Opinião: “Conexões que atravessam fronteiras: quando comunicar bem transforma ideias em negócios internacionais”

“Da experiência entre Brasil, Portugal, Suíça, França e Itália, percebi que internacionalizar uma ideia exige mais do que presença física noutro país; exige comunicação, adaptação, confiança e capacidade para transformar encontros em relações com continuidade”

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Mônica Maciel, especialista em Comunicação Estratégica e Oratória, palestrante internacional, empresária e idealizadora do movimento “Destrave Sua Voz”. Foto: divulgação/arquivo pessoal
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Ao longo dos últimos anos, a minha trajetória profissional levou-me a diferentes mercados e mostrou-me que negócios internacionais não começam num contrato, numa venda ou numa assinatura. Começam numa conexão. Essa conexão pode nascer numa conversa, numa palestra, num evento, num café ou até num contacto através das redes sociais. O ponto de partida varia, mas existe um elemento constante: a forma como comunicamos influencia diretamente as oportunidades que conseguimos construir.

Trabalho há anos com comunicação estratégica, oratória, posicionamento profissional e desenvolvimento de negócios. Nesse percurso, percebi que muitas pessoas têm conhecimento, experiência, produtos e serviços com valor, mas encontram dificuldades quando precisam de apresentar aquilo que fazem, defender uma ideia, negociar ou posicionar-se num novo ambiente. Foi precisamente ao levar o meu trabalho para outros países que compreendi uma dimensão ainda maior deste desafio: comunicar internacionalmente não significa apenas traduzir palavras. Significa compreender culturas, ritmos, códigos profissionais e formas diferentes de construir confiança.

Portugal, Suíça, França e Itália foram trazendo aprendizagens distintas. Em Lisboa, percebi a importância de adaptar a comunicação sem perder identidade. Na Suíça, compreendi ainda mais o peso da consistência, da organização e da credibilidade. Em França, observei como diferentes contextos exigem diferentes formas de aproximação. Mais recentemente, Milão representou um passo importante nessa expansão.

Levar o “Destrave Business Milano” para Itália permitiu-me concretizar uma visão que vinha amadurecendo: criar espaços onde comunicação, negócios, empreendedorismo e networking se encontrem de forma prática. A primeira edição reuniu empresários brasileiros e italianos e mostrou-me, mais uma vez, que o valor de um encontro não está apenas no número de participantes, mas na qualidade das relações que começam ali. Algumas conversas podem transformar-se em parcerias, projetos ou negócios. Outras podem abrir portas que ainda nem sabemos que existem.

Foi também em Milão que confirmei algo em que acredito cada vez mais: networking não é acumular contactos. É construir relações que façam sentido. Muitas pessoas entram num novo mercado concentradas apenas em vender. Mas, antes de apresentar um produto ou serviço, é preciso ouvir. Entender quem já atua naquele espaço, quais são os desafios, quem toma decisões, como as relações são construídas e de que forma podemos acrescentar valor.

A experiência internacional também transformou a forma como vejo os meus próprios projetos. O “Destrave Sua Voz” nasceu muito ligado à comunicação e à oratória, mas ganhou outras dimensões à medida que começou a circular por diferentes países. Hoje, vejo a comunicação como uma ferramenta de liderança, negociação, vendas, posicionamento e internacionalização. O “Destrave Business” surge precisamente dessa evolução, com a proposta de aproximar profissionais, empresas, culturas e oportunidades.

Não quero apenas levar eventos para diferentes países. Quero expandir ideias. Quero mostrar que uma voz preparada pode ocupar novos espaços, que um empresário pode criar relações internacionais quando aprende a comunicar com clareza e que uma conexão certa pode abrir caminhos que nenhuma campanha isolada conseguiria construir. Vivemos numa época em que nunca foi tão fácil contactar pessoas em qualquer parte do mundo, mas contacto não significa conexão. Podemos ter milhares de seguidores e poucas relações reais. Podemos participar em dezenas de eventos sem criar uma única parceria. Podemos falar muito e, ainda assim, não comunicar aquilo que realmente fazemos.

Por isso, acredito que a comunicação estratégica será cada vez mais decisiva para quem pretende atuar em diferentes mercados. É ela que permite apresentar uma ideia com clareza, estabelecer autoridade, negociar, adaptar uma mensagem e construir confiança. A minha experiência entre Brasil, Portugal, Suíça, França e Itália ensinou-me que internacionalizar não é apenas aumentar geografias. É ampliar possibilidades.

Uma relação iniciada num país pode gerar uma parceria noutro. Um contacto feito em Lisboa pode continuar em Genebra. Uma conversa em Milão pode resultar numa nova edição, numa colaboração ou num negócio. É essa expansão que me interessa: não apenas estar em mais lugares, mas criar mais possibilidades entre eles.

Internacionalizar uma ideia significa permitir que ela atravesse fronteiras sem perder a sua essência. Exige preparação, leitura cultural, respeito e capacidade de adaptação. E exige compreender que a comunicação não termina quando deixamos de falar. Ela continua na forma como escutamos, cumprimos compromissos, tratamos as pessoas e mantemos relações ao longo do tempo.

Foi isso que esta caminhada internacional me ensinou. Conexões não se constroem apenas com viagens ou agendas preenchidas. Constroem-se com presença, clareza, escuta e confiança. E, muitas vezes, é precisamente daí que nasce um negócio. ■

Mônica Maciel

Especialista em Comunicação Estratégica e Oratória, palestrante internacional, empresária e idealizadora do movimento “Destrave Sua Voz”, iniciativa que já impactou mais de 7.500 alunos no Brasil e na Europa, promovendo a comunicação como ferramenta de liderança, posicionamento e transformação profissional

*Os artigos de opinião são de inteira responsabilidade dos seus autores e não refletem, necessariamente, a visão do nosso órgão de comunicação social

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