“Nenhum autor deve enfrentar sozinho os desafios da escrita e da publicação”

Articuladora internacional e responsável pela “Suíça Literatura Network”, Linia Brandt destacou o papel da escrita na preservação da língua portuguesa, no combate ao isolamento de escritores independentes e na valorização de histórias de superação, sublinhando a importância de criar redes internacionais de apoio e visibilidade para autores lusófonos

28
Linia Brandt, responsável pela “Suíça Literatura Network”. Foto: Agência Incomparáveis
- Publicidade -

A escritora, empresária e articuladora internacional Linia Brandt destacou o papel da literatura enquanto “ferramenta de transformação social, preservação da língua portuguesa e promoção de novos autores”.

Em entrevista à Agência Incomparáveis durante a Feira do Livro de Lisboa 2026, que decorreu no Parque Eduardo VII entre os dias 27 de maio e 14 de junho, Linia Brandt falou sobre o trabalho desenvolvido pela revista “Brasil Conexão Europa” e pelo Clube Internacional Suíça Literatura Network, entidades das quais é CEO e, através delas, promove projetos de apoio a escritores, artistas, empreendedores e comunidades lusófonas em diferentes países.

Radicada em Genebra há 27 anos, esta responsável explicou que o seu trabalho ultrapassa as fronteiras da Suíça e procura criar pontes entre pessoas de diferentes origens, promovendo a inclusão através da cultura, da literatura e da partilha de experiências.

Ao apresentar a missão da revista “Brasil Conexão Europa”, comentou sobre a aposta na visibilidade de projetos e profissionais de diferentes áreas.

“Eu tenho uma revista que se chama ‘Brasil Conexão Europa’, que ela dá abertura, visibilidade a todos que precisam, em todos os nichos, empreendedores, artistas, escritores”, explicou.

Já relativamente ao Clube Internacional Suíça Literatura Network, Linia Brandt sublinhou que o objetivo passa por promover uma literatura com impacto social e humano.

“Nós estamos aqui com o nosso clube, Suíça Literatura Network, que é um clube internacional em prol da literatura. Mas qual literatura? Na literatura que salva, na literatura também para abrir caminho para o que é preciso ser dito, os problemas sociais que nós enfrentamos e, principalmente, com as mulheres”, salientou Linia, que recordou que uma parte significativa do trabalho desenvolvido pela rede tem incidido sobre temas relacionados com a condição feminina, dando voz a mulheres que enfrentaram situações difíceis e que encontraram na escrita uma forma de superação.

“Lançamos algumas antologias, inclusive, participamos de uma antologia sobre violência doméstica, que conta a história de mulheres que sofreram violência. Mas não é só isso, porque contar só não importa. Importa saber como foi que essas mulheres saíram”, referiu.

A partir da sua própria experiência enquanto emigrante, Linia Brandt explicou que conhece de perto muitos dos desafios enfrentados por mulheres que vivem fora do seu país de origem. Nesse contexto, defendeu a importância de quebrar o silêncio e procurar apoio quando necessário.

“Eu estou aqui para dizer e aceito ser convidada a falar que você não está sozinha, tem várias formas de sair e, às vezes, não tem vergonha. Não tem vergonha de dizer, eu preciso de ajuda”, declarou.

Para esta dirigente, a literatura pode desempenhar um papel relevante na identificação e no apoio a quem atravessa situações semelhantes.

“Essa literatura, apoiada às redes sociais, é importante para que a mulher pegue esse livro e diga, ‘olha, eu também estou vivendo isso, eu estou passando por isso, olha, como foi que ela saiu, como foi que eu vou sair’”, acrescentou.

Questionada sobre o significado da sua presença na Feira do Livro de Lisboa, Linia Brandt admitiu viver uma experiência particularmente especial, uma vez que este ano participou não apenas como autora, mas também como promotora de um grupo de escritores.

“Eu estive aqui o ano passado como escritora e foi realmente um imenso prazer de trazer os meus livros para aqui e fiz o autógrafo aqui, mas esse ano tem um gostinho especial porque eu estou aqui não só como escritora, mas também como representante do Clube Internacional Suíça Literatura Network e que nós trouxemos os escritores para aqui”, salientou.

Linia referiu ainda o significado da presença da rede que lidera no espaço dedicado aos pequenos editores e autores independentes.

“Este ano foi muito difícil porque a organização da feira reuniu alguns autores independentes e pequenas editoras e nós estamos aqui no espaço ‘Pequenos Editores’, justamente que recebeu a Suíça Literatura Network”, explicou.

Ao abordar a importância de aproximar escritores lusófonos de diferentes países, Linia Brandt destacou a preservação da língua portuguesa como uma das principais motivações do projeto.

Foto: Agência Incomparáveis

“A língua portuguesa é a nossa herança, a língua mãe”, afirmou, defendendo a necessidade de unir esforços para garantir a continuidade desse património cultural.

“É importante sim nos unirmos para poder dar continuidade não só à nossa língua, para os nossos filhos, os nossos netos. Então a língua é nosso patrimônio e nós devemos preservá-la”, acrescentou.

A dirigente explicou também que uma das missões centrais da Suíça Literatura Network passa por criar oportunidades para escritores que ainda não encontraram espaço para publicar ou divulgar os seus trabalhos.

“O clube Suíça Literatura Network veio para justamente mostrar aquele pequeno escritor que ele pode, aquela pessoa que está com sua história guardada na gaveta ou mesmo na cabeça e que não sabe como fazer para poder lançar um livro. Nós estamos aqui e nós estamos apoiando”, referiu.

Foto: Agência Incomparáveis

Questionada sobre a dimensão da participação da rede na Feira do Livro de Lisboa, Linia Brandt revelou que a iniciativa reuniu um número significativo de autores.

“Aqui nessa feira nós temos cerca de 20 escritores que passaram por sessões de autógrafos”, indicou, recordando ainda que a programação incluiu apresentações em diferentes espaços do certame, como a Praça Azul.

Para Linia Brandt, os números alcançados representam um resultado particularmente positivo, sobretudo tendo em conta o trabalho que tem vindo a desenvolver na Suíça.

“Na Suíça eu reuni este ano 98 escritores, entre antologias e obras solo. E este ano aqui está no espaço, justamente colaborando, que nós fomos aceitos no espaço dos ‘Pequenos Editores’, e diversos escritores para a gente é uma grande vitória”, destacou.

Por fim, deixou uma mensagem dirigida aos autores que procuram iniciar um percurso literário, incentivando-os a procurar apoio e a não desistir das suas histórias.

“A minha mensagem é conheça o nosso trabalho”, afirmou, sublinhando que o clube disponibiliza um espaço de acolhimento gratuito para escritores interessados em desenvolver os seus projetos.

“Nós temos, primeiro, um grupo em que recebemos todos os escritores, entrem em contacto com a gente pelas redes sociais, e vocês vão entrar gratuitamente. Então, não tem nenhum custo de participar, de se unir justamente nesse grupo, nesse clube à primeira vista”, explicou.

Além disso, valorizou a realização de novas iniciativas de promoção literária.

“Venham participar das nossas antologias. Se você tem uma história que você não sabe como contar, procura a gente. E estaremos com o fórum que vai ser o Fórum Internacional Literatura e Cultura, e que todos podem participar”, anunciou.

Foto: Agência Incomparáveis

Para concluir, Linia Brandt enfatizou a ideia de que nenhum autor deve enfrentar sozinho os desafios da escrita e da publicação.

“Então, a mensagem é que você não está sozinho. Eu comecei como você, a minha história estava guardada. Eu querendo saber como fazer e não sabia. Nós sabemos, nós vamos dizer como você pode tirar a sua história da sua gaveta ou da sua cabeça”, finalizou. ■

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.