
A desflorestação registada desde 2001 na Bacia Amazónica pode ter causado uma perda estimada entre 12 mil milhões e 36 mil milhões de dólares em potenciais medicamentos. A conclusão é da Zero Carbon Analytics (ZCA), organização que investiga o clima.
A análise combinou mapas da biodiversidade vegetal com dados de satélite sobre a desflorestação, com o objetivo de estimar o valor dos compostos farmacêuticos que podem desaparecer antes de serem identificados e estudados.
Nas regiões tropicais analisadas, as perdas acumuladas podem representar 86 mil milhões de dólares em valor comercial para a indústria farmacêutica e 860 mil milhões de dólares em benefícios sociais relacionados com a saúde. Por outro lado, as florestas preservadas podem albergar substâncias com um valor farmacêutico estimado em até 1,2 mil milhões de dólares.
O jaborandi, arbusto das florestas brasileiras, ilustra este potencial. Da planta é extraída a pilocarpina, utilizada no tratamento do glaucoma e da secura da boca provocada pela radioterapia.
O levantamento aponta também para a participação limitada das grandes empresas farmacêuticas na conservação destes ambientes. Das 15 maiores empresas do setor, apenas duas anunciaram investimentos específicos na proteção da biodiversidade.
Caso o atual ritmo de desflorestação se mantenha, as perdas para a indústria poderão atingir 145 mil milhões de dólares até 2050. A interrupção da desflorestação até 2030 reduziria esse valor para cerca de nove mil milhões de dólares. Na COP26, realizada em 2021, mais de 140 países assumiram o compromisso de travar e reverter a perda florestal até ao final desta década.
O levantamento foi divulgado antes do SBI-7, reunião do órgão responsável por acompanhar a aplicação da Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica. O encontro começou no dia 4 e decorreu até 12 de agosto, em Nairobi, no Quénia. ■






