Jorge Jesus promete nova identidade para Portugal após assumir seleção

Novo selecionador nacional foi apresentado na Cidade do Futebol e afirmou que a equipa portuguesa terá uma ideia de jogo diferente da que vinha sendo aplicada por Roberto Martínez

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O novo selecionador nacional de futebol de Portugal, Jorge Jesus, à esquerda, e o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, à direita, posam com uma camisola da seleção portuguesa durante a apresentação oficial, após a assinatura de um contrato válido até 2030, na Cidade do Futebol, em Oeiras, Portugal, a 10 de julho de 2026. Jorge Jesus, de 71 anos, sucede ao espanhol Roberto Martínez. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
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O novo selecionador português de futebol, Jorge Jesus, afirmou, esta quinta-feira, em Oeiras, que pretende implementar uma identidade e uma ideia de jogo “completamente diferentes” na seleção nacional, em relação ao modelo utilizado pelo espanhol Roberto Martínez. O técnico, de 71 anos, foi apresentado oficialmente na Cidade do Futebol, numa cerimónia com o auditório lotado, perante convidados e funcionários da Federação Portuguesa de Futebol, que o aplaudiram.

“Se não jogarmos o dobro, fica tudo igual. A qualidade está cá e acredito muito na capacidade do nosso trabalho e dos jogadores, mas só isto não chega. A seleção é muito mais do que um clube e quem não partilhar a ideia, não tem hipótese. Todos temos de pagar o preço de querer ganhar. Vamos criar uma identidade e uma ideia de jogo que não tem nada a ver com a ideia que a seleção portuguesa tinha. Tenho uma forma completamente diferente de olhar para o jogo”, afirmou Jorge Jesus.

O sucessor de Roberto Martínez, que assinou contrato até ao Mundial de 2030, assumiu a responsabilidade do novo cargo e garantiu que chega à seleção com ambição de vencer. “Onde chego é para vencer e aqui é igual. Eu gosto de assumir a responsabilidade quando tenho a certeza de que tenho matéria-prima para desenvolver. Estou habituado a essa pressão, que se enquadra no que penso. Nós estaremos prontos para traçar o nosso caminho e para um desafio difícil, mas estou convencido de que vamos vencer”, declarou.

Jorge Jesus defendeu que treinar uma seleção não é “muito diferente” de orientar um clube e lembrou que já trabalhou, ao longo da carreira, com cerca de metade dos jogadores que integraram a convocatória portuguesa para o Mundial de 2026. O técnico mostrou-se também atento à renovação da equipa nacional, embora tenha sublinhado que o foco imediato está no presente.

“Acredito em todos e vão aparecer novos jogadores, de muita qualidade. Vou estar ainda mais inserido na evolução dos mais jovens, mas o mais importante agora é o presente. Da atual seleção, só seis jogadores têm acima de 30 anos e dois deles são guarda-redes. Não é uma equipa velha, a média de idades está nos 28 anos, é o melhor período do jogador. Não é por aí que a seleção vai ter problemas”, sustentou.

O novo selecionador desvalorizou antigas polémicas com Bernardo Silva, surgidas numa fase inicial da carreira do internacional português, garantindo que já falou com o jogador sobre o assunto. Questionado sobre a participação de Portugal no Mundial de 2026, Jorge Jesus recusou fazer uma análise detalhada ao trabalho anterior, por considerar que essa avaliação não lhe compete.

“O que Portugal fez não me compete a mim. Não é elegante da minha parte dizer o que poderia ter feito. O primeiro lugar do grupo era importantíssimo. Já se sabia a calendarização e não é a mesma coisa jogar contra a Espanha ou contra a Suíça. Faria tudo para ser o primeiro classificado do grupo, mas o resto não quero entrar por aí”, afirmou.

Jorge Jesus encontrava-se livre desde Maio, depois de deixar o Al Nassr, clube com o qual conquistou o campeonato saudita pela segunda vez, repetindo o feito alcançado em 2023/24 ao serviço do Al Hilal. No plantel do Al Nassr estavam os internacionais portugueses Cristiano Ronaldo e João Félix.

Com quase quatro décadas de carreira como treinador, iniciada em 1989/90 no Amora, então na III Divisão, Jorge Jesus assume pela primeira vez o comando técnico de uma seleção. Ao longo do percurso, orientou clubes como Felgueiras, União da Madeira, Estrela da Amadora, Vitória de Setúbal, Vitória de Guimarães, Moreirense, União de Leiria, Belenenses, Sporting de Braga, Benfica, Sporting, Al Hilal, Flamengo, Fenerbahçe e Al Nassr.

No currículo, o treinador soma uma Taça Libertadores e um Brasileirão pelo Flamengo, três títulos de campeão português pelo Benfica, uma Taça de Portugal, seis Taças da Liga, uma delas pelo Sporting, duas Supertaças Cândido de Oliveira e uma Taça da Turquia. ■

Agência Incomparáveis, com Lusa

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