
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou esta terça-feira, 21 de abril, em Lisboa, que Portugal poderá assumir um papel estratégico como principal porta de entrada dos interesses empresariais brasileiros no mercado europeu. A declaração foi feita durante um encontro com o primeiro-ministro Luís Montenegro, no âmbito de uma agenda centrada no reforço das relações económicas e institucionais entre os dois países.
“Portugal pode ser a grande porta de entrada dos interesses empresariais brasileiros na Europa”, afirmou o chefe de Estado brasileiro, ao destacar o potencial do Acordo Mercosul–União Europeia, cuja entrada em vigor está prevista para 1 de maio, como instrumento de dinamização do investimento e da integração produtiva entre Brasil e União Europeia.
Durante a declaração conjunta, Lula sublinhou a necessidade de aprofundar a cooperação para além das trocas comerciais, defendendo a incorporação de etapas produtivas em território português.
“É muito importante que parte das coisas que o Brasil vai negociar com a União Europeia possa ser construída aqui em Portugal”, afirmou, sinalizando uma estratégia orientada para a produção conjunta e para o reforço das cadeias de valor.
O presidente brasileiro referiu ainda que o acordo entre os blocos cria condições para ampliar investimentos e diversificar relações económicas, num modelo assente no equilíbrio entre parceiros.
“O comércio internacional só produz resultados quando há equilíbrio entre as partes. É necessário que ambos os lados se desenvolvam para que a relação seja sustentável”, declarou.
No plano diplomático, Lula reiterou a defesa do multilateralismo como eixo da política externa brasileira, posicionando-se contra práticas unilaterais e protecionistas. O chefe de Estado apontou ainda limitações das atuais estruturas de governança global face ao aumento de conflitos internacionais, defendendo maior capacidade de articulação institucional para a promoção da estabilidade.
A agenda bilateral incluiu também o reforço da cooperação em áreas consideradas estratégicas, como indústria aeronáutica, ciência, tecnologia e inovação. Neste contexto, Lula destacou a presença da Embraer em Portugal como exemplo de investimento produtivo.
“A Embraer demonstra a capacidade de cooperação industrial entre os dois países, com impacto na produção e no emprego”, referiu.
A dimensão humana da relação foi igualmente evidenciada, com destaque para a comunidade brasileira residente em Portugal, estimada em cerca de 485 mil cidadãos regularizados, segundo dados oficiais de 2024. Considerando cidadãos com dupla nacionalidade, este número poderá ultrapassar os 700 mil, tornando Portugal o segundo principal destino da diáspora brasileira.
Sobre este ponto, Lula destacou a integração dos brasileiros na sociedade portuguesa.
“O povo brasileiro tem forte capacidade de adaptação e participação no mercado de trabalho”, afirmou.
Já o primeiro-ministro Luís Montenegro referiu que mais de 235 mil processos de regularização de cidadãos brasileiros foram concluídos recentemente, permitindo a integração plena no país. “Estão hoje em conformidade com a legislação e com condições para concretizar os seus projetos de vida”, disse o governante.
Montenegro acrescentou que a presença brasileira em Portugal tem sido marcada por integração social e económica, admitindo, contudo, a existência de situações pontuais que não refletem o conjunto da relação entre as comunidades.
A deslocação a Lisboa assinalou o encerramento da visita de Lula à Europa, que incluiu passagens por Espanha e Alemanha. A missão centrou-se no reforço do diálogo político, na promoção de investimento e na consolidação de parcerias estratégicas, num contexto internacional marcado por desafios económicos e geopolíticos.
Montenegro garante parceria no quadro do acordo UE–Mercosul
O primeiro-ministro Luís Montenegro afirmou, durante a visita, que Portugal será um parceiro estratégico para o Brasil no reforço da sua presença na economia europeia, no contexto da entrada em vigor do Acordo Mercosul–União Europeia, prevista de forma provisória para 1 de maio.
A posição foi assumida após um encontro com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, realizado na residência oficial do primeiro-ministro, com a duração de cerca de uma hora. No final da reunião, Montenegro destacou o empenho de ambos os países na concretização do acordo, sublinhando o seu impacto estratégico. “Este acordo marca, do ponto de vista histórico, um momento a partir do qual o Brasil se pode projetar de forma mais objetiva e mais profunda na economia europeia e Portugal será um parceiro nesse caminho”, afirmou.

O chefe do Governo português recordou que Portugal tem defendido de forma consistente este entendimento entre blocos e salientou o papel do Brasil na sua concretização, após mais de duas décadas de negociações. Acrescentou ainda que Portugal pretende assumir um papel ativo no aprofundamento das relações económicas bilaterais, quer através da presença de empresas portuguesas no Brasil, quer como elo de ligação entre projetos europeus e o mercado brasileiro.
No mesmo contexto, Lula defendeu que a relação entre os dois países deve evoluir para um modelo de cooperação produtiva, com impacto direto na economia portuguesa.
“É muito importante que parte das coisas que o Brasil vai negociar com a União Europeia seja construída em Portugal”, afirmou o presidente brasileiro, apontando para uma estratégia de industrialização partilhada.
O chefe de Estado indicou que pretende mobilizar o Governo brasileiro e o setor empresarial para viabilizar esta abordagem, com o objetivo de consolidar uma parceria baseada em benefícios mútuos. “Não queremos que Portugal seja apenas a porta de entrada; queremos que seja a base de construção de uma parceria robusta”, referiu.
Lula destacou ainda o momento atual das relações bilaterais, classificando-o como o mais favorável dos últimos anos, e reforçou o papel de Portugal como plataforma para a expansão dos interesses empresariais brasileiros na Europa.
O acordo entre a União Europeia e o Mercosul, assinado a 17 de janeiro, prevê a eliminação ou redução significativa de tarifas alfandegárias entre os dois blocos, além de incluir um pilar de cooperação política. A sua plena entrada em vigor depende ainda de aprovação pelo Parlamento Europeu e de ratificação pelos Estados membros, estando atualmente sujeito a análise pelo Tribunal de Justiça da União Europeia.
O Mercosul, criado em 1991 e com sede em Montevidéu, integra Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, constituindo um dos principais blocos económicos da América do Sul em termos de produto interno bruto e capacidade produtiva no setor alimentar. ■
Agência Incomparáveis, com Gov.br e Lusa




