para não desanimarem, investirem na língua, estudarem alemão, italiano ou francês e, depois, tentarem fazer o curso para voltar a praticar a sua profissão”, aconselhou.
Mais do que uma exigência legal, esta especialista acredita que a formação pode funcionar como uma verdadeira ferramenta de integração social e profissional no país.
“A estética para mim é um fator de integração importante e, na Suíça, tem funcionado assim também”, finalizou Soraia Pontes. ■




