Opinião: “Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas”, por Francisco Gomes da Costa

“A força da nossa língua e da nossa gente”

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Francisco Gomes da Costa, presidente da Associação Luís de Camões. Foto: divulgação
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10 de junho é o dia consagrado à identidade portuguesa e às virtudes intemporais que nela se encerram. A audácia dos navegadores portugueses projetou a alma lusa para além dos horizontes conhecidos, lançando pontes entre os quatro cantos da Terra. Portugal tornou-se, assim, um nome sonoro e universal, cuja voz ecoou nas nações que ajudou a erguer e a florescer. Para além das complexidades e das dores que a história registra, desse encontro de culturas germinou um legado imaterial — uma comunidade universal que se reconhece na força dos seus afetos e na riqueza de suas tradições.

A ideia de cantar, em versos, a trajetória de um povo que se lançou ao mar, enfrentou perigos e atravessou oceanos desconhecidos, deu origem a uma das maiores obras da literatura universal. Camões com Os Lusíadas, não nos deixou apenas a história dos nossos antepassados; ele imortalizou a nossa língua e a nossa capacidade de ir mais longe. Camões personifica o espírito de coragem, de abertura ao mundo e de superação que está no coração de cada um de nós.

Na moldura da história lusitana, a celebração do dia 10 de Junho não estaria completa sem falar das nossas Comunidades. Portugal não se esgota nas fronteiras que o mar desenhou na Europa. Portugal está vivo em cada canto do globo. Está nos nossos emigrantes que, com trabalho árduo e resiliência, construíram vidas longe de sua terra natal sem nunca esquecer suas raízes. Esta dispersão fez-nos universais. Onde quer que exista um português, existe um pedaço da nossa cultura, da nossa gastronomia e, acima de tudo, da nossa língua, que hoje nos une e nos fortalece.

Aqui no Brasil, e em todo mundo, os portugueses e lusodescendentes são pontes entre nações. Acolhemos o novo, mas honramos o passado. A nossa comunidade é dinâmica, empreendedora e prova viva de que a nossa pátria não é apenas um território geográfico, mas um sentimento e uma herança partilhada.

Neste tempo de profundas transformações sociais, culturais e tecnológicas, cumpre às nossas lideranças preservar e projetar esta comunidade lusófona, alicerçada nos valores que formaram Portugal e ajudaram a moldar outros povos, fazendo da língua portuguesa um instrumento de aproximação, inovação e criação de oportunidades para as novas gerações.

O mundo contemporâneo impõe novos desafios a Portugal na sua relação com o exterior. A globalização e os fluxos migratórios atuais pedem que os laços históricos se traduzam em ações concretas de acolhimento, reciprocidade e cooperação cultural e econômica, consolidando o espaço lusófono como um bloco de solidariedade, desenvolvimento partilhado e voz ativa na governança global.

Neste 10 de junho, recordemos a grandiosidade da nossa poesia e no valor inestimável da nossa gente. Que a coragem de Camões continue a inspirar os nossos passos e que possamos, juntos, continuar a levar o nome de Portugal mais longe. ■

 

Francisco Gomes da Costa

Presidente da Associação Luís de Camões

*Os artigos de opinião são de inteira responsabilidade dos seus autores e não refletem, necessariamente, a visão do nosso órgão de comunicação social

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