O Governo da Guiné‑Bissau determinou o encerramento imediato das emissões da Lusa, RTP África e RDP África no país, ordenando a saída dos seus representantes até 19 de agosto.
A ação, “sem justificação oficial”, suscitou duras críticas do governo português, que classificou a medida como “altamente censurável e injustificável”, tendo convocado o embaixador guineense em Lisboa para esclarecimentos dia 16 de agosto.
As direções de informação da Lusa, RTP e RDP manifestaram solidariedade para com os seus jornalistas em Bissau e denunciaram a expulsão como “um ataque deliberado à liberdade de expressão”, violando os princípios da democracia e do Estado de direito. A medida foi considerada uma ação “seletiva e discriminatória”, com o claro objetivo de “silenciar vozes independentes”.
A ausência de motivações oficiais por parte do Governo guineense alimenta teorias de carácter político. Num cenário marcado por instabilidade institucional, críticos sugerem que a medida pode “enquadrar-se numa estratégia de silenciamento de meios de comunicação que espelham uma atuação bioética”.
Portugal respondeu com firmeza diplomática. Para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o papel dos meios portugueses na Guiné‑Bissau é vital para a população local e para a comunidade lusófona. O executivo garante que fará o possível para reverter a decisão e mantém contacto constante com as administrações envolvidas.
A Guiné‑Bissau enfrenta há meses uma crise institucional. Em dezembro de 2023, o presidente Emílio Embaló dissolveu a Assembleia e procedeu à ocupação militar dos órgãos de comunicação estatais, numa tentativa que muitos consideraram um golpe de Estado constitucional.
Portugal espera agora pela reunião com o embaixador guineense para aferir as razões reais da medida e preservar os canais de comunicação jornalística que lhe são essenciais. ■