Portugal: Feira do Livro do Porto celebra Inês Lourenço com programação reforçada e aposta em autores internacionais

13.ª edição da Feira do Livro do Porto presta homenagem à poetisa portuense Inês Lourenço e apresenta mais de 200 iniciativas que cruzam literatura, música, teatro e pensamento, reforçando a presença de autores internacionais e a reflexão sobre os grandes desafios contemporâneos

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Apresentação da programação do certame literário na cidade Invicta decorreu nos Jardins do Palácio de Cristal. Foto: divulgação/Município do Porto
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A Câmara Municipal do Porto apresentou, esta quarta-feira, 22 de julho, nos Jardins do Palácio de Cristal, a programação oficial da 13.ª Feira do Livro do Porto, que decorrerá entre os dias 21 de agosto e 6 de setembro, reunindo mais de duas centenas de atividades e homenageando a poetisa portuense Inês Lourenço, numa edição que reforça a dimensão internacional do certame e consolida o seu papel como um dos principais acontecimentos literários do país.

Ao longo de 17 dias, o festival integrará 21 conversas, 20 concertos, sete mesas-redondas, sete sessões especiais, cinco iniciativas em diálogo, seis espetáculos, três exposições, uma intervenção mural, 83 atividades destinadas a bebés, crianças, jovens e famílias, além de diversas apresentações de livros. 

O recinto contará também com 140 pavilhões ocupados por editoras, livreiros e alfarrabistas, transformando, uma vez mais, os Jardins do Palácio de Cristal num espaço privilegiado de encontro entre leitores, escritores, editores e agentes culturais.

Entre as principais novidades desta edição destaca-se o reforço da presença de autores internacionais. O poeta e jornalista palestiniano Mohammed El Kurd participará num dos ciclos de conversa dedicados ao papel da escrita como forma de resistência, integrando uma programação que contará ainda com a presença da poeta franco-marroquina Rim Battal, da escritora Tatiana Salem Levy, do escritor Rui Lage, da encenadora espanhola Angélica Liddell, do músico Dino D’Santiago e do maestro Martim de Sousa Tavares, entre outros convidados nacionais e estrangeiros.

A homenagem a Inês Lourenço estender-se-á ao longo de vários dias e ultrapassará a tradicional atribuição de uma tília com o seu nome. A obra da poeta será revisitada através de debates, leituras públicas, interpretações por atores, coreografias, recriações cénicas e outras propostas artísticas, culminando com a exposição “Na Lâmina Implacável do Tempo”, com curadoria de Rita Roque, patente na Biblioteca Municipal Almeida Garrett até 7 de novembro.

Presente na apresentação da programação, Inês Lourenço manifestou a satisfação por ver a poesia assumir o lugar central desta edição da Feira do Livro do Porto, defendendo que este género literário, apesar de produzir menos sucessos editoriais, possui uma capacidade singular de condensar, em poucas linhas, a intensidade narrativa e emocional de centenas de páginas de ficção. 

“A poesia tem essa virtualidade de uma pessoa ficar enriquecida só de ler um poema”, frisou.

Durante a sessão, o vereador da Cultura e Património da Câmara Municipal do Porto, Jorge Sobrado, descreveu esta edição como “uma feira feita por mulheres”, explicando que a programação procurará refletir sobre temas como a guerra, a violência de género, a criação artística no feminino, a resistência através da escrita, o crescimento dos populismos, o poder da leitura e da participação cívica, assumindo uma forte componente de reflexão sobre o mundo contemporâneo.

A programadora Teresa Coutinho destacou, por sua vez, o crescimento da programação infantojuvenil, bem como a criação de um programa noturno no histórico Pinguim Café, que passará a acolher leituras, encontros e outras iniciativas literárias após o encerramento diário da feira. 

No plano musical, a Concha Acústica receberá concertos de Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves (Clã), Janeiro, Tatanka, Mimi Froes, Miguel Marôco, Frankie Chavez, Peixe, Lena d’Água e Benjamim, enquanto a programação editorial incluirá, entre outros momentos, a apresentação de “Amor de Perdição – O Sublime Camiliano”, de Tânia Furtado Moreira.

Na intervenção de encerramento da apresentação, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, considerou que a Feira do Livro constitui uma das instituições culturais mais marcantes da cidade, salientando que o certame faz parte da memória coletiva de várias gerações de portuenses e continua a afirmar-se como um espaço de descoberta, diálogo e valorização da literatura.

“O significado da Feira do Livro, para qualquer cidadão do Porto, é muito especial. A Feira do Livro é uma instituição da cidade, quer queiramos quer não, e é de tal forma abrangente que nos traz memórias de infância”, enfatizou. 

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