
António Cavaco, chef confrade-mor da Confraria dos Gastrónomos dos Açores, destacou a importância da experiência gastronómica como elemento de ligação entre culturas, sublinhando o papel do amor e do afeto na forma como os produtos são apresentados e consumidos.
As declarações à Agência Incomparáveis, inseridas no âmbito de uma prova de produtos açorianos organizada, no dia 21 de abril, pela Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, no Serviço de Desenvolvimento Agrário de São Miguel, e integrada na Missão Empresarial Minas Gerais-Açores, promovida entre os dias 20 e 24 de abril pela Casa dos Açores de Minas Gerais, António Cavaco, procurou valorizar os produtos açorianos, que levam a “Marca Açores”.
Durante a prova de produtos açorianos, que reuniu produtores, representantes institucionais e participantes da missão empresarial mineira, num momento de degustação e promoção da valorização da identidade gastronómica do arquipélago, António Cavaco afirmou que “o inhame, por exemplo, que é o coco brasileiro, fala exatamente a mesma língua”, acrescentando que “deve ter sido do Brasil que no século XIV/XV acabou por chegar aos Açores e aqui plantou em condições completamente ajustadas e que tem um sabor incrível”.

Este confrade-mor referiu também a versatilidade deste produto, destacando que “temos, por exemplo, a linguiça, a morcela, o queijo”, que se podem degustar com a pimenta, cozido, frito ou salteado.
“O inhame é uma coisa fantástica”, disse.
Sobre a preparação da prova para os empresários brasileiros, o chef sublinhou que o objetivo passa por “valorizar não só o produto, mas também a forma como é apresentado”.
“Primeiro, temos que falar no produto alimentar, mas não nos podemos esquecer do mais importante, que é o amor e o afeto que pomos no tratamento do produto”, explicou António Cavaco, que acrescentou que, “quando damos um produto, quando trabalhamos um produto, trabalhamos com afeto, com carinho, com amor, e é isso que damos às pessoas”.

Este responsável sublinhou ainda que a experiência gastronómica cria diferentes tipos de memória.
“Nós temos dois tipos de memória que arquivamos. Primeiro, o arquivo do palato, esse é inconfundível e arquivamos sempre. Mas aliado ao arquivo do palato, há o arquivo do afeto”, sustentou.
“Se eu comer um determinado produto, sozinho, isolado, num dia sóbrio, num dia meio triste, tenho um arquivo que me vai ficar agravado. Se eu comer isto em conjunto, com pessoas bonitas, com pessoas diferentes, com pessoas que nos chegam de outra cultura, que querem conhecer os nossos produtos, que querem partilhar esse produto, valoriza o palato, grava-se o afeto, eu nunca mais vou esquecer isso”, concluiu o chef açoriano. ■




