
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do Brasil divulgou os dados atualizados do eleitorado brasileiro residente em Portugal para as eleições presidenciais de 2026, revelando um novo máximo histórico de 134.797 eleitores inscritos, distribuídos por três cidades portuguesas, em função dos três Consulados ativos no país (Lisboa, Porto e Faro).
O número representa um aumento acumulado de 481,5% relativamente a 2010 e coloca Portugal como o segundo maior colégio eleitoral brasileiro no exterior, apenas atrás dos Estados Unidos da América, que registam 265.437 eleitores, e à frente de países como o Japão (88.366) ou o Canadá (46.488).
Os dados do TSE evidenciam a evolução contínua do crescimento do eleitorado brasileiro residente em Portugal ao longo das últimas cinco eleições presidenciais. Em 2010 estavam inscritos 23.182 eleitores, número que aumentou para 30.910 em 2014, 39.118 em 2018, 80.896 em 2022 e atinge agora os 134.797 eleitores em 2026.
No conjunto das eleições no exterior, o Brasil contabiliza 918.876 eleitores inscritos, distribuídos por 186 cidades (Consulados), em 134 países, sendo Portugal responsável por cerca de 14,7% de todo o eleitorado brasileiro residente fora do território nacional.
Perfil do eleitorado brasileiro em Portugal
Segundo o TSE, o eleitorado brasileiro residente em Portugal apresenta uma predominância feminina. As mulheres representam 57% dos inscritos, correspondendo a cerca de 76 mil eleitoras, enquanto os homens representam 43%, aproximadamente 58 mil eleitores.
No estado civil, predominam os solteiros (59%), seguindo-se os casados (34%), os divorciados (6%) e os viúvos (1%), sendo residual a percentagem de pessoas judicialmente separadas.
Relativamente à escolaridade, destaca-se um perfil académico elevado. 33% dos eleitores concluíram o ensino secundário, 30% possuem ensino superior completo e 12% frequentaram o ensino superior sem o concluir. Os restantes distribuem-se entre ensino secundário incompleto (15%), ensino básico completo (6%), ensino básico incompleto (4%) e apenas 1% declara saber apenas ler e escrever, enquanto a taxa de analfabetismo é praticamente inexistente.
A estrutura etária demonstra também um eleitorado maioritariamente em idade ativa. Os grupos entre 30 e 34 anos, 35 e 39 anos, 40 e 44 anos e 45 e 49 anos concentram a maior parte dos eleitores, seguindo-se as faixas dos 25 aos 29 anos e dos 50 aos 54 anos, refletindo o perfil predominante da imigração brasileira em Portugal durante a última década.
Evolução da participação eleitoral
Os dados mais recentes disponíveis sobre o comparecimento eleitoral correspondem às eleições presidenciais de 2022, quando Portugal registava 80.709 eleitores inscritos, distribuídos por 104 secções eleitorais, apoiadas por 363 mesários.
Nesse sufrágio participaram 37.501 eleitores, correspondendo a uma taxa de comparecimento de 46,46%, enquanto a abstenção atingiu 43.208 eleitores (53,54%).
Apesar de elevada, a abstenção registou uma melhoria significativa face aos atos eleitorais anteriores. Em 2010 situava-se nos 65,11%, subiu para 65,87% em 2014, reduziu-se ligeiramente para 64,26% em 2018 e caiu para 53,54% em 2022, traduzindo uma diminuição acumulada de 11,57 pontos percentuais.
Na segunda volta das eleições presidenciais brasileiras de 2022, os votos válidos em Portugal distribuíram-se maioritariamente por Luiz Inácio Lula da Silva, que obteve 64%, enquanto Jair Bolsonaro reuniu 36% dos votos válidos. Dos boletins depositados nas urnas, 96,90% corresponderam a votos válidos, 1,59% a votos em branco e 1,51% a votos nulos.
Com um eleitorado em crescimento contínuo, níveis elevados de escolaridade e uma presença cada vez mais expressiva no universo dos brasileiros residentes no estrangeiro, Portugal reforça o seu papel como um dos principais centros da participação democrática da diáspora brasileira nas eleições presidenciais de 2026. ■






