Castelo Branco: Alícia Infante explica como a implantologia pode “recuperar função, conforto e estética oral”

Médica dentista em atuação na Clinibeira, liderada por Sofia Lourenço, trabalha há cerca de nove anos no local e concentra a atividade nas áreas da cirurgia e implantologia; em entrevista à Agência Incomparáveis, aborda a evolução das técnicas, os receios dos pacientes, a importância da manutenção dos implantes e a relação entre saúde oral e saúde geral

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Alícia Infante, médica dentista. Foto: Agência Incomparáveis
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A implantologia tem vindo a assumir um papel crescente na reabilitação oral de pessoas que perderam um ou mais dentes, oferecendo soluções fixas que procuram recuperar mastigação, função e estética, uma questão de saúde que preocupa cidadãos em Portugal, especificamente na Região Centro do país. Em Castelo Branco, por exemplo, Alícia Infante acompanha esta evolução a partir da Clinibeira, onde trabalha há cerca de nove anos. Médica dentista há 11 anos, exerce clínica geral, mas direcionou progressivamente a formação e a prática profissional para cirurgia e implantologia, áreas que considera centrais no acompanhamento de pacientes com diferentes necessidades de reabilitação.

Em entrevista à Agência Incomparáveis, Alícia Infante explicou que a implantologia permite substituir dentes ausentes através de uma solução fixa integrada numa reabilitação protética. Os implantes são colocados no osso maxilar ou mandibular e podem servir de suporte a coroas, pontes ou próteses. Serviços hospitalares especializados do National Health Service britânico descrevem-nos como substitutos de longa duração das raízes dentárias quando são devidamente cuidados, salientando que a manutenção e a higiene continuam a ser necessárias depois do tratamento.

Para Alícia, uma das principais diferenças relativamente às soluções removíveis está no quotidiano do paciente.

“A grande vantagem dos implantes é que funcionam como um dente normal na cavidade oral”, afirmou esta médica dentista, que destaca o conforto de uma prótese fixa, que não necessita de ser retirada e recolocada diariamente, e chama ainda a atenção para a “dimensão funcional e estética do tratamento”.

O custo continua, contudo, a estar entre as questões colocadas pelos pacientes. Alícia reconhece que a implantologia implica um investimento financeiro, mas defende que a análise deve considerar o período de utilização, a manutenção necessária e a possibilidade de proporcionar uma solução fixa. Na sua perspetiva, esse enquadramento permite olhar para o tratamento numa lógica de médio e longo prazo, particularmente quando comparado com determinadas reabilitações removíveis que podem necessitar de adaptação ou substituição com o passar dos anos.

A procura também deixou de estar concentrada apenas nas pessoas mais velhas. Segundo esta profissional, pacientes mais jovens recorrem frequentemente à implantologia quando perdem um único dente, incluindo por razões funcionais e estéticas.

“É muito mais confortável colocar um implante do que uma prótese removível”, explicou, ressalvando que a indicação deve “resultar sempre da avaliação clínica individual”.

Um dos principais obstáculos continua a ser o receio associado à cirurgia. O som dos instrumentos, a ideia de dor, o possível inchaço e o próprio conceito de colocar um implante no osso ainda provocam ansiedade em alguns pacientes. Alícia procura contrariar esses receios através do diagnóstico e do planeamento prévio.

“É muito mais fácil colocar um implante do que retirar um dente”, refere, com base na sua experiência clínica, explicando que “o procedimento é estudado previamente através dos exames necessários e executado de acordo com um protocolo definido para cada caso”.

A recuperação, porém, não é exatamente igual para todas as pessoas. Dor, edema, equimose ou algum sangramento podem ocorrer após a colocação de implantes e variam de paciente para paciente, efeitos que podem surgir após o procedimento e que o acompanhamento deve incluir indicações individualizadas sobre alimentação, higiene e recuperação. Alícia sublinha que cada cirurgia deve ser enquadrada no estado de saúde e nas características clínicas do paciente.

Outro ponto que procura esclarecer é a ideia de que um implante estará garantido para toda a vida.

“Há perda de dentes tal como há perda de implantes. Tudo requer a sua manutenção e o seu cuidado”, afirmou. Por essa razão, a médica dentista considera necessário manter acompanhamento clínico e radiográfico, realizando habitualmente controlo anual nos seus pacientes. A longevidade de uma reabilitação depende de vários fatores e não elimina a necessidade de higiene oral diária e vigilância profissional.

Tecnologia e conhecimento

As técnicas disponíveis também têm evoluído. Entre os procedimentos utilizados na clínica, Alícia refere situações em que é possível remover dentes, colocar implantes e instalar, no mesmo dia, uma prótese provisória fixa, quando as condições clínicas permitem esse protocolo. A prótese definitiva é colocada posteriormente, depois do período necessário para a integração dos implantes no osso. A possibilidade de recorrer a este tipo de abordagem depende, contudo, da avaliação do caso, do volume e qualidade óssea, da estabilidade obtida e de outros critérios clínicos.

Alícia Infante, médica dentista. Foto: Agência Incomparáveis

“É tudo muito estudado e planeado”, salienta Alícia Infante, que considera que a evolução do diagnóstico, das técnicas cirúrgicas e dos materiais permite hoje planear tratamentos com maior detalhe. Ainda assim, evita apresentar a implantologia como uma “solução automática” para qualquer perda dentária. O primeiro passo, reforça, continua a ser “perceber as condições da boca, as necessidades do paciente e as alternativas disponíveis”.

A cirurgia oral constitui outra vertente importante do seu trabalho. Alícia tem formação específica na área da cirurgia de sisos inclusos há cerca de dez anos e alerta para outro mito comum: nem todos os dentes do siso têm de ser removidos. A indicação depende da posição, do espaço disponível, da possibilidade de higienização, da existência de dor ou inflamação e da relação com os dentes e estruturas anatómicas próximas.

“Muitas vezes as pessoas chegam ao consultório e dizem que têm quatro sisos e que é para tirar. Se estão numa boa posição, têm espaço e estão bem na cavidade oral, ficam”, disse.

Nos casos em que existem sintomas ou uma posição desfavorável, o diagnóstico radiográfico permite avaliar a necessidade de intervenção. Em situações mais complexas pode ser necessário recorrer a exames tridimensionais para estudar a relação do dente com estruturas nervosas da mandíbula e preparar a cirurgia.

A profissional considera que a informação é decisiva para reduzir o medo associado à extração dos sisos. Dor, inchaço ou desconforto são preocupações frequentes, mas a recuperação depende do grau de complexidade e das características de cada intervenção. Para Alícia, a especialização e o planeamento assumem particular importância nos casos cirúrgicos, sobretudo quando a anatomia exige maior precaução.

A medicina dentária, contudo, não começa na cirurgia nem termina nos implantes. Um dos pontos que Alícia Infante mais sublinha é a necessidade de considerar a boca integrada no estado geral do paciente.

“Eu não olho para as pessoas como uma cavidade oral, com dentes. Olho para a pessoa como um todo e o meu objetivo primordial é o bem-estar da pessoa”, afirmou.

Esta abordagem estende-se à prevenção. A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) de Portugal recomenda consultas regulares mesmo quando não existem sintomas, precisamente para prevenir e identificar problemas numa fase precoce. A entidade indica ainda que os cuidados devem ser adaptados ao perfil de risco de cada pessoa e que a higiene oral diária constitui a base da prevenção.

Entre as recomendações gerais estão a escovagem pelo menos duas vezes por dia com pasta fluoretada e a utilização de fio dentário ou escovilhão nos espaços interdentários. A OMD chama ainda a atenção para a necessidade de acompanhamento profissional, porque algumas doenças da boca podem desenvolver-se antes de apresentarem sintomas facilmente identificáveis pelo próprio paciente.

Na opinião de Alícia, esta dimensão preventiva começa a ser mais valorizada também em Castelo Branco. Natural da região, esta médica dentista acompanha uma população que inclui muitos pacientes mais velhos e pessoas provenientes de localidades próximas. Ao longo dos anos, afirma ter observado maior abertura para técnicas de reabilitação que anteriormente eram menos procuradas.

“As pessoas começam a abrir mais os seus horizontes e a querer também coisas novas”, salientou.

O seu percurso profissional começou com a formação inicial no Instituto Universitário Egas Moniz, no Monte de Caparica, seguindo-se formação na área dos sisos inclusos em Lisboa e vários ciclos de aperfeiçoamento em implantologia realizados em diferentes pontos do país, incluindo Porto, Braga, Leiria e Viseu. Nos últimos dez anos, Alícia Infante tem prosseguido formação relacionada com técnicas cirúrgicas e reabilitação implanto-suportada.

Na Clinibeira, liderada por Sofia Lourenço, esse percurso traduz-se numa atuação que procura conjugar “diagnóstico, cirurgia, reabilitação, manutenção e prevenção”.

Para ela, a decisão de avançar para um implante “não deve começar pelo medo do procedimento nem apenas pela questão estética”, mas por uma “avaliação clínica capaz de determinar aquilo que cada pessoa efetivamente necessita”.

A mensagem que deixa aos pacientes passa, por isso, pela procura de informação antes de adiar um problema dentário. A evolução das técnicas ampliou as possibilidades de tratamento, mas não substituiu os princípios que continuam na base da medicina dentária: diagnóstico, planeamento individual, higiene, acompanhamento e prevenção. É nesse equilíbrio entre tecnologia e cuidado continuado que Alícia Infante enquadra atualmente a implantologia e a cirurgia oral que pratica em Castelo Branco. ■

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