
O neurocientista português Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues alertou para os riscos físicos e neurológicos associados à onda de calor que atinge países da Europa e mantém Portugal sob aviso meteorológico devido às altas temperaturas. Segundo o especialista, o stress térmico pode provocar sintomas neurológicos, agravar quadros cardiovasculares e afetar principalmente crianças e pessoas expostas a ambientes sem ventilação adequada.
Na França, mais de 350 cidades registaram máximas históricas para o período, enquanto o Reino Unido atingiu 34°C. Autoridades francesas associaram mortes recentes ao calor extremo. Em Portugal, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera colocou grande parte do território continental sob aviso amarelo.
De acordo com Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, crianças apresentam maior vulnerabilidade devido ao sistema de termorregulação ainda em desenvolvimento, o que favorece quadros de desidratação, enjoo e vômitos. Entre adultos, os sintomas mais recorrentes incluem dores nas pernas, provocadas pela vasodilatação e pelo acúmulo de sangue nos membros inferiores.
O especialista também relatou sinais neurológicos associados ao calor, como tontura, desorientação e sensação persistente de pressão na cabeça. Segundo ele, a tentativa do organismo de dissipar o calor pode reduzir a pressão arterial e comprometer a oxigenação cerebral. Em situações mais graves, o aumento da temperatura corporal pode afetar a barreira hematoencefálica e provocar danos celulares.
Rodrigues afirmou ainda que muitas residências no Brasil e em Portugal não possuem isolamento térmico adequado, o que favorece a retenção de calor durante a noite e aumenta o desgaste físico contínuo dos moradores.
Entre as medidas preventivas indicadas estão o reforço da hidratação, o fechamento de cortinados e janelas nos horários de maior incidência solar, a ventilação das casas durante a noite e a suspensão de atividades físicas ao ar livre nos períodos mais quentes do dia. ■




