Pesquisadora brasileira com projetos culturais em Portugal, Andréa Luísa Teixeira recebe Doutoramento Honoris Causa no México

Distinção reconhece o percurso internacional da artista e investigadora, que desenvolve projetos de cooperação cultural com Portugal e atua na preservação do património musical e da memória cultural

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Andréa Luísa Teixeira, pianista, flautista, pesquisadora, professora e gestora cultural luso-brasileira, durante cerimónia no México. Foto: divulgação
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A pianista, investigadora e professora universitária brasileira Andréa Luísa Teixeira foi distinguida, nos últimos dias, com o título de Doutora Honoris Causa pelo Claustrum Doctoralis Internacional para a Ciência, as Artes e a Cultura, numa cerimónia realizada na Escola Superior de Música Fausto de Andrés y Aguirre, em Cholula, no Estado de Puebla, México. A distinção, atribuída por instituições académicas mexicanas, “reconhece o contributo desenvolvido ao longo da sua carreira nas áreas da música, da educação, da investigação e do intercâmbio cultural internacional”.

Com uma trajetória consolidada no meio artístico e académico, Andréa Luísa Teixeira é pianista da Escola de Música e Artes Cénicas da Universidade Federal de Goiás desde 1993, mestre em Musicologia pelo Conservatório Brasileiro de Música e investigadora nas áreas do património musical, da memória cultural e da identidade. Ao longo da sua carreira, apresentou-se em importantes salas de concerto das Américas, Europa e Ásia e tem desenvolvido projetos dedicados à preservação das tradições musicais brasileiras e à promoção do diálogo entre diferentes culturas.

A distinção internacional evidencia também a forte ligação da artista a Portugal, país com o qual mantém uma colaboração regular através de concertos, projetos académicos e iniciativas de intercâmbio cultural. Nesta entrevista, fala sobre o significado do Doutoramento Honoris Causa, o percurso que conduziu a este reconhecimento, a sua relação com Portugal e os projetos que continua a desenvolver para fortalecer as ligações culturais entre os países de língua portuguesa.

Qual o sentimento ao receber esta distinção académica?

Receber o título de Doutora Honoris Causa foi um momento de profunda emoção e gratidão. Ao longo da vida, dediquei-me à música, ao ensino, à pesquisa e à valorização do património cultural brasileiro. Ver esse percurso reconhecido por instituições internacionais é uma honra que ultrapassa a dimensão pessoal. Senti-me representando não apenas a minha trajetória, mas também a minha família, Goiás, a Universidade Federal de Goiás e todos aqueles que acreditam na cultura como instrumento de transformação humana.

Como aconteceu esta oportunidade?

A distinção surgiu a partir de uma trajetória construída ao longo de décadas de atuação artística e académica, especialmente em atividades de pesquisa, concertos, conferências e intercâmbios internacionais. O trabalho desenvolvido em diferentes países, aliado à minha produção académica e cultural, chamou a atenção das instituições que integram o Claustrum Doctoralis Internacional para a Ciência, as Artes e a Cultura.

O que representa, no plano pessoal, académico e artístico, receber no México o título de Doutora Honoris Causa do Claustrum Doctoralis Internacional para a Ciência, as Artes e a Cultura?

No plano pessoal, representa a confirmação de que vale a pena dedicar, com o que amo, uma vida inteira à arte e ao conhecimento. Academicamente, é um reconhecimento da importância da pesquisa musical como campo de produção de saber. Artisticamente, é um estímulo para continuar levando a música luso-brasileira, especialmente a produzida em Goiás, para diferentes contextos internacionais.

Recebo essa honraria com o sentimento de responsabilidade de continuar contribuindo para a cultura.

A distinção reconhece a sua trajetória académica e de concerto. De que forma a sua atividade como pianista e pesquisadora da Escola de Música da Universidade Federal de Goiás contribuiu para este reconhecimento internacional?

A universidade sempre foi o espaço onde arte, ensino e pesquisa se encontraram na minha vida. Ao longo de mais de três décadas na Escola de Música da UFG, desenvolvi projetos de investigação sobre património musical, cultura popular, memória e identidade, ao mesmo tempo em que mantive intensa atividade concertística. Essa combinação entre produção artística e reflexão académica certamente contribuiu para que o meu trabalho alcançasse visibilidade internacional.

A cerimónia decorreu em Cholula, Puebla, na Escola Superior de Música Fausto de Andrés y Aguirre, com a assinatura de nove universidades mexicanas. Que significado atribui ao facto de esta homenagem partir de instituições académicas do México?

O México possui uma das mais ricas tradições culturais das Américas. Receber uma homenagem proveniente de instituições mexicanas tem um significado muito especial, porque demonstra o reconhecimento mútuo entre países que compartilham heranças culturais profundas, marcadas pela diversidade, pela memória e pela riqueza artística. Vejo essa distinção como um gesto de aproximação entre as comunidades académicas e culturais latino-americanas.

A sua relação com o México vem desde 2001, com participação em concertos e congressos. Como esse percurso ajudou a construir pontes culturais e académicas entre o Brasil e o meio musical mexicano?

Ao longo dos anos, participei de concertos, encontros científicos e atividades académicas que permitiram trocas muito enriquecedoras. Essas experiências mostraram que, apesar das diferenças linguísticas e geográficas, partilhamos desafios, referências e interesses comuns.

A música tem sido uma linguagem privilegiada para aproximar pesquisadores, artistas e estudantes dos dois países.

Como avalia o papel da música, em especial do piano, como instrumento de investigação, formação e diplomacia cultural entre países latino-americanos?

A música é uma das formas mais poderosas de diálogo entre culturas. O piano, em particular, possui um repertório universal que permite estabelecer pontes entre diferentes tradições. Sou coordenadora de um programa de entrevistas semanal, por exemplo, que é transmitido através do YouTube da UFG_oficial. Cham-se “O Piano e suas Perspectivas”. Tenho entrevistado pianistas de toda América Latina com uma qualidade excecional e que todos devem conhecer, tocando músicas de compositores dos seus países, divulgando as suas culturas. Este programa tem sido um grande laboratório de aprendizagem para mim. Através dele, podemos investigar processos históricos, compreender identidades culturais e criar espaços de encontro. A arte frequentemente alcança lugares onde a diplomacia formal não consegue chegar.

Além da sua actuação na EMAC-UFG, a Andréa preside à Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás e integra o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. De que forma estas frentes dialogam com a sua produção artística e académica?

Para mim, essas atividades são complementares. A música, a literatura, a história e a memória fazem parte de um mesmo universo cultural. Tanto na Academia Feminina de Letras e Artes como no Instituto Histórico e Geográfico, procuro contribuir para a preservação e a difusão do património cultural goiano e luso-brasileiro, dialogando permanentemente com as minhas atividades de pesquisa e performance artística.

Depois desta distinção internacional, quais são os próximos projetos de investigação, concertos ou iniciativas culturais que pretende desenvolver no Brasil e no exterior?

Tenho dado continuidade a pesquisas relacionadas ao património musical e às expressões culturais do Cerrado brasileiro. Também estou envolvida em projetos de circulação internacional, concertos, publicações e intercâmbios entre Brasil, Portugal, Itália, México e outros países.

Qual a sua ligação a Portugal?

Portugal ocupa um lugar muito especial na minha trajetória. Além dos laços culturais e afetivos, mantenho relações académicas e artísticas com instituições portuguesas, participando regularmente em concertos, lançamentos, pesquisas e atividades culturais. Vejo Portugal como uma ponte natural entre diferentes espaços da lusofonia.

Em que projetos está envolvida neste momento, em Portugal ou em outros locais?

Atualmente, participo em projetos de pesquisa e divulgação do património musical luso-brasileiro, concertos e iniciativas de intercâmbio cultural. Entre eles, destacam-se atividades ligadas ao lançamento do Jornal de Modinhas, disco que ganhou o Global Music Awards no final de 2025, desenvolvido a partir do convite de Alberto Pacheco, diretor e investigador desse disco, além de projetos de circulação artística na Europa e na América Latina. Também com Alberto Pacheco, completamos 15 anos do nosso grupo “Academia dos Renascidos”, de divulgação da música luso-brasileira. Lançamos o disco Recitativos de Salão com apoio do Movimento Patrimonial da Música Portuguesa e este ano devemos gravar outro disco com concertos em Portugal no segundo semestre deste ano, com composições feitas especialmente para o grupo. Também participo num Festival na Itália há três anos e continuo neste projeto para fevereiro de 2027, além de outros concertos já agendados.

Por fim, quem é Andréa Luísa Teixeira?

Sou pianista, flautista, pesquisadora, professora e gestora cultural luso-brasileira. Natural de Goiânia, atuo como pianista da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás (EMAC-UFG) desde 1993. Mestre em Música pelo Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro, desenvolvo pesquisas nas áreas de património musical, memória cultural, identidade, performances culturais e tradições do Cerrado brasileiro. A minha trajetória artística e académica é marcada pela integração entre pesquisa, ensino, extensão universitária e atividade concertística. Fui premiada em 18 concursos nacionais no Brasil e internacionais de piano, apresentei-me em importantes salas de concerto das Américas, Europa e Ásia, incluindo o Carnegie Hall, em Nova Iorque; o Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa; o Conservatório Nacional de Música da Cidade do México; o Venetian Theater, em Macau; e o Wiener Saal, em Salzburgo. Como pesquisadora, coordenei projetos de documentação e salvaguarda do património musical brasileiro, destacando-se a série fonográfica Sons do Cerrado, desenvolvida em parceria com o pesquisador Altair Sales Barbosa, dedicada ao registo de manifestações tradicionais do Centro-Oeste brasileiro, com 13 discos e um DVD lançados. Sou idealizadora e coordenadora do programa de entrevistas internacional O Piano e suas Perspectivas, como projeto de extensão da Universidade Federal de Goiás que reúne músicos, pesquisadores e instituições de diversos países em entrevistas, debates e atividades de difusão artística.

Também sou Diretora Artística das séries de concertos Diálogos Musicais e Encontros de Música e Fé, realizadas na Cidade de Goiás, promovendo encontros entre artistas e comunidades locais. Atualmente, presido à Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás (AFLAG), integro o Conselho Estadual de Cultura de Goiás, sou Diretora de Artes da Sociedade da Excelência Luso-Brasileira e participo em instituições voltadas à preservação da memória e da cultura brasileira, atuando na promoção das artes, da literatura e do património cultural. A minha carreira combina excelência artística, produção académica e compromisso com a valorização da cultura luso-brasileira. Em 2026, recebi no México o título de Doutora Honoris Causa pelo Claustrum Doctoralis Internacional para a Ciência, as Artes e a Cultura, distinção concedida por instituições académicas mexicanas em reconhecimento à minha contribuição para a música, a educação, a pesquisa e o intercâmbio cultural internacional.

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