Funcex defende maior presença empresarial no Fórum de Lisboa

Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, presidente da Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais, com sede no Brasil, afirmou que a internacionalização do Brasil exige maior participação das pequenas e médias empresas, além de destacar a necessidade de aproximar setor público, setor privado e inteligência econômica

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Antonio Carlos da Silveira Pinheiro (esq.), presidente da FUNCEX, e Miguel Lins, vice-presidente, estiveram presentes no Fórum de Lisboa 2026. Fotos: Agência Incomparáveis
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Parte da equipe da Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex) participou no XIV Fórum de Lisboa, realizado nos dias 1, 2 e 3 de junho de 2026, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em Portugal. A edição deste ano teve como tema “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, económicos e sociais” e reuniu autoridades, académicos, juristas, gestores, especialistas e representantes da sociedade civil do Brasil e da Europa para debater os impactos da transformação tecnológica nas estruturas políticas, culturais e econômicas do cenário internacional.

Organizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), pelo Lisbon Public Law Research Centre, da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e pela FGV Justiça, o Fórum de Lisboa chegou à sua décima quarta edição com uma agenda centrada em soberania, tecnologia, democracia, economia, sustentabilidade, saúde e inovação. O encontro contou com o Alto Patrocínio do Presidente da República portuguesa e manteve o seu objetivo de “discutir temas que desafiam o Estado contemporâneo, num momento em que a nova ordem internacional exige respostas institucionais, econômicas e sociais”.

A abertura do evento internacional contou, entre outros nomes, com Gilmar Ferreira Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil; Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados do Brasil; Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil; Luis Felipe Salomão, vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça e coordenador académico da FGV Justiça no Brasil; Luís Manuel dos Anjos Ferreira, reitor da Universidade de Lisboa; Carlos Blanco de Morais, professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e coordenador científico do Lisbon Public Law Research Centre; Carlos Ivan Simonsen Leal, presidente da Fundação Getúlio Vargas, no Brasil; e Beto Simonetti, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil.

A equipe da Funcex, liderada pelo presidente Antonio Carlos da Silveira Pinheiro e integrada também pelo vice-presidente Miguel Lins, esteve presente na sessão de abertura e acompanhou diversos painéis ao longo da programação. Para a Fundação, a presença no Fórum integra uma estratégia de internacionalização que tem Portugal como plataforma de ligação entre o Brasil, a Europa, o Mercosul e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Antonio Carlos da Silveira Pinheiro afirmou que o encontro deve ser visto como uma oportunidade para “se falar mais sobre o Brasil, com conhecimento de Brasil” e para reforçar uma ação de internacionalização que, na sua leitura, passa “inexoravelmente pela porta de entrada da Europa, que é Portugal”.

Em entrevista concedida à Agência Incomparáveis durante o Fórum, o presidente da Funcex destacou que a escolha de Portugal no processo de internacionalização da Fundação não ocorreu apenas pela geografia, mas pelo papel do país na relação histórica, econômica e institucional com o Brasil.

“Escolhemos Portugal não só como porta de entrada, mas por aquilo que significa na relação Brasil-Portugal e pelo fato de ser plural na sua ação internacional”, afirmou Antonio Carlos da Silveira Pinheiro. Segundo este responsável, essa presença também aproxima a Funcex da CPLP, onde a instituição atua como observadora consultiva na dimensão institucional, além da ligação empresarial mantida através da Confederação Empresarial da CPLP.

O ponto central da avaliação de Antonio Carlos da Silveira Pinheiro foi a necessidade de ampliar a presença empresarial brasileira em espaços como o Fórum de Lisboa. O presidente da Funcex reconheceu a força institucional do encontro, com a participação de representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, mas afirmou sentir falta de uma representação mais consistente do setor produtivo.

“O Parlamento está aqui, o Judiciário está aqui, o institucional está aqui, mas sinto muita falta da presença empresarial brasileira”, declarou, sublinhando, no entanto, que a dimensão econômica do debate exige a presença de quem responde pela produção, pelo investimento, pela inovação e pelo valor agregado.

A leitura foi acompanhada pelo vice-presidente da Funcex, Miguel Lins, que também defendeu a presença empresarial como elemento central para transformar debates em acções concretas. Segundo ele, “o empresário é uma peça fundamental para o desenvolvimento dos negócios”, porque é quem conhece, na prática, as dificuldades, os custos, os entraves e as oportunidades do processo de internacionalização.

“É importante ter o arcabouço institucional e legal, mas o empresário é quem desenvolve os negócios”, afirmou Miguel Lins, ao referir que a participação do setor privado permite apresentar as “dores” reais enfrentadas pelas empresas.

Para Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, o Brasil precisa superar uma inserção internacional assente sobretudo em commodities e avançar para uma presença externa com mais tecnologia, serviços e produtos de maior valor acrescentado.

“O Brasil alimenta o mundo, mas o valor agregado está fora do nosso quadro. O défice da balança comercial de manufaturados é significativo”, afirmou, afirmando que o país dispõe de tecnologia no agronegócio, mas ainda enfrenta limitações em outros setores industriais e tecnológicos.

“Quando exporta, exporta em geral sem tecnologia. E isso limita a capacidade de desenvolvimento”, acrescentou.

“protagonismo isolado” foi afastado

Miguel Lins reforçou essa análise ao defender que a Funcex pode atuar como ponte entre conhecimento técnico e aplicação empresarial. Para o vice-presidente, a Fundação tem capacidade para produzir informação de qualidade, estudos, diagnósticos e alternativas que apoiem decisões públicas e privadas.

“A Funcex é uma entidade focada em comércio exterior e investimentos. Trabalha informação de qualidade, que serve para debater soluções e alternativas”, disse. Na visão de Miguel Lins, a atual liderança de Antonio Carlos da Silveira Pinheiro acrescenta a essa base técnica uma orientação para a ação empresarial, com o objetivo de “sair da teoria para a prática” e unir os dois vetores.

Ao falar sobre o papel da Funcex, Antonio Carlos da Silveira Pinheiro recusou a ideia de protagonismo isolado da instituição. Segundo o presidente, a vocação da Fundação é prestar serviço, dar suporte, viabilizar e funcionar como interface entre agentes públicos, privados, acadêmicos e institucionais.

“A Funcex não cria concorrência predatória e não tira a vez nem o protagonismo de ninguém”, afirmou o dirigente, que recordou ainda que a Fundação foi criada em 12 de março de 1976 e que a sua credibilidade resulta da rede formada por instituidores, conselheiros, mantenedores e apoiadores.

Maior participação das PMEs no Fórum

A mesma lógica foi desenvolvida por Miguel Lins, ao explicar que a Fundação pode contribuir para transformar ideias empresariais em projetos estruturados. Para o vice-presidente, a Funcex não apenas leva estudos aos empresários, mas também recolhe propostas do setor produtivo, analisa a sua viabilidade e identifica caminhos possíveis.

“É também pegar as ideias dos empresários e ajudar a viabilizar essas mesmas ideias. Há ideias que não são viáveis economicamente e há ideias que são viáveis. O empresário precisa estar bem fundamentado para fazer esse movimento”, afirmou. Na sua avaliação, a internacionalização exige trabalho “customizado”, com abordagem individualizada e setorial, para gerar inteligência aplicada às necessidades concretas das empresas.

Para Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, o fortalecimento do Fórum de Lisboa não depende apenas do aumento do número de participantes, mas da diversidade e da qualidade da representação presente, defendendo que a entrada mais consistente das pequenas e médias empresas brasileiras no debate internacional poderia ampliar os resultados práticos do encontro.

“Não temos de fortalecer o Fórum única e exclusivamente pelo número de participantes, mas pela qualidade. É necessária a presença da pequena e média empresa. A grande empresa já está internacionalizada. Quem precisa de apoio para se internacionalizar são as pequenas e médias empresas”, afirmou.

Miguel Lins acrescentou que a presença do empresário é ainda mais relevante porque a visão do setor público nem sempre coincide com a experiência concreta de quem opera no mercado.

“A Funcex faz essa interface entre setor privado e setor público. E, às vezes, o agente do setor público tem uma visão que nem sempre é a mesma visão que o empresário tem”, afirmou. Para o vice-presidente, esse papel de mediação pode tornar a Fundação um agente facilitador em agendas como energia, inteligência artificial, comércio exterior, investimentos e competitividade internacional.

Integração UE e Mercosul não é apenas sobre “tarifas”

Na análise de Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, a integração entre União Europeia e Mercosul não pode ser tratada apenas como uma questão de tarifas, exportações ou importações. Para o presidente da Funcex, está em causa um ambiente geoeconômico e geopolítico mais amplo, que exige olhar para investimento, serviços, intercâmbio, conhecimento e ações plurais. Na sua opinião, é necessária uma visão de médio e longo prazo. Com anos de experiência no mercado internacional, a atual liderança da Funcex alertou ainda que o Brasil não pode continuar preso a respostas imediatistas.

“Não é só um objeto comercial. Não é só exportar e importar. Não é só uma questão de tarifa”, afirmou.

Deixar papel de “país emergente”

Miguel Lins também chamou a atenção para a necessidade de avaliar condições concretas de internacionalização, incluindo o custo de capital. Segundo o vice-presidente da Funcex, a Europa pode oferecer alternativas mais competitivas às empresas brasileiras, num contraste com o ambiente de financiamento no Brasil.

“Quando se faz um movimento de internacionalização, há uma questão de custo de capital. Aqui na Europa, o custo de capital é muito competitivo, diferente do Brasil, onde o custo de capital é muito elevado”, afirmou. Para Miguel Lins, cabe identificar caminhos que permitam ao empresário ganhar eficiência e eficácia no processo de internacionalização.

No encerramento da sua avaliação, Antonio Carlos da Silveira Pinheiro comentou que a Funcex deve contribuir para que o Brasil deixe de atuar apenas como país emergente e avance para uma presença internacional mais estruturada.

O presidente da Funcex sustenta que a internacionalização brasileira depende de conhecimento, tecnologia, serviços, investimento e capacidade empresarial. Miguel Lins, por sua vez, afirmou que o Fórum de Lisboa oferece uma visão global de diferentes setores e permite identificar espaços nos quais a Fundação pode atuar como elo entre políticas públicas e iniciativa privada.

No XIV Fórum de Lisboa, a Funcex posicionou-se como uma instituição de “apoio à internacionalização brasileira, com Portugal como eixo estratégico para a Europa, o Mercosul e a CPLP”.

A mensagem deixada por Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, reforçada por Miguel Lins, foi direta: “em um encontro que reúne Estado, academia, justiça e sociedade civil, a presença empresarial não pode ocupar lugar secundário”.

“No comércio exterior, tratados abrem portas, mas são as empresas preparadas que atravessam fronteiras”, finalizaram os responsáveis pela Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais.

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