
O ex-futebolista brasileiro Tom da Bahia (nome artístico de Wellington Dantas) promove, neste sábado, dia 18 de julho, a quarta edição do “Festival Odoyá”, evento dedicado à valorização da cultura afro-brasileira que decorrerá no espaço cultural La Serre Wangari, na comuna de Saint-Ouen, na Grande Paris. Organizado pela Associação Cultural Odoyá France, o festival tem entrada gratuita e prevê receber cerca de 20 mil visitantes ao longo de mais de dez horas de programação.
A iniciativa reúne diversas expressões da cultura afro-brasileira, incluindo capoeira, batucada, música, dança, gastronomia ancestral e manifestações religiosas de matriz africana. O programa inicia-se com uma cerimónia de homenagem a Iemanjá e Oxum e termina com atuações de samba, axé e ijexá, contando ainda com a participação do Grupo de Batucada Badauê, do Balé Afro As Meninas da Bahia, do Grupo de Capoeira Meninos de Salvador e do próprio Tom da Bahia.
Segundo Tom da Bahia, “o ‘Festival Odoyá’ nasceu com o objetivo de valorização e resistência das produções afro-brasileiras na Europa”, acrescentando que o evento “já está consolidado no calendário francês” e reúne brasileiros residentes em França, turistas e cidadãos de várias nacionalidades, promovendo “arte, cultura e religiosidade” e dando protagonismo a artistas e grupos independentes ligados à ancestralidade negra.
O antigo jogador de futebol, que representou clubes como Atlético Mineiro, Aalborg, Red Star e Boulogne-Billancourt antes de seguir carreira artística, convidou para esta edição duas figuras históricas do futebol brasileiro: Raí, capitão da seleção campeã do mundo em 1994, e Valdo, antigo internacional brasileiro com passagens pelo Benfica e Paris Saint-Germain. O festival contará ainda com a presença da atriz franco-brasileira Cristiane Reali e do presidente da Câmara de Saint-Ouen, Karim Bouamrane.
Tom da Bahia representou clubes como o Atlético Mineiro, mas teve de abandonar os relvados devido a uma lesão. Foto: divulgação/Cássia Santos e Eleonora Taliani
Tom da Bahia considera que o trabalho desenvolvido pela Associação Cultural Odoyá procura apresentar aos franceses uma imagem mais ampla da identidade brasileira.
“Apesar de ter feito carreira e ser grato ao futebol, a Associação Odoyá trabalha com o intuito de mostrar outras riquezas do nosso país, principalmente uma cultura que os franceses não conhecem tanto”, frisou, referindo que pretende destacar “o lado afro da nossa história”, através do samba de roda, do ijexá e da cultura baiana, assumindo-se atualmente, por isso, como “um dos embaixadores do povo baiano”.
Natural de Itabuna, no estado da Bahia, Tom da Bahia iniciou a carreira profissional no futebol aos 17 anos, jogando também no Catar e nos Emirados Árabes Unidos, antes de abandonar os relvados devido a uma lesão. Em 2018 estreou-se profissionalmente na música com o EP “Xa Lá Lá”, tendo posteriormente partilhado palco com artistas como Maria Rita, Fábio Júnior e Leonardo, representado o Brasil num espetáculo comemorativo dos Jogos Olímpicos de Paris 2024 e atuado na sede da UNESCO.
Em 2023, fundou a Associação Cultural Odoyá France, responsável pela organização da “Festa de Iemanjá” em Paris e pelo “Festival Odoyá”, iniciativa que se afirma como um dos principais encontros dedicados à cultura afro-brasileira em França e um ponto de encontro entre a comunidade brasileira e o público francês. ■






