Feira do Livro de Lisboa: Escritora colombiana sublinha que a leitura é como uma viagem capaz de aproximar gerações e culturas

María Veracruz Orozco Fernandez, que estreou na Europa na 96.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, defende que a leitura permite conhecer diferentes realidades, preservar a memória dos antepassados e despertar, nos mais jovens, a curiosidade por mundos que vão muito além das suas próprias experiências

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María Veracruz Orozco Fernandez, escritora colombiana. Fotos: Agência Incomparáveis
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A escritora colombiana María Veracruz Orozco Fernandez frisou que a leitura desempenha um papel fundamental na formação cultural das novas gerações, defendendo que os livros têm a capacidade de transportar os leitores para “mundos desconhecidos” e de os ajudar a compreender melhor as suas origens e a sociedade em que vivem. 

As declarações foram dadas, em exclusivo, à Agência Incomparáveis durante a participação da autora na 96.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, que decorre entre 27 de maio e 14 de junho, no Parque Eduardo VII, na capital portuguesa, onde apresentou, pela primeira vez na Europa, algumas das suas obras literárias.

Escritora e antiga odontóloga, atualmente reformada, María Veracruz Orozco Fernandez explicou que a escrita ocupa hoje um lugar central na sua vida profissional e criativa. De igual modo, na visão desta escritora, incentivar os hábitos de leitura desde a infância é uma responsabilidade essencial das famílias e constitui um instrumento importante para o desenvolvimento pessoal e cultural dos mais jovens.

“O meu conselho é que, desde crianças, os pais incluam a leitura no cotidiano”, salientou, sublinhando que “devemos ler para adquirir cada vez mais cultura”.

Na sua perspetiva, os livros oferecem uma experiência comparável à das viagens, permitindo conhecer novas realidades sem sair do lugar. 

“Ler é como estar viajando, ou seja, a leitura transporta a mundos desconhecidos”, sustentou a autora, que revelou ter publicado três romances, todos inspirados em acontecimentos reais e profundamente ligados à realidade colombiana.

“Os meus principais temas são o amor e o legado que se deixará às novas gerações, tudo baseado na vida real”, explicou.

Sobre a sua mais recente obra, “Un doble secreto en la llanura” ou “Um segredo duplo na planície”, em tradução livre, María Veracruz Orozco Fernandez destacou a abordagem particular que procurou desenvolver em torno das relações afetivas. 

“O mais importante nesta última obra é focar na relação amorosa com um tipo de erotismo”, afirmou.

Segundo a escritora, o erotismo é tratado como “parte da expressão de como se expressa a relação amorosa”, sendo explorado “desde um ponto de vista muito delicado” e não apenas “da parte física, da atração física”, mas também a partir da “conexão emocional entre os personagens”.

A autora disse ainda que o romance combina elementos de suspense com a construção de um triângulo amoroso. 

“Aqui podemos ver uma novela de muito suspense e, sem se propor, os personagens caem em uma trilogia amorosa, um triângulo amoroso”, referiu, acrescentando que a narrativa decorre numa região da Colômbia há cerca de 70 anos e inspira-se em experiências reais. 

“Acidentalmente conheci um dos personagens que se representam nessa obra”, contou.

A participação na Feira do Livro de Lisboa 2026 assumiu um significado especial para a escritora, que visitou Portugal pela primeira vez. Questionada sobre a experiência na capital portuguesa, a autora colombiana confessou estar surpreendida pela forte ligação da população aos livros. 

“Lisboa é uma cidade interessante, belíssima, muito cultural”, enfatizou, acrescentando estar “impressionada com a Feira do Livro”, além de destacar, sobretudo, “a juventude e os filhos focados na leitura”. A presença no certame lisboeta representou também a concretização de uma ambição antiga.

“Era um sonho para mim estar aqui em Lisboa, porque é uma das feiras mais importantes da Europa”, declarou a escritora, que recordou que já havia apresentado as suas obras nos Estados Unidos e em vários países da América Latina, mas reconheceu o simbolismo desta estreia europeia. 

“Na Europa, é a primeira vez. Então sinto-me muito honrada por ter sido convidada, especialmente, para esta feira”, vincou.

Exemplo “caseiro”

Ao abordar a literatura colombiana, María Veracruz Orozco Fernandez realçou a forte influência das tradições e dos costumes na produção literária do seu país. Neste sentido, a escritora evocou a figura de Gabriel García Márquez como exemplo da valorização das realidades locais, já que este “escreve com a autenticidade dos costumes colombianos”. A autora reconheceu essa mesma marca na sua própria obra.

“As minhas novelas todas têm esse toque colombiano e são todas baseadas em histórias colombianas”, observou, comentando a valorização das raízes familiares e da herança deixada pelos antepassados, que, segundo ela, constitui um dos elementos estruturantes da sua escrita.

María Veracruz Orozco Fernandez, que integra a Asociación Internacional de Escritores (AIDE), referiu que as suas obras estão disponíveis em diferentes plataformas digitais e mercados internacionais. Os livros podem ser encontrados no Mercado Livre, em diversos países da América Latina, e também através da Amazon. A autora mantém ainda uma “presença ativa” nas redes sociais, sobretudo no Instagram, onde partilha regularmente conteúdos relacionados com poesia e reflexões sobre os afetos.

“Tudo relacionado com o amor, porque o amor move o mundo”, finalizou.

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