Associativismo luso-brasileiro avança com agenda estruturada após encontro em Ouro Preto

II Encontro Nacional do Associativismo Luso-Brasileiro reuniu lideranças e autoridades dos dois países e resultou na formalização de diretrizes que reforçam a cooperação e a articulação institucional entre Portugal e Brasil

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Hotel Vila Galé Collection Cachoeira do Campo, em Ouro Preto (MG), acolheu a realização do II Encontro Nacional do Associativismo Luso-Brasileiro. Foto: Gabriel Caetano
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Representantes institucionais, lideranças associativas e autoridades diplomáticas de Brasil e Portugal reuniram-se, entre os dias 25 e 27 de março, em Ouro Preto, no estado brasileiro de Minas Gerais, durante o II Encontro Nacional do Associativismo Luso-Brasileiro, onde foi formalizada a Carta de Minas 2026, um documento que estabelece diretrizes para fortalecer o associativismo e a cooperação bilateral.

Sob o tema “A importância do associativismo e da sustentabilidade na vida cotidiana”, o II Encontro Nacional do Associativismo Luso-Brasileiro marcou uma nova etapa na relação entre Brasil e Portugal ao consolidar a Carta de Minas 2026 como instrumento orientador de uma agenda estruturada e de longo prazo. 

Construído a partir do diálogo entre associações, representantes públicos e agentes diplomáticos, o documento propõe a criação de uma federação das entidades luso-brasileiras, além da implementação de mecanismos permanentes de governança e acompanhamento de resultados.

Segundo Miguel Jerónimo, presidente da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais, “a Carta representa uma mudança de patamar. Saímos de iniciativas pontuais para um modelo estruturado, com continuidade, governança e capacidade real de gerar impacto económico e institucional entre Brasil e Portugal”.

A programação do encontro foi orientada pela construção de uma agenda comum, com foco em temas como sustentabilidade, integração económica, mobilidade académica, empreendedorismo e inovação. 

Neste sentido, ao longo dos três dias, o evento funcionou não apenas como espaço de troca, mas como ambiente de articulação prática entre diferentes atores.

A sustentabilidade apareceu como eixo transversal das discussões: para Jaqueline Gil, PhD em desenvolvimento sustentável pela Universidade de Brasília, “a sustentabilidade é a relação harmónica entre a natureza e a dimensão humana. Quando Brasil e Portugal compartilham experiências, conseguimos acelerar esse equilíbrio”.

Além das discussões técnicas, o encontro contou com a participação de autoridades que reforçaram o caráter institucional do evento e ampliaram a articulação entre agendas públicas e privadas, tais como a embaixadora de Portugal no Brasil, Isabel Brilhante Pedrosa, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, o cônsul de Portugal em Belo Horizonte, Eurico de Matos, o embaixador António Moniz, diretor geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, do prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo,  e da secretária de Desenvolvimento Económico de Minas Gerais, Mila Corrêa.

Os debates também evidenciaram a necessidade de modernização das estruturas associativas, com ênfase em transparência, participação e capacidade de adaptação. Nesse contexto, o associativismo passa a assumir um papel mais estratégico, posicionando-se como plataforma de desenvolvimento económico, social e cultural.

Para Miguel Jerónimo, o momento reflete uma mudança mais ampla na relação entre os dois países: “Brasil e Portugal estão a entrar numa nova fase de relação, menos baseada em afinidades históricas e mais orientada por interesses estratégicos”, destacou.

“O avanço dos fluxos migratórios, da presença empresarial e das conexões institucionais demonstra que essa parceria já opera de forma concreta e contínua”, acrescentou o responsável.

A Carta de Minas 2026 sintetiza esse movimento ao estabelecer diretrizes que apontam para uma cooperação mais coordenada e orientada por resultados. A partir de agora, o desafio será transformar essa estrutura em ações concretas, consolidando o associativismo como eixo estratégico da relação luso-brasileira.

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