Acordo Mercosul-União Europeia: Otacílio Soares apela a “ações concretas” para “transformar oportunidades em resultados”

Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira afirmou, durante o Fórum da Excelência Luso-Brasileira, que Portugal e Brasil devem assumir um papel estratégico na internacionalização das empresas

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Otacílio Soares, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB). Foto: Agência Incomparáveis
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O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB), Otacílio Soares, foi um dos intervenientes do painel dedicado ao tema “Acordo Mercosul-União Europeia: um oceano de oportunidades para a economia luso-brasileira”, integrado no 1.º Fórum da Excelência Luso-Brasileira, promovido, em formato online, pela Sociedade da Excelência Luso-Brasileira (SELB), no passado dia 15 de junho. O encontro reuniu personalidades dos meios académico, empresarial, cultural e institucional de Portugal e do Brasil e serviu de palco para uma reflexão sobre os desafios e oportunidades decorrentes do reforço das relações entre os dois blocos económicos.

Na intervenção subordinada ao tema “Cooperação empresarial luso-brasileira na prática”, Otacílio Soares defendeu que o novo enquadramento criado pelo acordo entre o Mercosul e a União Europeia deve ser acompanhado por iniciativas concretas capazes de gerar negócios, investimento e cooperação empresarial. Para este responsável, o acordo representa muito mais do que um instrumento comercial, constituindo uma oportunidade para criar uma verdadeira plataforma de internacionalização entre a Europa e a América do Sul.

Na sua perspetiva, a concretização deste potencial dependerá da capacidade das instituições e do setor privado em transformar afinidades históricas, culturais e linguísticas em projetos empresariais sustentáveis. Otacílio Soares reconheceu a existência de desafios de natureza regulamentar, logística e operacional, mas considerou que estes poderão ser ultrapassados através de uma ação coordenada entre governos, associações empresariais e entidades vocacionadas para a promoção do comércio internacional.

Neste contexto, destacou o papel desempenhado por instituições como a ApexBrasil e a Fecomércio, no Brasil, bem como da própria Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, entidade que preside e que tem vindo a promover a aproximação permanente entre os mercados português e brasileiro, criando oportunidades de investimento, facilitando contactos empresariais e incentivando uma cooperação económica baseada em relações de confiança e proximidade.

A intervenção refletiu igualmente o percurso profissional do dirigente. Economista e mestre em Finanças, Otacílio Soares possui experiência internacional no mercado financeiro e desenvolve atividade empresarial nas áreas da gestão de recursos, alimentos e bebidas, distribuição e construção. Integra ainda organismos ligados ao mercado financeiro brasileiro e internacional e faz parte da direção da Young Presidents Organization (YPO), organização que reúne cerca de 30 mil dos principais empresários do mundo, reforçando a sua ligação às redes internacionais de liderança e empreendedorismo.

Ao defender que o acordo Mercosul-União Europeia deve ser encarado como uma oportunidade estratégica de longo prazo, Otacílio Soares sublinhou que uma aproximação genuína entre empresas, investidores e instituições será determinante para consolidar uma nova dinâmica económica entre os dois continentes. Na sua opinião, Portugal e Brasil dispõem de condições únicas para liderar este processo, assumindo-se como plataformas privilegiadas de ligação entre os mercados europeu e sul-americano e impulsionando novos fluxos de comércio, inovação e investimento.

A visão apresentada por Otacílio Soares foi corroborada por Luiz Fernandes, advogado luso-brasileiro e também participante no painel, que apresentou a comunicação “Potencial das parcerias entre startups luso-brasileiras”. Além de conselheiro da SELB, Luiz Fernandes considerou que o momento atual é particularmente favorável para que empresas brasileiras invistam em Portugal, beneficiando do ambiente de inovação, da integração no mercado europeu e das oportunidades criadas pelo fortalecimento das relações entre o Mercosul e a União Europeia. Segundo este jurista, a criação de parcerias estratégicas entre startups, empresas consolidadas e centros de inovação poderá acelerar os processos de internacionalização e reforçar o ecossistema empresarial luso-brasileiro.

No encerramento do painel, os responsáveis pela organização destacaram a importância das reflexões apresentadas para a construção de uma agenda comum entre Portugal e Brasil. O chairman da SELB, Pedro Martins, afirmou que o encontro confirmou as melhores expectativas, demonstrando a capacidade de reunir especialistas para debater temas estratégicos ligados à economia, às empresas, às universidades, à ciência, às artes e à cultura luso-brasileira.

Já o presidente da instituição, Pedro Ramos, considerou que o fórum constituiu “uma janela aberta às melhores práticas e uma porta aberta à construção conjunta entre Portugal e Brasil de novas formas de olhar o mundo e de criar soluções”, defendendo a necessidade de transformar o conhecimento e o diálogo em ações concretas capazes de impulsionar uma nova etapa das relações entre os dois países.

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