“Copa do Brasil”: Treinadores portugueses ocupam metade dos comandos técnicos nos quartos de final da competição

Abel Ferreira, Artur Jorge, Luís Castro e Pedro Emanuel estão entre os oito técnicos que continuam na competição, numa presença portuguesa que pode conduzir a umas meias-finais exclusivamente lusas

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Sorteio desta terça-feira ditou a possibilidade de haver meias-finais totalmente entre treinadores portugueses. Foto: divulgação/Confederação Brasileira de Futebol
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A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) sorteou esta terça-feira, 11 de agosto, na sua sede, no Rio de Janeiro, os confrontos dos quartos de final da “Copa do Brasil” de 2026, fase que reúne oito clubes da Série A e na qual quatro treinadores portugueses – Abel Ferreira (Palmeiras), Artur Jorge (Cruzeiro), Luís Castro (Grêmio) e Pedro Emanuel (Vasco) – representam metade dos técnicos ainda em competição.

Os quartos de final terão três clássicos estaduais e serão disputados em duas mãos, com os jogos de ida previstos para a semana de 26 de agosto e os de volta para a semana de 2 de setembro. As datas, os horários e os estádios de cada partida serão posteriormente definidos pela organização.

Neste sentido, o sorteio colocou o Grêmio frente ao Internacional, num clássico do Rio Grande do Sul, com a primeira mão no estádio do Internacional e a segunda no terreno do Grêmio. 

Por sua vez, o Cruzeiro enfrentará o Atlético-MG, num duelo mineiro, começando em casa e terminando no estádio do adversário.

No outro lado do quadro, o Vasco da Gama defrontará o Vitória, com o primeiro encontro no Rio de Janeiro e a decisão em Salvador. 

Por fim, o Palmeiras terá pela frente o Santos, num clássico paulista, com o primeiro jogo no Allianz Parque e a segunda mão na Vila Belmiro.

O vencedor de Grêmio-Internacional encontrará nas meias-finais o vencedor de Cruzeiro-Atlético-MG. Já quem superar Vasco-Vitória enfrentará o vencedor de Palmeiras-Santos. As meias-finais estão previstas para 1 e 13 de novembro, enquanto a final, disputada num único jogo, está marcada para 6 de dezembro.

A “Copa do Brasil” começou em fevereiro com 126 clubes e, depois de seis fases eliminatórias, chegou aos oito participantes da Série A. O Grêmio alcançou esta fase depois de eliminar Confiança e Mirassol; o Internacional afastou Athletic Club e Corinthians; o Cruzeiro eliminou Goiás e Chapecoense; e o Atlético-MG deixou pelo caminho Ceará e Juventude.

Do outro lado da chave, o Vasco eliminou Paysandu e Fluminense, o Vitória afastou Flamengo e Athletico, o Palmeiras superou Jacuipense e Fortaleza, enquanto o Santos eliminou Coritiba e Remo.

A passagem às quartas de final garantiu a cada clube mais quatro milhões de reais, elevando para nove milhões de reais o valor acumulado por cada uma das oito equipas. A presença nas meias-finais acrescentará outros nove milhões, enquanto o vice-campeão receberá 34 milhões e o vencedor da competição terá direito a 78 milhões de reais.

Sete anos de crescente influência portuguesa no futebol brasileiro

A presença de quatro portugueses nos quartos de final surge depois de uma trajetória iniciada com a chegada de Jorge Jesus ao Flamengo, em 2019, momento que marcou uma mudança na perceção dos clubes brasileiros sobre os treinadores estrangeiros. 

A conquista do Brasileirão e da Libertadores pelo técnico português abriu espaço para uma geração que encontrou no Brasil um mercado de elevada exigência e, simultaneamente, uma oportunidade para aplicar diferentes modelos de trabalho.

A influência portuguesa ganhou dimensão nos anos seguintes, com Abel Ferreira a tornar-se uma das principais referências dessa transformação. O treinador, hoje o mais titulado (11) da história do Palmeiras, chegou ao clube em outubro de 2020 e construiu um ciclo de continuidade pouco habitual no futebol brasileiro, assente no planeamento, na organização, na disciplina, na preparação dos jogos e na gestão do grupo. 

O seu percurso, com efeito, ajudou a consolidar a perceção de que os treinadores portugueses poderiam adaptar-se ao contexto brasileiro e competir ao mais alto nível.

Em 2026, este fenómeno atingiu uma expressão inédita no Brasileirão, com cinco treinadores portugueses à frente de clubes da Série A: Abel Ferreira, no Palmeiras; Leonardo Jardim, no Flamengo; Artur Jorge, no Cruzeiro; Luís Castro, no Grêmio; e Franclim Carvalho, no Botafogo. 

A presença simultânea dos cinco reforça a procura dos clubes brasileiros por profissionais associados a modelos de trabalho baseados em organização, processos, preparação tática, rigor e capacidade de gestão.

De igual modo, a tendência contrasta com a situação dos treinadores brasileiros, que têm perdido espaço nos principais clubes para técnicos estrangeiros, sobretudo portugueses. A discussão não se resume à nacionalidade, mas à procura por novas ideias num contexto marcado pela pressão imediata por resultados, ciclos curtos e reduzida margem para desenvolver projetos de longo prazo.

Na “Copa do Brasil”, essa influência pode ganhar uma dimensão ainda mais expressiva. Se Grêmio, Cruzeiro, Vasco e Palmeiras vencerem os respetivos confrontos, as duas meias-finais terão exclusivamente treinadores portugueses: Luís Castro defrontará Artur Jorge de um lado, enquanto Pedro Emanuel medirá forças com Abel Ferreira do outro.

O cenário depende dos resultados de agosto e setembro, mas a possibilidade evidencia a dimensão alcançada pela presença portuguesa no futebol brasileiro desde 2019, passando de uma experiência pontual, mas bem-sucedida, com Jorge Jesus para uma presença consolidada nos principais clubes e competições do país. ■

Dinis Gonçalves

Estágio curricular supervisionado

 

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