Acordo UE–Mercosul marca “virada estratégica” no sistema internacional, avalia Funcex

Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais sublinha que serviços, investimentos e dimensão institucional são determinantes no impacto do tratado para Europa, Mercosul, Brasil e Portugal

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Foto: divulgação
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“A assinatura política do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, concluída após mais de 25 anos de negociações, representa um marco relevante no atual sistema internacional e na reconfiguração das relações económicas entre os dois blocos”. A avaliação é da Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex), que acompanha o processo através da Funcex Europa e da Funcex Mercosul, sublinhando que “o alcance do acordo não se esgota na dimensão comercial”.

Para o presidente da Funcex, António Carlos Pinheiro, o tratado deve ser analisado numa perspetiva mais ampla.

“Ele é estratégico para a União Europeia e também para o Mercosul, em especial para o Brasil. São mais de um quarto de século de negociação”, afirmou este responsável, acrescentando que “não devemos observar o acordo só para o segmento comércio. Cabe identificar oportunidades no segmento serviços e investimentos”.

O acordo cria um espaço económico que reúne mais de 720 milhões de pessoas e uma parcela significativa do PIB global, prevendo a eliminação gradual de tarifas sobre grande parte das trocas entre os blocos. Os benefícios comerciais, amplamente discutidos ao longo dos anos, apontam para ganhos relevantes no agronegócio sul-americano e para a indústria e os serviços europeus. Ainda assim, a Funcex destaca que o impacto mais estruturante reside na criação de previsibilidade regulatória, regras comuns e maior segurança jurídica, num contexto internacional marcado por instabilidade geopolítica e reconfiguração das cadeias de valor.

Na leitura estratégica defendida por António Carlos Pinheiro, “o Acordo UE–Mercosul deve ser entendido como uma estratégia no sistema internacional, para além do impacto tarifário”. Ainda segundo este responsável, o avanço do texto sinaliza um reposicionamento institucional e geopolítico, com efeitos que já se fazem sentir nas decisões de investimento e no planeamento empresarial, mesmo antes da ratificação final pelos parlamentos nacionais.

A Funcex observa ainda que o momento político do avanço do acordo, apesar das resistências manifestadas por alguns Estados-membros da União Europeia, revela uma reavaliação de prioridades no bloco europeu, num cenário de diversificação de parcerias externas. Para a fundação, o tratado assume também uma função de segurança económica, ao reforçar o eixo atlântico e ampliar alternativas estratégicas para europeus e sul-americanos.

No plano luso-brasileiro, a instituição identifica oportunidades acrescidas. Com o acordo UE–Mercosul, a relação entre Brasil e Portugal tende a ganhar maior densidade estratégica, apoiada numa complementaridade económica já existente. Portugal mantém-se como plataforma natural de acesso ao mercado europeu para empresas brasileiras, enquanto o Brasil oferece escala, recursos e mercado consumidor. Neste contexto, a Funcex entende que o tratado “favorece a integração de cadeias de valor, sobretudo em serviços e investimentos, mais do que uma concorrência direta entre economias”.

Para a Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais, o avanço do acordo representa “um marco na inserção internacional dos países envolvidos, mas o desafio central passa agora pela capacidade de coordenação entre setores público e privado”.

“O nosso objetivo é transformar o potencial político e económico do tratado em ganhos concretos de competitividade, investimento e integração sustentável no comércio internacional”, finalizou António Carlos Pinheiro.  ■

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