“Quando damos voz aos portugueses no estrangeiro, enriquecemos a nossa democracia”, defende Flávio Alves Martins

Antigo deputado do PSD eleito pela emigração pelo círculo de Fora da Europa na XVI Legislatura considera que os portugueses residentes no estrangeiro devem voltar a ocupar um lugar central na estratégia do PSD, defendendo uma maior proximidade política, diálogo permanente e valorização efetiva das comunidades espalhadas pelo mundo

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Flávio Alves Martins durante o 43.º Congresso Nacional do Partido Social Democrata. Foto: divulgação/PSD TV
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No âmbito do 43.º Congresso Nacional do Partido Social Democrata (PSD), realizado nos dias 20 e 21 de junho, em Anadia, no distrito de Aveiro, no centro de Portugal, Flávio Alves Martins, antigo deputado do PSD eleito pela emigração pelo círculo de Fora da Europa na XVI Legislatura (2024-2025), defendeu um reforço da ligação do partido às comunidades portuguesas.

Na sua intervenção, este responsável sublinhou a importância histórica das comunidades portuguesas para o PSD e apelou a uma maior proximidade do partido aos emigrantes e lusodescendentes.

“O PSD sempre foi o partido mais próximo das nossas comunidades no estrangeiro e estas devem ser valorizadas. Para isso, é necessário que o PSD esteja mais presente por meio de diálogo permanente com nossas estruturas e com os cidadãos que vivem na diáspora”, começou por referir, além de destacar a dimensão eleitoral das comunidades portuguesas e o crescimento da sua participação nos atos eleitorais.

“Recordamos que há mais de 1.700.000 eleitores em ambos os círculos, Europa e fora da Europa, e em números absolutos ou proporcionais, é indiscutível o aumento da participação eleitoral das comunidades. Por isso, esse importante ativo eleitoral, cidadão, não pode ser esquecido nem desperdiçado”, alertou.

Ao abordar a evolução da relação entre o PSD e os eleitores residentes fora de Portugal, o dirigente considerou que o partido deve assumir responsabilidades e agir para recuperar a confiança que foi perdendo ao longo da última década.

“Não nos iludamos, caberá ao próprio PSD, partido que sempre teve nas comunidades um esteio, tomar medidas necessárias e urgentes para retomarmos a maioritária confiança das comunidades, o que não ocorre desde 2015, última eleição legislativa em que tivemos três dos quatro deputados”, observou.

Na sua análise, a perda de influência junto da diáspora resultou de problemas internos que acabaram por afastar o partido da posição dominante que ocupava.

“De lá para cá, perdemos por divisões internas e falhas no processo da organização, o protagonismo que havia”, reconheceu.

Como resposta, advogou uma estratégia assente na experiência das estruturas locais e dos militantes que vivem fora do país.

“Por conseguinte, com a experiência das nossas secções e de quem vive no estrangeiro, propomos retomar a maioritária confiança dos compatriotas no estrangeiro com uma efetiva aproximação e trabalhar em conjunto com o PSD Madeira e com o PSD Açores para reconquistarmos as comunidades”, afirmou.

“Portugal se prolonga muito para além das suas fronteiras geográficas”

Ao longo do discurso, Flávio Martins procurou reforçar a ideia de que Portugal se prolonga muito para além das suas fronteiras geográficas, através das comunidades espalhadas pelo mundo.

“Portugal não termina nas suas fronteiras geográficas. Portugal vive e cresce em cada comunidade portuguesa espalhada pelo mundo, em cada imigrante que leva consigo a nossa língua, os nossos valores e o nosso orgulho nacional”, sustentou, realçando o papel desempenhado pelos portugueses e lusodescendentes na afirmação da identidade nacional além-fronteiras.

“Milhões de portugueses e lusodescendentes mantém uma ligação profunda à sua origem, à sua ancestralidade. Cidadãos empenhados que todos os dias contribuem para projetar a Portugalidade além-fronteiras”, salientou.

Recordando a relação histórica do PSD com a diáspora, Flávio Martins frisou que o partido deve renovar esse compromisso.

“O PSD sempre reconheceu esta realidade. Foi o partido que mais se aproximou das comunidades portuguesas, que mais as ouviu, que mais acreditou em seu papel para o desenvolvimento do país. Mas hoje temos o dever de renovar esse compromisso”, frisou.

Martins evidenciou ainda que o aumento da participação eleitoral demonstra a vontade dos portugueses residentes no estrangeiro de terem uma voz ativa nas decisões nacionais.

“A participação eleitoral tem vindo a crescer e demonstra que os compatriotas no estrangeiro querem ser ouvidos, participar e contribuir para as decisões que moldam o futuro nacional ou regional”, assinalou, defendendo que chegou o momento de reforçar a relação entre o PSD e a diáspora.

“Está na hora de dar um novo passo, reforçar a confiança das comunidades no PSD, valorizar quem nunca deixou de acreditar em Portugal, reconhecer que os portugueses no estrangeiro são uma parte essencial da nossa nação e têm o que dizer ao partido”, sustentou.

Como proposta concreta, apelou à criação de uma estratégia permanente de relacionamento político com as comunidades portuguesas.

“Por isso, defendemos uma estratégia permanente do PSD e do governo às comunidades portuguesas, assente um diálogo permanente numa maior presença política e numa valorização efetiva”, disse.

Na sua perspetiva, aquilo que as comunidades reclamam não são benefícios especiais, mas sim reconhecimento institucional e político.

“As comunidades não pedem privilégios, pedem reconhecimento, respeito, representação e merecem tudo isso”, considerou.

Flávio Martins entende ainda que o PSD tem uma oportunidade para voltar a assumir-se como principal referência política entre os portugueses residentes no estrangeiro.

“O PSD no continente ou nas regiões autónomas deve perquirir a oportunidade histórica para voltar a ser a maioritária referência política dos portugueses espalhados pelo mundo. Para isso, é necessário ouvir mais, estar mais presente e construir essa relação de confiança duradoura, sem soluções prontas”, argumentou.

Na reta final da intervenção, associou diretamente a valorização das comunidades ao fortalecimento de Portugal e da própria democracia.

“O futuro de Portugal constrói-se em território nacional, mas constrói-se também em tantos lugares, mundo afora onde bate um coração português”, enfatizou, acrescentando que a participação da diáspora constitui um fator de enriquecimento nacional.

“Quando fortalecemos as comunidades, fortalecemos Portugal. Quando damos voz aos portugueses no estrangeiro, enriquecemos a nossa democracia. Quando valorizamos quem nunca esqueceu a sua pátria, estamos a honrar a melhor tradição social-democrata e o legado de Sá Carneiro”, declarou.

A concluir, deixou um apelo à valorização das comunidades portuguesas enquanto parte integrante do projeto nacional.

“É o momento de agir, de unir, de devolver às comunidades o lugar central que merecem no projeto nacional, porque Portugal é maior do que o seu território. Portugal é uma nação global e as comunidades uma das suas maiores forças”, finalizou.

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