Brasil: Presença africana leva literatura, travessia e resistência para a 14ª edição do Fliaraxá

Autores africanos José Eduardo Agualusa e Zukiswa Wanner reforçam diálogo internacional do festival com reflexões sobre identidade, memória, deslocamento e conflitos contemporâneos; evento acontece em Minas Gerais entre os dias 14 e 17 de maio

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José Eduardo Agualusa e Zukiswa Wanner, autores apresentam obras atravessadas por temas como pertencimento, deslocamento, memória, colonialismo, desigualdade e os impactos políticos sobre a experiência humana. O festival acontece no Teatro CBMM do Centro Cultural Uniaraxá. Foto: divulgação
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A 14ª edição do Fliaraxá 2026, que acontece entre os dias 14 e 17 de maio, em Araxá, no estado brasileiro de Minas Gerais, amplia o seu alcance internacional ao reunir dois nomes centrais da literatura africana contemporânea em língua portuguesa e inglesa: Zukiswa Wanner e José Eduardo Agualusa. Em comum, os dois autores apresentam obras atravessadas por temas como pertencimento, deslocamento, memória, colonialismo, desigualdade e os impactos políticos sobre a experiência humana. O festival acontece no Teatro CBMM do Centro Cultural Uniaraxá.

Convidada internacional do festival, Zukiswa Wanner participa da programação no dia 16 de maio, às 18h, com mediação de Bianca Santana. Nascida na Zâmbia, durante o exílio de seu pai, militante contra o apartheid sul-africano, a autora construiu uma trajetória marcada pela circulação de ideias no continente africano e pelo ativismo político. Recentemente, Wanner ganhou projeção internacional após ser detida pelo governo de Israel ao integrar uma flotilha humanitária com destino a Gaza. A experiência originou o livro Flotilla: A Journey of Conscience, lançado em inglês, no qual articula testemunho, política e reflexão sobre os conflitos contemporâneos.

No Brasil, a autora tem obras publicadas pela Editora Periferias, entre elas Relatos da vida palestina sob estado de Apartheid e Amar, Casar, Matar. Em romances como Madames, Zukiswa Wanner tensiona estruturas raciais e sociais da África do Sul pós-apartheid ao inverter relações históricas de poder dentro de um condomínio de elite. Já em Homens do Sul, acompanha trajetórias masculinas negras na África Austral, abordando masculinidade, expectativas sociais e desigualdade.

Também no dia 16 de maio, às 21h, o escritor angolano José Eduardo Agualusa sobe ao palco do Teatro CBMM para dialogar com o tema desta edição do festival, “Meu Lugar no Mundo”. Reconhecido internacionalmente como uma das principais vozes da literatura em língua portuguesa, Agualusa constrói narrativas que cruzam fronteiras geográficas, históricas e imaginárias, explorando identidades em trânsito e as múltiplas formas de pertencimento.

Em seu romance mais recente, Tudo Sobre Deus, o autor mergulha em questões ligadas à memória, à finitude e à busca de sentido. A narrativa acompanha Leopoldo G. Borges, geólogo e poeta que decide viver seus últimos dias isolado em uma igreja abandonada no deserto do Namibe, em Angola. Entre diários, poemas e fragmentos de memória, o personagem transforma o deserto em espaço de introspecção e reencontro consigo mesmo, enquanto tenta compreender a ausência da filha desaparecida e revisitar sua própria trajetória.

“A presença de Zukiswa Wanner e José Eduardo Agualusa reforça o papel do Fliaraxá como espaço de circulação internacional de narrativas e de reflexão crítica sobre o mundo contemporâneo. Ao reunir autores africanos com experiências e linguagens distintas, o festival aproxima o público brasileiro de debates ligados à diáspora, às heranças coloniais, aos deslocamentos humanos e às transformações políticas e sociais que atravessam diferentes territórios”, afirmou Afonso Borges, responsável pelo evento.

Recorde-se que o Fliaraxá 2026 é realizado pela Associação Cultural Sempre um Papo, com patrocínio da CBMM, via Lei Rouanet, e apoio da Academia Araxaense de Letras e da TV Integração. ■

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