
A Associação Internacional dos Lusodescendentes (AILD) anunciou uma iniciativa destinada à criação oficial do “Dia do Lusodescendente”, tendo para o efeito solicitado audiências à Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e aos grupos parlamentares da Assembleia da República Portuguesa, com o objetivo de sensibilizar os partidos políticos para o reconhecimento desta efeméride.
A proposta surge no contexto da valorização das comunidades de origem portuguesa espalhadas pelo mundo, mas procura distinguir a realidade dos lusodescendentes da experiência tradicional da emigração portuguesa.
Neste sentido, a associação sublinha que a proposta não pretende substituir o “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”, celebrado anualmente a 10 de junho, defendendo antes o reconhecimento de uma realidade identitária distinta associada às novas gerações da diáspora.
Através de um comunicado enviado às redações, ao qual a Agência Incomparáveis teve acesso, a AILD argumenta que os filhos, netos e bisnetos de emigrantes portugueses desenvolveram uma identidade própria, construída a partir da ligação simultânea aos países onde nasceram e às suas raízes familiares portuguesas.
De igual modo, a associação considera que a criação do “Dia do Lusodescendente” permitiria reconhecer a dimensão global desta comunidade, composta por milhões de pessoas de origem portuguesa que mantêm laços culturais, linguísticos e afetivos com Portugal, apesar de viverem fora do território nacional há várias gerações.
Entre os objetivos apontados pela associação está também a promoção do ensino do português como língua de herança junto das novas gerações, bem como o reforço da ligação à cultura portuguesa e à memória das comunidades emigrantes que contribuíram para a presença internacional do país.
A organização defende igualmente que os lusodescendentes constituem um ativo estratégico para Portugal, devido à sua presença em áreas como a ciência, a economia, a diplomacia, a cultura e o empreendedorismo, funcionando frequentemente como pontes de ligação entre Portugal e os países onde estão integrados.
Na visão de Gilda Pereira, presidente da Direção da AILD, “os lusodescendentes são a projeção global e o futuro de Portugal no mundo”.
“Chamar-lhe dia ‘nacional’ seria uma contradição para uma comunidade cuja vivência é, por definição, global e transnacional”, acrescentou.
A responsável referiu ainda que a associação vai solicitar audiências parlamentares “convicta de que os deputados – em especial os eleitos pela Emigração – reconhecerão a urgência de valorizar esta imensa rede que une Portugal ao mundo”.
A AILD conclui reiterando o envolvimento das associações da diáspora portuguesa e da sociedade civil na defesa da proposta, considerando que o reconhecimento oficial do “Dia do Lusodescendente” poderá constituir um passo importante na valorização das novas gerações de portugueses e luso-descendentes espalhadas pelos vários continentes. ■




