
O Observatório da Emigração e o Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do Iscte – Instituto Universitário de Lisboa publicaram, neste mês de julho de 2026, o livro “Integração e regresso na emigração portuguesa”, organizado por Inês Vidigal, Jorge Malheiros, Daniela Craveiro e Idalina Machado, reunindo cinco estudos resultantes de teses de doutoramento desenvolvidas entre 2018 e 2023 sobre integração, mobilidade e regresso dos emigrantes portugueses.
A nova publicação integra a coleção “Estado da Emigração”, dedicada à divulgação de investigação científica sobre os movimentos migratórios portugueses, e apresenta uma visão aprofundada de duas das principais dimensões da experiência migratória: a integração nos países de destino e o regresso a Portugal.
Com 130 páginas e disponível em formato digital, o volume é organizado por Inês Vidigal, investigadora do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-Iscte); Jorge Malheiros, investigador do Centro de Estudos Geográficos do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa (IGOT-UL); Daniela Craveiro, investigadora do Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações (SOCIUS/CSG), do ISEG – Universidade de Lisboa; e Idalina Machado, investigadora do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Na introdução, os coordenadores defendem que a emigração deve ser entendida como um processo dinâmico e multifacetado, sublinhando que a integração não se limita ao acesso ao mercado de trabalho ou ao rendimento, mas envolve igualmente dimensões sociais, culturais, linguísticas e identitárias.
O regresso, acrescentam, é igualmente apresentado como parte integrante dos percursos migratórios, frequentemente marcado por mobilidades sucessivas e por múltiplos sentimentos de pertença.
Após a introdução, o livro reúne quatro capítulos, cada um dedicado a um trabalho de investigação que reflete uma realidade distinta da emigração portuguesa contemporânea.
O primeiro estudo, da autoria de Liliana Azevedo e Dora Sampaio, analisa o regresso numa fase avançada da vida, estabelecendo uma comparação entre emigrantes açorianos regressados da América do Norte e emigrantes portugueses com percursos ligados à Suíça.
O trabalho aborda as decisões de regresso após a reforma, as mobilidades transnacionais, a construção da ideia de “casa” e as ambivalências que caracterizam o retorno numa fase mais tardia da vida.
Segue-se o capítulo de Pedro Candeias, dedicado à integração laboral dos portugueses na Alemanha. Através de entrevistas e questionários, o investigador identifica diferentes perfis de inserção profissional, distinguindo entre emigrantes altamente qualificados que chegam ao país com emprego previamente assegurado e aqueles que apenas procuram trabalho depois da chegada, evidenciando aquilo que designa como uma “integração a duas velocidades”.
A realidade suíça é analisada por Maria Carolina Pinto, que centra a investigação nos novos fluxos migratórios portugueses para o cantão de Zurique. O estudo apresenta a integração como um processo indissociável das redes familiares, sociais e digitais, das estruturas institucionais portuguesas e suíças e das experiências subjetivas vividas pelos próprios migrantes, mostrando que os percursos de integração são marcados por grande diversidade e constante adaptação.
O último capítulo, da autoria de João Baía, desloca o foco para o território de origem. Partindo de uma aldeia fronteiriça de Trás-os-Montes, o autor analisa as transformações sociais produzidas por várias décadas de migração internacional e interna, explorando a forma como as redes de sociabilidade translocais continuam a ligar os emigrantes às comunidades de partida e a influenciar a organização económica e social dos territórios de origem.
Segundo os autores, o conjunto destes estudos permite compreender melhor a evolução recente da emigração portuguesa, oferecendo uma leitura abrangente sobre os desafios da integração, os fatores que condicionam o regresso e a forma como as migrações continuam a transformar simultaneamente os países de acolhimento e as comunidades portuguesas de origem. ■






