
O consultor imobiliário português, António Carlos, defende que a Beira Interior, localizada na Região Centro de Portugal, atravessa um período de “forte crescimento económico e imobiliário”, sustentando que a região reúne atualmente “condições para atrair novos investidores nacionais e estrangeiros, fixar população e consolidar um modelo de desenvolvimento assente na qualidade de vida, na inovação e na valorização do território”.
As declarações foram prestadas à Agência Incomparáveis no âmbito de mais uma edição da Feira de São Tiago, que decorreu entre os dias 16 e 26 de julho, na Covilhã, sendo considerada um dos mais antigos certames populares de Portugal. Com origens medievais e realizada anualmente na “Cidade Neve”, a feira conjuga tradição, atividade económica, comércio, gastronomia, animação cultural e divulgação empresarial, constituindo um dos principais momentos de promoção do município e da Beira Interior.
Para António Carlos, o crescimento alcançado ao longo dos últimos anos representa o cumprimento dos objetivos que traçou quando iniciou o seu percurso no setor imobiliário. O empresário considera que o reconhecimento conquistado resulta da proximidade com a comunidade e da capacidade de apoiar não apenas compradores e vendedores, mas também iniciativas locais e projetos de desenvolvimento regional. Segundo explicou, esse envolvimento tem permitido “consolidar a sua presença em vários concelhos da Beira Interior e alargar a atividade além-fronteiras”.
“O meu sentimento é de promessa cumprida, promessa conquistada e é isto que eu faço. Aquilo que eu cumpro, para mim, é glorioso, na medida em que as pessoas sentem a satisfação, tal como eu, de todo o trabalho que nós temos feito, no fundo, por uma comunidade que é grande, não só pela Covilhã, Belmonte, Fundão, Manteigas, tenho feito um trabalho de divulgação e de ação”, descreveu este consultor, que acrescentou que esse reconhecimento se reflete igualmente na confiança demonstrada por clientes nacionais e internacionais.
“Nós estamos a conquistar não só cada cidade do país, mas inclusive outros países. Há muitos países que vêm diretamente ter comigo, já, com a minha equipa, para fazermos a venda do imóvel deles, para comprar um imóvel, para um desenvolvimento turístico”, revelou.
A procura internacional e a transformação da habitação impulsionam o “crescimento da região”
Além da procura nacional, António Carlos frisa que o mercado imobiliário da Beira Interior está também a captar investidores estrangeiros, “nomeadamente do Brasil, França, Israel e espanhóis”.
Na perspetiva deste profissional, esta procura resulta de uma tendência que antecipou ainda durante a pandemia, quando defendeu publicamente que Portugal se tornaria “um dos destinos mais procurados da Europa e do mundo”.
“Se voltarmos seis anos atrás, por exemplo, em plena pandemia de Covid-19, publiquei um vídeo nas redes sociais e disse, publicamente, que Portugal pós-pandemia iria ser um dos países mais procurados, não só da Europa, como do mundo. Isto está a acontecer”, recordou, considerando que a segurança, a qualidade de vida e o potencial de crescimento do Interior português explicam esse interesse crescente. Ao justificar essa convicção, destacou que a Beira Interior reúne condições que a tornam “particularmente competitiva” para quem procura investir ou fixar residência.
“Somos um país seguro e o Interior estava a precisar e estava com a escassez de pessoas que queiram, no fundo, fixar aqui residência, aumentar a taxa de natalidade e criar algo de novo”, sustentou.
No caso específico da Covilhã, António Carlos entende que a cidade reúne hoje vários fatores diferenciadores, apontando a saúde, o ensino superior e a localização como elementos determinantes para o crescimento do mercado imobiliário.

“Neste momento já temos cinco hospitais na cidade da Covilhã, temos a Universidade, que é um grande motor de desenvolvimento da região, e daí nós sabemos perfeitamente que a Covilhã, neste momento, é a cidade mais cara do Interior e a mais procurada”, referiu.
Este especialista avalia que esse crescimento se reflete, de igual modo, na transformação do setor da construção, que tem vindo a adaptar-se à falta de mão de obra especializada através da aposta em métodos construtivos mais rápidos e industrializados. Na sua opinião, as habitações pré-fabricadas e as construções em aço leve deverão assumir um papel “cada vez mais relevante nos próximos anos”.
“Os pré-fabricados ou as construções de aço leve estão a chegar e em seis meses a construção está pronta a habitar”, explicou, acrescentando que esta evolução representa uma “resposta direta às necessidades atuais do setor”.
“Este será o futuro, porque o problema da mão de obra é grave. Nós não temos mão de obra qualificada para poder trabalhar na construção civil (…). Estes pré-fabricados já trazem kits completos, é só montar”, salientou.
Valorização dos imóveis e falta de oferta mantêm mercado em crescimento
Apesar do aumento significativo dos preços da habitação, António Carlos rejeita a ideia de que exista uma bolha imobiliária na Covilhã. Para o consultor, a procura continua a superar a oferta disponível e o ritmo de construção permanece insuficiente para responder às necessidades do mercado. Na sua visão, a cidade continua a expandir-se para novas zonas, sobretudo junto ao Hospital Pêro da Covilhã e em áreas com melhores acessibilidades, acompanhando o crescimento da população e da procura por habitação.
“Não há ainda construção suficiente para a Covilhã. A Covilhã ainda continua a construir, ainda continua a expandir e cada vez mais está a crescer junto ao hospital e zonas com melhores acessos”, vincou, sem deixar de mencionar que “a valorização dos imóveis resulta de uma tendência sustentada ao longo dos últimos anos e não de um fenómeno especulativo”. Para ilustrar essa evolução, recordou vários negócios concretizados ao longo da carreira.
“Eu já tenho vendido imóveis em vários locais do país (…) todas as moradias que eu vendi dobraram o valor. Há moradias que eu já vendi três e quatro vezes e, no espaço de oito, nove anos, o valor dobrou”, exemplificou.
Entre os vários casos, destacou um apartamento vendido junto ao “Serra Shopping”, cujo valor praticamente duplicou.
“Eu recordo, por exemplo, apartamentos que eu vendi T3 há nove anos, junto ao “Serra Shopping”, na altura por 120 mil euros, já vendi agora por 249 mil”, revelou. Razão que leva António a considerar que o imobiliário “continua a ser uma das aplicações financeiras mais seguras”.
“No mercado imobiliário, cada vez mais, sabemos que o dinheiro está sempre seguro. Aliás, não há nada que consiga ter tanto rendimento, neste momento, como qualquer empresário a investir no mercado imobiliário”, disse, reconhecendo que “a procura por imóveis destinados ao arrendamento também tem aumentado de forma significativa, acompanhando uma mudança no perfil das novas gerações”. Para ele, muitos investidores concentram atualmente os seus investimentos em edifícios destinados exclusivamente ao mercado de arrendamento.
“Há 50% dos investidores que já estão a comprar imóveis para arrendamento”, indicou.
Ao mesmo tempo, observa que também muitos jovens optam por arrendar em vez de comprar casa, privilegiando estilos de vida mais flexíveis.
“Há uma boa parte da sociedade, com 25, 30 anos, que já não quer comprar apartamento, quer arrendar”, afirmou. Ainda assim, entende que adquirir habitação própria continua a representar uma “decisão financeiramente mais vantajosa” e uma “garantia de estabilidade para o futuro”.
O empresário, que lidera uma equipa que leva o seu nome, acredita igualmente que a atratividade da Beira Interior “continuará a crescer” devido à conjugação entre “qualidade de vida, localização e acessibilidade”.
“Nós temos aqui nesta região, além de qualidade de vida, boas ligações (…), estamos a duas horas do mar, a duas horas e meia de Lisboa, a duas horas e quinze minutos do Porto, estamos a 40 minutos de Espanha (…) e a qualidade de vida, a qualidade das águas, do ar, de tudo, vale a pena. É impagável mesmo”, concluiu.
Infraestruturas, financiamento e novas gerações moldam o futuro do mercado imobiliário
Embora considere que a Beira Interior reúne condições para continuar a crescer, António Carlos entende que existem infraestruturas fundamentais que continuam por concretizar. Entre elas, destaca a necessidade de um aeroporto regional que permita reforçar a ligação do Interior aos principais centros nacionais e internacionais.
Na sua opinião, “é uma grande pena aqui não haver um aeroporto”, até porque essa infraestrutura representaria um impulso determinante para a atração de empresas, estudantes e investimento estrangeiro.

O consultor considera que a proximidade a uma infraestrutura aeroportuária constitui um dos principais fatores valorizados pelos investidores internacionais, uma vez que “os empresários querem estar a 60 ou 80 quilómetros desviados do aeroporto mais próximo”.
Por essa razão, defende que o país deveria apostar num aeroporto no Interior, apontando Castelo Branco como uma localização estratégica.
“Portugal deveria pensar em algo mais próximo, nem que fosse Castelo Branco. No Interior, cada vez mais devemos criar as condições para um aeroporto com capacidade para que os desenvolvimentos continuem”, defendeu, sublinhando que a procura pela Beira Interior continuará a crescer, sobretudo devido à diferença de qualidade de vida relativamente ao litoral.
“As pessoas preferem viver aqui com menos dinheiro, mas terem mais qualidade de vida”, adiantou.
Ao abordar o acesso à habitação, António Carlos elogiou as medidas de financiamento do Governo do primeiro-ministro português Luís Montenegro dirigidas aos jovens compradores da primeira casa, enfatizando que representam um “incentivo importante para estimular o investimento e facilitar a emancipação das novas gerações”.
De acordo com a sua explicação, a possibilidade de financiamento a 100% veio responder a uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos jovens, até porque, na sua perspetiva, “a aquisição de habitação própria continua a representar uma decisão financeiramente mais vantajosa do que recorrer ao mercado de arrendamento”.
“Aquilo que eles dão de amortização mensalmente é inferior à renda que eles vão pagar”, sustentou, defendendo, ao mesmo tempo, que a “educação financeira deveria começar mais cedo, permitindo que os jovens compreendessem a importância da poupança e do investimento”.
“Era bom que cada vez mais o Governo incutisse nas escolas algo que não se ensina às crianças: saber que as pequenas economias (…) podem fazer uma grande economia ao fim de dez anos”, observou.
Questionado sobre o investimento imobiliário, António Carlos voltou a frisar que continua a ser a opção “mais segura” para quem pretende preservar e rentabilizar património, já que a diversificação dos investimentos permite reduzir riscos e aumentar a segurança financeira das famílias.
De igual modo, aconselha a privilegiar imóveis de menor dimensão, considerando que “os pequenos apartamentos, com perfis T0 ou T1, são os que são mais procurados”.
Segundo referiu, essa tendência acompanha a transformação das estruturas familiares e das necessidades habitacionais. Na sua análise, as casas deixaram de ser concebidas para acolher famílias numerosas e passaram a privilegiar funcionalidade, eficiência energética e menores custos de manutenção.
“Antigamente, havia muito o conceito de ter uma casa grande para receber a família toda. Isto terminou e, cada vez mais, existe o conceito dos T0, T1”, comentou. Para António Carlos, a própria Covilhã já acompanha essa evolução.
“Vemos que os T0 são os mais rápidos a alugar e são os mais rápidos que são vendidos. Os T1 também. E são os T1 que são vendidos caríssimos por metro quadrado aqui na cidade da Covilhã”, atestou.
Um dos protagonistas do mercado imobiliário da Beira Interior
António Carlos é consultor imobiliário e líder da “Equipa António Carlos” e agente na RE/MAX Start, na Covilhã, desenvolvendo a sua atividade sobretudo na Região das Beiras, onde se tornou uma das figuras mais reconhecidas do setor imobiliário.
Ao longo da carreira distinguiu-se pelo trabalho desenvolvido na promoção do mercado imobiliário da Covilhã, Belmonte, Fundão e restantes concelhos da Beira Interior, acompanhando centenas de operações de compra, venda e investimento.
O seu percurso foi sucessivamente reconhecido pela RE/MAX Portugal através de distinções como o “Hall of Fame”, “Diamond Balloon Club”, “Golden Club” e diversos prémios “Platinum”, atribuídos em função do desempenho comercial alcançado ao longo dos anos.
Em 2016, assumiu a liderança da sua própria equipa, apostando numa estratégia centrada na inovação, no marketing territorial e na internacionalização do mercado imobiliário da região.
Paralelamente à atividade de mediação, António Carlos tem desempenhado um papel ativo na promoção económica da Beira Interior junto de investidores estrangeiros. O seu trabalho tem contribuído para aproximar investidores internacionais da região, promovendo oportunidades ligadas ao imobiliário, ao turismo e à reabilitação urbana da Beira Interior. ■






