Flávio Bolsonaro lidera primeira volta e enfrenta Lula a 25 de outubro

Flávio Bolsonaro obteve 47,03% e Lula 45,16% na votação presidencial. Em Portugal, o atual presidente foi o mais votado em duas das três áreas consulares. Lisboa mantém-se como o maior colégio eleitoral brasileiro no estrangeiro, enquanto Portugal ocupa o segundo lugar entre países

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Foto: Agência Incomparáveis
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O Brasil terá uma segunda volta das eleições presidenciais, marcada para 25 de outubro, entre o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), e o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT). Na primeira volta, realizada no domingo, 4 de outubro, nenhum candidato ultrapassou os 50% dos votos válidos necessários para assegurar a eleição. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 99,99% das urnas apuradas às 00h21 de segunda-feira, em Brasília, Flávio Bolsonaro somava 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03%, enquanto Lula reunia 53.876.617 votos, correspondentes a 45,16%.

A diferença entre os dois candidatos era de cerca de 2,23 milhões de votos, ou 1,87 pontos percentuais. Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, disputa pela primeira vez a Presidência. Lula procura a reeleição e um quarto mandato, depois de ter governado entre 2003 e 2010 e de ter regressado ao cargo em 2023.

Entre os brasileiros com domicílio eleitoral no estrangeiro, a apuração apresentava uma distribuição diferente. Num balanço divulgado pela Folha de S.Paulo, com mais de 95% das urnas do exterior contabilizadas, Lula liderava com 47,28% dos votos válidos, contra 43,84% de Flávio Bolsonaro. Estes números ainda eram parciais. Lula foi o mais votado em países como Portugal, França, Alemanha, Argentina e China, enquanto Flávio Bolsonaro venceu nos Estados Unidos, no Japão e em Israel.

Em Portugal, Lula venceu nas áreas consulares de Lisboa e do Porto, enquanto Flávio Bolsonaro ficou à frente em Faro. Na capital portuguesa, o atual presidente recebeu 14.948 votos, equivalentes a 53,51% dos votos válidos. O candidato do PL obteve 10.548 votos, correspondentes a 37,76%. A apuração de Lisboa contabilizou 27.936 votos válidos.

No Porto, Lula reuniu 10.356 votos, ou 52,49%, contra 7.559 votos de Flávio Bolsonaro, equivalentes a 38,32%. Foram registados 19.726 votos válidos nesta área consular. Em Faro, o candidato do PL alcançou 1.305 votos, correspondentes a 48,88%, enquanto Lula recebeu 1.097 votos, ou 41,09%, num universo de 2.670 votos válidos.

Somadas as três áreas consulares, Lula recebeu 26.401 votos em Portugal, contra 19.412 de Flávio Bolsonaro, uma vantagem de 6.989 votos. O resultado português deu, assim, a liderança ao atual presidente, embora o candidato do PL tenha terminado a primeira volta à frente no conjunto da eleição presidencial.

A dimensão deste eleitorado exige distinguir a classificação por cidade da classificação por país. Lisboa é o maior colégio eleitoral brasileiro fora do Brasil, com 78.833 inscritos e 207 secções de voto distribuídas pela Reitoria e pelas faculdades de Direito e de Letras da Universidade de Lisboa. Portugal, com 134.797 eleitores inscritos, é o segundo maior colégio eleitoral brasileiro no estrangeiro, atrás dos Estados Unidos.

Votos em Lisboa

No total, estavam habilitados a votar no exterior 918.876 brasileiros, distribuídos por 186 cidades. Estes eleitores participam exclusivamente na escolha do presidente e do vice-presidente da República e voltarão a ser chamados às urnas em 25 de outubro, quando será decidido quem governará o Brasil no próximo mandato.

No balanço realizado após o encerramento da votação, o cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas, destacou o funcionamento dos três locais instalados na Universidade de Lisboa.

“O dia transcorreu dentro de toda a normalidade planeada”, afirmou, referindo a fluidez das filas na Faculdade de Direito, na Faculdade de Letras e na Reitoria. Segundo o diplomata, não foram registados incidentes e todas as urnas eletrónicas funcionaram, sem necessidade de recurso a urnas de lona.

A operação envolveu cerca de 400 mesários e aproximadamente 50 voluntários externos, além do apoio de empresas na organização das filas. Candeas atribuiu parte do resultado ao trabalho prévio de informação aos eleitores e à colaboração dos meios de comunicação social.

“Nós investimos muito na informação do eleitor”, explicou, agradecendo à imprensa a divulgação de orientações sobre a atualização do título, a identificação da secção eleitoral e a localização das salas de votação.

Quanto à participação, o cônsul-geral apresentou, ainda antes da conclusão da apuração, uma estimativa de comparência próxima de 30%, que deve ser distinguida dos resultados posteriormente contabilizados. Apontou o feriado de 5 de outubro como um possível fator para a ausência de eleitores, sem estabelecer uma relação comprovada. Relatou também casos de pessoas que procuraram votar com títulos antigos ou com domicílio eleitoral no Brasil, situações que impediam o voto em Lisboa.

Sobre a segunda volta, entretanto confirmada para 25 de outubro, o diplomata assegurou que a preparação logística já estava concluída.

“Estamos previstos com toda a estrutura já pronta para um eventual segundo turno”, declarou na conferência de imprensa. Acrescentou que seria reforçada a orientação à entrada dos locais de votação, para encaminhar os eleitores diretamente para o edifício correspondente à sua secção e reduzir a concentração inicial na Reitoria. ■

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