Brasil: Presidente da Funcex alerta para a necessidade de uma “nova dimensão econômica” para a CPLP

Antonio Carlos da Silveira Pinheiro considera que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa deve afirmar-se como plataforma estratégica de desenvolvimento, visão que encontra eco na recente posição assumida pelo Governo de Cabo Verde; responsável sugere maior atenção por parte do Brasil na liderança da movimentação econômica entre as nações lusófonas

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Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, presidente da Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex). Foto: Agência Incomparáveis
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“A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) deve evoluir para um espaço cada vez mais orientado para a cooperação econômica, empresarial e científica, reforçando seu papel no desenvolvimento dos Estados-membro e na projeção internacional da língua portuguesa”. Essa é a posição defendida pelo presidente da Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex), Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, para quem a comunidade lusófona reúne condições para assumir um papel estratégico em um cenário global marcado pela reorganização dos mercados, pela inovação tecnológica e pela crescente necessidade de integração entre economias complementares.

Segundo Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, a CPLP possui um patrimônio diferenciador que vai muito além do compartilhamento da língua portuguesa. Para este responsável, existe uma base histórica, cultural e institucional capaz de aproximar governos, empresas, universidades, centros de pesquisa e investidores, criando um ambiente favorável à internacionalização, à circulação do conhecimento e à geração de oportunidades de negócios entre os países lusófonos.

Essa visão ganha ainda mais relevância diante das recentes declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, José Luís Livramento, que afirmou que a CPLP, apesar de alguns “altos e baixos”, cumpriu os objetivos para os quais foi criada, defendendo, no entanto, a necessidade de promover uma reflexão sobre o futuro da organização. O governante cabo-verdiano apontou como prioridades o fortalecimento da mobilidade, a valorização da língua portuguesa, a cooperação técnica e a consolidação da dimensão econômica da comunidade.

Na avaliação do presidente da Funcex, a CPLP precisa deixar de ser vista apenas como um espaço de concertação política e cultural para afirmar-se como uma verdadeira “plataforma de desenvolvimento econômico sustentável”. Antonio Carlos da Silveira Pinheiro tem defendido que a língua portuguesa representa um ativo estratégico, “capaz de reduzir barreiras, facilitar processos de internacionalização e criar condições para uma integração mais efetiva entre os mercados dos países-membros”. Nesse contexto, ressalta ainda que Portugal pode desempenhar um papel relevante como plataforma de investimentos para empresas brasileiras, não apenas para o mercado europeu, mas também para todo o ambiente econômico da CPLP.

O presidente da Funcex considera igualmente que o fortalecimento das relações empresariais deve ser acompanhado por uma maior articulação entre os setores acadêmico, científico e tecnológico, promovendo a inovação e a transferência de conhecimento. Para a entidade, a construção de redes permanentes de cooperação permitirá potencializar investimentos, estimular o comércio internacional e ampliar a competitividade das economias lusófonas.

A posição defendida por Cabo Verde reforça uma visão estratégica ao propor uma discussão sobre a “CPLP do futuro”, capaz de adaptar a organização aos desafios impostos pela inteligência artificial, pela transformação digital e pela nova configuração das cadeias globais de valor. O país considera ainda que sua localização geográfica pode servir como plataforma de ligação entre a CPLP e a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), ampliando a influência da comunidade no continente africano.

Para Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, “o futuro da CPLP dependerá da capacidade de seus membros transformarem a proximidade linguística e cultural em projetos concretos de desenvolvimento econômico e científico”. Na sua avaliação, “o fortalecimento da cooperação empresarial, a valorização do conhecimento e a promoção de investimentos conjuntos representam caminhos fundamentais para consolidar uma comunidade mais integrada, competitiva e preparada para os desafios do século XXI”. Antonio Carlos acredita também que “O Brasil precisa fazer esse mesmo exercício”, reiterando que a nossa Fundação “é um órgão que procura equilíbrio institucional, mas sem descurar o progresso”.

Ao completar três décadas de existência, a CPLP enfrenta o desafio de renovar sua agenda estratégica e responder às exigências de um mundo em constante transformação. Para o presidente da Funcex, esse processo deve passar pelo fortalecimento das relações econômicas, pela criação de novas oportunidades para empresas e instituições e pela consolidação da comunidade lusófona como um espaço privilegiado de cooperação internacional, capaz de unir quatro continentes por meio de uma língua comum e de interesses compartilhados.

“A CPLP reúne todas as condições para transformar sua afinidade histórica e cultural em um diferencial competitivo, contribuindo para o desenvolvimento sustentável de seus países e para uma inserção mais qualificada no cenário internacional. O Brasil precisa fazer esse mesmo”, reiterando que a nossa Fundação “é um órgão que procura equilíbrio institucional, mas sem descurar o progresso”, concluiu Antonio Carlos da Silveira Pinheiro. ■

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