Durante o mês de agosto, entre os dias 1 e 3, Castelo Branco foi palco de um dos momentos mais marcantes do verão cultural português com a realização do “Festival Mais Solidário”, uma iniciativa que juntou milhares de pessoas em torno da música, da solidariedade e da celebração da identidade portuguesa, reunindo portugueses emigrados na Suíça.
Promovido pela Associação de Apoio “Quatro Corações”, o evento consolidou-se como uma referência na região Centro do país, não apenas pelo seu impacto social, mas também pela capacidade de envolver comunidades locais e emigrantes. Um dos principais pontos foi a “Festa do Emigrante TVI”, emitida em direto dia 2, numa emissão especial dedicada à diáspora lusa, que recebeu o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa. A transmissão, conduzida por Mónica Jardim, Nuno Eiró e João Montez, levou quatro horas de música popular e reportagens a todas as geografias onde a TVI Internacional está presente.
A programação do festival contou com Bárbara Tinoco, Virgul, DJ Tozo, King Bigs, Mizzy Miles, Última Ceia, Sergy, “Cantar Morangos – Morangos com Açúcar” e Luppys. Numa região com fortes laços à diáspora, o evento ganhou contornos simbólicos, destacando a importância de iniciativas que descentralizam a oferta cultural e aproximam o Interior das comunidades espalhadas pelo mundo.
Emídio Sousa, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, sublinhou à nossa reportagem o aspeto solidário do evento.
“O “Festival Mais Solidário” é um evento que procura angariar fundos para servir refeições às pessoas que não têm. Já serviram mais de 800 mil refeições. São pessoas que trabalham voluntariamente, e que servem diariamente as refeições às pessoas. Para quem nunca teve fome, provavelmente isto não terá a força que deveria ter, mas é preciso conseguir chegar às pessoas que, muitas vezes, têm vergonha de dar a entender que estão com dificuldades. Dar-lhes essa refeição, condições dignas de vida, é fundamental. Eu quero dizer a esta equipa, que já são melhores pessoas, que organizam este festival de solidariedade, a Associação “Quatro Corações”, quero agradecer-lhes, mas, acima de tudo, destacar o caráter, a nobreza do seu gesto. São pessoas fabulosas”, afirmou Emídio Sousa, que reconhece que atrações como esta contam com a presença dos membros da diáspora lusa, pois, em agosto, “há uma vinda em massa de emigrantes dos vários países da Europa, como França, Suíça, Alemanha, Reino Unido, assim, para nós, é especialmente grato recebê-los, pois temos um carinho muito especial pela nossa diáspora, pois vemos o nosso emigrante como alguém que faz parte da nossa comunidade”.
Na visão de Leopoldo Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, a emigração portuguesa sente a sua terra mesmo à distância.
“De facto, o Castelo Branco, como todo o nosso país, durante muito tempo viu os seus filhos partirem para encontrar melhores condições de vida no estrangeiro, mas há uma coisa que os liga, que é o amor à terra, o apelo da terra e o regresso em cada ano em diferentes momentos. Castelo Branco hoje é um concelho muito diferente daquele em que a maior parte dos nossos emigrantes partiram. É desenvolvido, atrativo e um local de oportunidades. E o apelo que nós gostamos de fazer aos nossos emigrantes é para olharem para essa nova realidade, para as oportunidades de negócio, para as oportunidades de emprego, e também para as oportunidades que a cultura no nosso território proporciona, além das potencialidades do desporto e dos muitos equipamentos desportivos que aqui temos”, frisou o autarca.
O presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco reconhece que a diáspora portuguesa gerou riqueza no território.
“Nós temos empresários portugueses em diferentes países, com empresas muito fortes, com muita empregabilidade. E eu desafiava a investirem também na sua terra, porque nós precisamos de investimento e precisamos de pessoas empreendedoras”, disse Leopoldo Rodrigues.
Para Ana Muralha, presidente da Associação “Quatro Corações”, o festival ultrapassou os resultados esperados e mostrou ser “um movimento de união, partilha e compromisso com causas que tocam vidas”.
“Esta edição superou todas as nossas expetativas. Recebemos milhares de visitantes ao longo dos três dias, num ambiente familiar, de alegria e convívio, com um cartaz diversificado que encantou públicos de todas as idades. O Festival permitiu não só celebrar a música e a cultura, mas também angariar fundos e mobilizar recursos essenciais para a continuidade dos projetos sociais e solidários da Associação “Quatro Corações”, uma IPSS dedicada a apoiar famílias e indivíduos em situação de vulnerabilidade, em específico, na confeção e entrega de refeições quentes, a quem tanto necessita”, ressaltou Ana, que avançou que o evento contou com a participação de “350 voluntários e 25 associações locais”, “num exemplo de trabalho em rede e cooperação”, além de ter havido a “participação ativa de mais de 150 parceiros e patrocinadores que acreditam no poder transformador da solidariedade”.
“O meu sentimento pessoal é de gratidão”, disse, por seu turno, Hélder Martins, fundador da Associação “Quatro Corações”, que revela, que, em 2024, “o público de fora do concelho de Castelo Branco representava quase 50% e parte desta população vem do estrangeiro, nomeadamente, porque estamos, graças a vós, expostos em várias geografias, e temos sentido este peso, nomeadamente das comunidades que nos visitam”.
Este responsável afirmou que “o nosso resultado não é em euros, como a gente diz sempre, é em refeições. Estamos todos os dias a entregar aqui em Castelo Branco, por exemplo, mais de 100 refeições quentes que custam dinheiro. Este dinheiro tem que ser arranjado e nós saímos fora da caixa através do “Festival Mais Solidário””.
Uma das diversas associações presentes no recinto foi a Mais Lusofonia, que atua em Portugal e no cenário lusófono.
“O trabalho da Mais Lusofonia tem sido bastante exaustivo no que toca ao trabalho humanitário e, não só, dentro e fora de portas. No Festival Mais Solidário, divulgamos o trabalho que foi feito no primeiro semestre deste ano e também começamos a falar sobre o próximo semestre”, disse Sofia Lourenço.
Por sua vez, e também presente no certame, a “Association Cap Magellan”, com sede em Paris, e com atuação diante dos jovens falantes de português e vocacionada para a promoção da língua portuguesa e da cultura lusófona em França, realizou ações no sentido de sensibilizar sobre a ingestão de álcool e condução segura.
“Este não é o nosso primeiro ano de parceria com o “Festival Mais Solidário”. Estamos aqui no âmbito da nossa campanha de segurança rodoviária Security Verão em Portugal, onde desenvolvemos o nosso eixo dedicado aos jovens, onde fazemos prevenção sobre os riscos do consumo de álcool e outras substâncias”, adicionou Lurdes Abreu, presidente da Cap Magellan. ■