Barcelos: “Festival Internacional de Teatro em Línguas Minoritárias” regressa para celebrar culturas, identidades e tradições linguísticas ameaçadas

Terceira edição do “LÍNGUA” volta a transformar Barcelos, no norte de Portugal, num espaço de encontro entre comunidades, territórios e expressões culturais de diferentes partes da Europa, promovendo o teatro, a música e o diálogo como instrumentos de preservação das línguas minoritárias e do património imaterial transmitido entre gerações

19
Theatro Gil Vicente, em Barcelos, acolhe a terceira edição do “LÍNGUA - Festival Internacional de Teatro em Línguas Minoritárias”. Foto: divulgação/Município de Barcelos
- Publicidade -

O Theatro Gil Vicente e vários espaços culturais da cidade de Barcelos, no distrito de Braga, no norte de Portugal, recebem, entre os dias 5 e 7 de junho, a terceira edição do “LÍNGUA – Festival Internacional de Teatro em Línguas Minoritárias”, uma iniciativa dedicada à valorização das línguas da terra, do teatro comunitário e das expressões culturais identitárias, reunindo espetáculos, concertos, oficinas e debates com participantes provenientes de diferentes territórios linguísticos europeus.

O certame, de periodicidade bienal, parte de uma reflexão central sobre o desaparecimento das línguas minoritárias e o impacto cultural associado à sua perda. 

Neste sentido, a organização defende que “quando morre uma língua, morre todo um legado outrora transmitido de geração em geração”, apresentando o teatro como uma forma de resistência, preservação e continuidade dessas identidades culturais.

Depois das primeiras edições realizadas em 2022 e 2024, que contaram com espetáculos em mirandês, sassarese, estremenho, língua gestual portuguesa, galego, crioulo cabo-verdiano e darija marroquino, o festival regressa agora com uma programação alargada dedicada ao teatro em línguas minoritárias, ameaçadas ou de forte expressão comunitária.

Deste modo, a abertura oficial acontece no dia 5 de junho, às 21h30, no Theatro Gil Vicente, com a apresentação da peça “Feitas de Ferro, Desenhadas a Carvão”, baseada na obra “Em Nome da Filha”, de Carla Maia de Almeida. 

O espetáculo contará com interpretação em Língua Gestual Portuguesa e será protagonizado pela companhia “Era uma Vez… Teatro” – Associação do Porto de Paralisia Cerebral, entidade reconhecida pelo desenvolvimento de projetos artísticos inclusivos.

Ao longo dos três dias, o festival reunirá também companhias, grupos comunitários e projetos culturais de vários territórios linguísticos europeus, promovendo apresentações teatrais, performances e momentos de diálogo com o público.

De Miranda do Douro chegará o mirandês, através da peça “La Princesa de ls Çapatos Rotos”, interpretada por alunos da Escola Secundária de Miranda do Douro, com direção de Duarte Martins, professor e subcomissário da Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa.

Já de Minde, na Serra d’Aire, o coletivo da Casa do Povo de Minde e o Teatro de Minde Boca de Cena apresentarão uma performance teatral em minderico, acompanhada da exibição do vídeo “A Cabiçalva” e de uma conversa com o público.

O festival contará também com a participação do projeto Lá de Riba, oriundo de Riba de Mouro, na Serra da Peneda, que levará ao certame uma performance centrada no ribamourês, seguida de um momento de reflexão sobre esta variedade linguística.

A programação internacional inclui ainda a presença do País Basco, representado pela companhia Txalo-Talo, que apresentará a comédia “Kutsidazu Bidea Ixabel”, em basco, considerada a língua viva mais antiga da Europa.

Das Astúrias chegará igualmente o grupo Teatru Carbayín, responsável pela apresentação da comédia “Una de Matrimonios”, integrada no contexto do teatro popular em asturiano, recentemente classificado como Bem de Interesse Cultural pelo Principado das Astúrias.

Além dos espetáculos, o “LÍNGUA” promoverá uma mesa redonda dedicada à importância do teatro na salvaguarda e difusão das línguas minoritárias, iniciativa coordenada pelo Clube para a UNESCO de Salvaguarda do Teatro em Línguas Minoritárias.

A programação inclui ainda momentos de formação, com destaque para a oficina de iniciação ao teatro físico orientada por Jorge Alonso.

A música ocupará igualmente um lugar de relevo nesta edição, com atuações provenientes da Galiza, de Miranda do Douro e do Minho. Entre os participantes confirmados encontram-se o grupo galego Palacio do Rei, os mirandeses Ls Madrugadores e o projeto minhoto Phole, composto pelos músicos João Gigante e Vítor Lima.

O “LÍNGUA – Festival Internacional de Teatro em Línguas Minoritárias” é organizado pela companhia Teatro de Balugas e pelo Clube UNESCO para a Salvaguarda do Teatro em Línguas Minoritárias, contando com financiamento do Município de Barcelos, da Fundação Manuel António da Mota/Grupo Mota-Engil, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e da Fundação INATEL, além do apoio de várias entidades nacionais e internacionais. 

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.