Câmara Portuguesa do Rio de Janeiro promoveu debate sobre oportunidades do acordo entre Mercosul e União Europeia

Encontro reuniu Câmaras de Comércio europeias e representantes de diferentes setores para analisar os impactos do acordo na energia, no equipamento industrial e no agronegócio, com destaque para investimento, competitividade e novas oportunidades de negócio

28
Sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro acolheu debate sobre oportunidades do acordo Mercosul-União Europeia. Foto: Câmara Portuguesa do Rio de Janeiro
- Publicidade -

A Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro promoveu, em parceria com as Câmaras de Comércio de França, Alemanha, Bélgica, Países Baixos, Itália e Luxemburgo, um encontro dedicado às oportunidades e perspetivas do acordo Mercosul-União Europeia, realizado na passada terça-feira, dia 25 de agosto, na sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), cerca de quatro meses após a entrada em vigor provisória do acordo.

A iniciativa reuniu empresários, especialistas e representantes das diferentes Câmaras de Comércio europeias e centrou-se em temas como competitividade, investimento, integração das cadeias produtivas, inovação e oportunidades de negócio, procurando analisar os impactos do novo enquadramento comercial e as possibilidades de aproximação entre empresas dos dois blocos.

Negociado ao longo de quase 30 anos, o acordo Mercosul-União Europeia abrange um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto de aproximadamente 22,4 biliões de dólares, constituindo uma das maiores zonas de comércio livre do mundo e o maior acordo comercial já celebrado pelo Mercosul.

Jean-Michel Lang, presidente da Câmara de Comércio França-Brasil do Rio de Janeiro (CCIFB-RJ), realçou a importância de transformar as oportunidades previstas no acordo em negócios, investimentos e parcerias concretas, acrescentando que a articulação entre as Câmaras de Comércio europeias do Rio de Janeiro reforça a importância de uma discussão conjunta num momento estratégico para as relações entre o Mercosul e a União Europeia.

Neste sentido, a energia foi um dos setores analisados durante o encontro, através de um painel moderado por Creuza Coelho, presidente da Câmara Portuguesa do Rio de Janeiro. A sessão contou com a participação de Sébastien Lahouste, da Fluxys, Marco Ristuccia, da FGV Europe, Adriano Pires, economista e sócio fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), e Frederico Pereira, diretor financeiro da Galp, empresa associada da Câmara Portuguesa.

Durante a discussão, os participantes consideraram que o acordo representa um avanço na aproximação entre os dois continentes, nomeadamente através de uma maior convergência jurídica e regulamentar. 

De igual modo, foi salientada a importância de políticas públicas adequadas para reforçar a segurança jurídica e criar condições mais favoráveis à entrada de investimento estrangeiro no Brasil.

O setor do equipamento industrial esteve também em análise, com o debate centrado na possibilidade de o acordo contribuir para uma mudança nos critérios de decisão dos consumidores. A discussão abordou a passagem de um mercado mais orientado pelo preço para uma maior valorização da qualidade e da longevidade dos equipamentos.

Pedro Becker, da Jungheinrich, apontou a possibilidade de os produtos europeus reforçarem a sua posição face à concorrência asiática, cujos preços podem ser, dependendo do produto, até 30% inferiores. O acordo estará já a ser utilizado como elemento em estratégias de negociação de contratos e poderá contribuir para facilitar o acesso a equipamentos com maior componente tecnológica.

O painel foi moderado por Victor Rocha, da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK Rio), e contou ainda com Tiago Moura, da FESTO, e Jens Hüren, da Everllence.

No agronegócio, o debate incidiu sobre a necessidade de aumentar a produtividade do setor brasileiro e sobre os desafios relacionados com a competitividade. Os participantes analisaram também a comparação entre os níveis de produção e eficiência do Brasil e os registados em países desenvolvidos.

A logística surgiu como um dos principais fatores de encarecimento das mercadorias, uma vez que as condições de transporte e distribuição não acompanham necessariamente os níveis de produção e eficiência alcançados pelo setor. Neste contexto, o acordo foi apresentado como um possível facilitador para a criação de novos negócios.

Os trâmites relacionados com as exportações para a União Europeia, os mecanismos destinados a reforçar a competitividade dos produtos europeus perante outros mercados e as oportunidades criadas pelo novo enquadramento comercial também fizeram parte da discussão.

O painel contou com Marcio Fortes como moderador, tendo participado Antonio Alvarenga, da Sociedade Nacional de Agricultura, e Guilherme Falcão, do Crédit Agricole, associado da CCIFB-RJ.

O encontro permitiu, assim, uma análise dos efeitos do acordo Mercosul-União Europeia em diferentes áreas da economia, colocando em discussão as oportunidades de expansão comercial e investimento, mas também os desafios relacionados com competitividade, produtividade, logística e adaptação às novas condições do mercado.

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.