“Empreender na Região Centro é, antes de mais, um ato de resistência, criatividade e coragem”

Da música à gestão estratégica: Ana Batista transforma personalização em ferramenta de cultura, pertença e valorização humana; Empresária, atuante desde Castelo Branco, e fundadora da “Malvada”, acredita que as empresas crescem através das pessoas e das ligações emocionais que conseguem construir; Com um percurso que cruza música, tecnologia, gestão de equipas e empreendedorismo, defende que a personalização deve ir muito além do objeto físico, tornando-se uma estratégia capaz de reforçar identidades, criar memórias e fortalecer relações dentro e fora das organizações

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Ana Batista, empresária, atuante desde Castelo Branco, e fundadora da “Malvada”. Foto: divulgação
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Natural do Fundão e residente em Castelo Branco, Ana Batista, 40 anos, é a fundadora da Malvada, uma marca portuguesa dedicada ao desenvolvimento de soluções personalizadas para empresas e clientes particulares. Com formação inicial na área da música, construiu um percurso profissional marcado pela diversidade de experiências, passando pelo apoio ao cliente e por cerca de oito anos numa empresa internacional de desenvolvimento de software, onde desempenhou funções nas áreas da gestão de pessoas, recursos humanos, formação, cultura organizacional, eventos internos e apoio à operação.

Atualmente, assume a gestão estratégica da Malvada, coordenando o desenvolvimento criativo, a conceção de produtos, a relação com clientes, o planeamento de soluções empresariais, a produção e a gestão global da marca. A experiência multidisciplinar que reúne, entre criatividade, tecnologia e pensamento estratégico, está na base de uma visão empresarial centrada nas pessoas, na construção de vínculos e na valorização da identidade organizacional.

Em entrevista à Agência Incomparáveis, Ana Batista fala sobre o nascimento da Malvada, os desafios de empreender na Beira Interior, o papel dos empresários na transformação do território e a crescente importância da cultura organizacional. Ao longo da conversa, explica de que forma a personalização se tornou uma ferramenta estratégica para as empresas e revela as ambições de crescimento de uma marca que pretende afirmar-se dentro e fora da região.

Como nasceu a sua empresa?

A Malvada nasceu num momento de viragem pessoal e profissional. Surgiu da necessidade de transformar uma fase difícil numa oportunidade concreta de criação, autonomia e reinvenção. Começou como uma resposta prática: criar produtos personalizados, com qualidade, detalhe e significado. Mas rapidamente deixou de ser apenas produção de artigos. A Malvada passou a representar uma forma de pensar: criar peças que não sejam apenas bonitas ou úteis, mas que tenham memória, vínculo e propósito. Hoje, a marca trabalha tecnologia, design, personalização e estratégia, ajudando empresas e pessoas a oferecer melhor, comunicar melhor e marcar momentos importantes de forma mais cuidada, diferenciadora e memorável.

O que significa empreender na Região Centro de Portugal?

Empreender na Região Centro é, antes de mais, um ato de resistência, criatividade e coragem. Trabalhar longe dos grandes centros pode significar menos visibilidade e menos acesso imediato a determinados recursos, mas também oferece uma forte proximidade humana, aprendizagens mais profundas, relações mais autênticas e uma enorme capacidade de adaptação. Na Região Centro, empreender obriga-nos a ser mais versáteis, mais criativos, mais conscientes da necessidade de saber mais e fazer melhor e, acima de tudo, mais conscientes do valor de cada oportunidade. Ao mesmo tempo, permite criar marcas com raízes, autenticidade e uma relação mais próxima com as pessoas, as empresas e a comunidade.

A Malvada nasceu na Beira Interior e aposta em soluções empresariais personalizadas. Que impacto acredita que projetos como o seu podem ter na dinamização económica e criativa da região?

Projetos como a Malvada podem ter um impacto importante porque mostram que é possível criar valor acrescentado a partir da região, sem depender exclusivamente dos grandes centros urbanos. A personalização, o design, a produção local e as soluções empresariais à medida permitem gerar novas oportunidades, dinamizar parcerias, apoiar outras empresas e valorizar o talento criativo que existe na Beira Interior. Acredito que este tipo de projeto contribui para uma economia mais diferenciada, mais colaborativa e mais ligada à identidade do território. Não se trata apenas de vender produtos; trata-se de criar soluções que ajudam empresas a comunicar melhor, a valorizar pessoas e a reforçar relações com colaboradores, clientes e parceiros.

O seu percurso passou pela música, tecnologia, gestão de pessoas e empreendedorismo. De que forma essa experiência multidisciplinar influencia hoje a visão estratégica da empresa?

A música trouxe-me disciplina, sensibilidade, rigor, escuta e atenção ao detalhe. O apoio ao cliente mostrou-me que ir ao encontro das necessidades de quem nos procura, com empatia e respeito, abre caminho à confiança e à fidelização. A área tecnológica deu-me contacto com processos, inovação, organização, ritmo empresarial e necessidade constante de adaptação. A gestão de pessoas mostrou-me a importância da comunicação, da cultura interna, da motivação, da experiência do colaborador e da forma como os pequenos gestos podem influenciar o sentimento de pertença, reforçar laços, motivar equipas e atrair talento. Hoje, mais do que nunca, as pessoas procuram sentir-se felizes, reconhecidas e realizadas no contexto em que trabalham. A Malvada ajuda o empresário a consolidar esse sentimento dentro da sua empresa, através de soluções pensadas para criar ligação, reconhecimento e memória. Esta visão impacta não só a forma como o colaborador se sente e valoriza a empresa, mas também a forma como o cliente percebe o seu valor. Tudo isso está presente na Malvada. A minha visão estratégica nasce precisamente dessa combinação: criatividade com método, emoção com estrutura, personalização com objetivo. Quando desenvolvemos uma solução para uma empresa, não penso apenas no objeto final. Penso no que ele comunica, no momento em que vai ser entregue, na pessoa que o vai receber e na memória que pode criar.

Considera que os empresários portugueses estão mais atentos ao valor da cultura organizacional e da retenção de talento?

Sim, acredito que existe uma consciência crescente, embora ainda haja muito caminho a fazer. Durante muito tempo, a cultura organizacional foi vista como algo secundário ou até abstrato. Hoje, cada vez mais empresários percebem que a forma como uma empresa cuida das suas pessoas tem impacto direto na motivação, na retenção de talento, na produtividade e na reputação da marca. As pessoas querem sentir-se vistas, reconhecidas e valorizadas. E esse reconhecimento não se constrói apenas com grandes discursos, cabazes de Natal, aumentos ou benefícios. Muitas vezes constrói-se através de gestos consistentes, bem pensados e alinhados com a identidade da empresa. É aí que a Malvada entra: ajudamos empresas a transformar momentos importantes em experiências de pertença, reconhecimento e ligação emocional.

Que papel os empreendedores locais podem assumir na transformação e valorização do território?

Os empreendedores têm um papel decisivo na transformação dos territórios. São eles que muitas vezes identificam necessidades reais, criam respostas novas e criativas, geram emprego, ativam redes de colaboração e mostram que a inovação também acontece fora dos grandes centros. A Beira Interior tem talento, identidade, conhecimento e capacidade criativa. O desafio está em valorizar tudo isso com estratégia, comunicação e ambição. Cada negócio que nasce e se afirma na região contribui para mudar a perceção do território. Mostra que a Beira Interior não é apenas um lugar distante dos grandes centros, mas um espaço com capacidade para criar marcas, produtos, serviços e soluções com relevância nacional.

Como avalia a importância da personalização numa altura em que muitas empresas procuram diferenciar-se no mercado?

A personalização é hoje uma ferramenta estratégica de diferenciação. Num mercado saturado de mensagens, produtos repetidos e comunicação impessoal, aquilo que é pensado à medida ganha muito mais força. A personalização permite que uma empresa comunique quem é, como cuida das suas pessoas e que tipo de relação quer construir com colaboradores, clientes e parceiros. Mas personalizar não é apenas colocar um logótipo num objeto. É perceber o contexto, o público, o momento, a mensagem e a emoção que se pretende criar. Quando bem feita, a personalização transforma um produto numa experiência. E uma experiência bem construída fica na memória.

Que produtos ou projetos oferece?

A Malvada desenvolve soluções personalizadas para empresas e clientes particulares, recorrendo a diferentes técnicas de produção, gravação, corte, impressão e acabamento. Na área empresarial, destaca-se a Solução Malvada, estruturada em três vertentes complementares. A área Cultura assenta na criação de um plano anual para colaboradores, concebido para promover o vínculo emocional entre as pessoas, as equipas e a própria empresa, integrando momentos de reconhecimento, ações internas, atividades de team building, formações e gifting corporativo estratégico. A área Vínculo corresponde ao planeamento anual do relacionamento com clientes, parceiros e comunidades da marca, através de soluções personalizadas que fortalecem relações, criam memória e aumentam a perceção de valor. Já a solução ONI foi pensada para novas empresas ou organizações em processos de rebranding, permitindo apresentar a nova identidade visual através de merchandising corporativo e materiais personalizados. Na prática, a Malvada desenvolve kits de boas-vindas para colaboradores, ofertas corporativas, soluções para aniversários de empresas e equipas, campanhas sazonais, kits temáticos para diversas datas comemorativas, artigos personalizados para clientes e parceiros, peças alinhadas com a identidade visual das marcas e projetos específicos orientados para o reforço da cultura interna e do sentimento de pertença. A marca trabalha ainda várias gamas destinadas ao cliente final. A Vida Malvada inclui artigos personalizados para o quotidiano; a Saudade Malvada dedica-se à preservação de memórias de pessoas, animais e momentos especiais; a Pata Malvada centra-se no universo pet, incluindo peças personalizadas e memoriais; a Jóia Malvada reúne propostas de joalharia personalizada; e a Ideia Malvada destina-se ao desenvolvimento de soluções inéditas, concebidas de raiz para responder a necessidades específicas.

O projeto apresenta uma forte componente criativa e emocional, mas também tecnológica e estratégica. Quais são os próximos passos da Malvada e que ambições tem para o crescimento da marca dentro e fora da região?

O próximo passo da Malvada é consolidar a sua presença no mercado empresarial, sobretudo através de soluções anuais e estruturadas para empresas que querem cuidar melhor da relação com colaboradores, clientes e parceiros. A ambição é crescer de forma sustentada, mantendo a identidade da marca: criatividade, cuidado, detalhe, tecnologia, proximidade e capacidade estratégica. Queremos afirmar a Malvada como uma marca de referência em soluções personalizadas com valor emocional e empresarial, tanto na região como fora dela. A localização na Beira Interior não é uma limitação; é parte da nossa identidade. Queremos mostrar que, a partir daqui, também se criam projetos relevantes, profissionais e capazes de competir pela qualidade, pela diferenciação e pela forma como fazem as pessoas sentir.

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