Luso-venezuelanos avançam com reconstrução do Centro Português de Punto Fijo

Comunidade pretende recuperar espaço histórico da diáspora portuguesa no estado venezuelano de Falcón, afetado pela crise e pela saída de emigrantes, inclui novo plano arquitetónico e reforço da segurança após vários assaltos registados nas instalações

Centro Português de Punto Fijo, na península de Paraguaná, a mais de 500 quilómetros de Caracas. Foto: divulgação
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Um grupo de lusodescendentes residentes em Punto Fijo decidiu avançar com a reconstrução do Centro Português de Punto Fijo, uma instituição que nos últimos anos enfrentou dificuldades provocadas pela crise económica e pela saída de muitos membros da comunidade portuguesa no país.

A iniciativa surge num momento em que a comunidade local procura preservar um espaço que durante décadas foi um ponto de encontro cultural, religioso e social para os portugueses e luso-descendentes na península de Paraguaná, situada a cerca de 530 quilómetros a oeste de Caracas. 

Para concretizar a recuperação do clube, foi criada uma comissão responsável por desenvolver um novo projeto arquitetónico e avaliar medidas de reforço da segurança das atuais instalações, que recentemente foram alvo de incursões criminosas que danificaram parte das estruturas e condicionaram algumas atividades, incluindo celebrações religiosas. 

José Tavares, membro da junta de reestruturação do clube, explicou que a deterioração do espaço está diretamente ligada à crise política, económica e social que atingiu a Venezuela e provocou a saída de muitos portugueses.

“Devido à situação no país, o nosso Centro Português de Punto Fijo, tal como outras instituições, foi-se deteriorando. Muitos portugueses e os seus filhos tiveram de abandonar a Venezuela e o clube ficou um pouco abandonado”, afirmou.

O responsável sublinhou que a comunidade está determinada em recuperar o património construído pelas gerações anteriores: “Há 38 anos que os nossos pais e avós decidiram fundar esta casa, um cantinho de Portugal em Paraguaná, com a esperança de que perdurasse ao longo do tempo. Queremos que isto não se perca, queremos que os nossos filhos e netos deem continuidade a este cantinho”, declarou.

Natural dos Açores, José Tavares acrescentou que muitos luso-venezuelanos continuam ligados às tradições portuguesas apesar das dificuldades e da dispersão da comunidade: “Levamos essa dualidade no nosso coração e não a queremos perder. Chegou a hora de salvar o Centro Português. Vai ser difícil, mas vamos conseguir, com o apoio de toda a comunidade”, sublinhou.

O dirigente apelou também ao apoio institucional de Portugal para ajudar na recuperação da infraestrutura: “Talvez o governo português possa ajudar mais as instituições, sobretudo as das regiões do interior do país. A comunidade portuguesa não está apenas em Caracas, Valência e Maracay; há portugueses e luso-venezuelanos inclusive em localidades pequenas do interior do país que precisam de apoio”, disse.

Também o presidente do clube, Ricardo Rodrigues, recordou que o Centro Português foi alvo de vários assaltos no final de 2025, situação que agravou a necessidade de intervenção no espaço.

“Faço um apelo a toda a comunidade para que se aproxime, que lutemos juntos pelo Centro Português. Vamos recuperá-lo, ter boas instalações. Queremos que volte a ser uma referência”, afirmou.

O dirigente recordou ainda os primeiros anos da instituição, quando as famílias portuguesas angariavam fundos para erguer as paredes do clube que viria a tornar-se um dos principais pontos de encontro da comunidade lusa na região.

Embora atualmente não existam dados oficiais detalhados sobre o número de portugueses e lusodescendentes residentes em Punto Fijo ou na península de Paraguaná, vários representantes da comunidade falam na presença de vários milhares de empresários e profissionais ligados à atividade económica local, beneficiando do estatuto de zona franca e da presença de importantes refinarias de petróleo na região. 

Criado na década de 1980 por emigrantes portugueses e luso-descendentes, o Centro Português de Punto Fijo tornou-se, ao longo dos anos, um importante espaço de convívio e preservação das tradições culturais da comunidade portuguesa naquela região da Venezuela.  ■

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