Opinião: “Mercosul, União Europeia e CPLP: uma agenda de oportunidades para as empresas brasileiras”, por Antonio Carlos da Silveira Pinheiro

“A Funcex seguirá conectando mercados, preparando pequenas e médias empresas e ampliando a cooperação entre Brasil, Portugal e a CPLP”

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Antônio Carlos da Silveira Pinheiro, presidente da Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex). Foto: Agência Incomparáveis
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O período de férias na Europa também pode ser um momento para refletir e planejar. Muitas decisões empresariais começam quando encontramos tempo para avaliar novos mercados, revisar estratégias e identificar caminhos para crescer. Em um cenário internacional marcado por mudanças nas cadeias produtivas, novas exigências regulatórias e maior concorrência, o planejamento deixou de ser apenas uma etapa administrativa e passou a ocupar um lugar central na internacionalização das empresas.

Na Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex) continuaremos dedicando atenção ao Acordo Mercosul-União Europeia, cuja aplicação comercial provisória teve início em maio de 2026. Esse novo contexto pode abrir uma etapa nas relações econômicas entre Brasil e Portugal, que reúne condições para atuar como plataforma de entrada de empresas brasileiras no mercado europeu, sendo uma porta gigantesca de oportunidades para novos cenários geográficos distantes do novo mundo.

Precisamos preparar o setor produtivo, especialmente as pequenas e médias empresas, para compreender as oportunidades, as regras de origem, os padrões técnicos, as exigências ambientais e os procedimentos necessários para competir nesse espaço econômico.

O nosso trabalho também continuará voltado à aproximação entre a União Europeia, o Mercosul e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Aliás, a CPLP constitui uma rede que pode ampliar a circulação de conhecimento, serviços, investimentos e soluções empresariais entre diferentes continentes. A Funcex pretende contribuir com inteligência comercial, capacitação, articulação institucional e apoio técnico para transformar afinidades históricas e linguísticas em projetos, parcerias e negócios, sem deixar de lado o nosso conhecimento na área da internacionalização e dos investimentos.

Queremos fortalecer a presença do Brasil em Portugal e no mercado europeu de forma qualitativa e efetiva, sobretudo, dando suporte às empresas, instituições, projetos e oportunidades ao ambiente econômico brasileiro. Uma ponte que deve funcionar nos dois sentidos, aproximando empreendedores, governos e investidores.

O próximo ciclo exigirá preparação e presença internacional. É nesse trabalho que a Funcex continuará concentrada. A Funcex é hoje oficialmente “Observador Consultivo da CPLP”, uma decisão que permitirá à nossa Fundação atuar de forma ainda mais permanente nesse universo.

A colaboração entre a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e os seus Observadores Consultivos, segundo orientação da própria CPLP, não deve limitar-se à participação em reuniões institucionais. As entidades podem contribuir para a promoção da língua portuguesa e para as diferentes áreas de cooperação da organização, desde que as iniciativas estejam alinhadas com a visão estratégica, os planos setoriais, o programa da presidência e as decisões adotadas pelos órgãos da CPLP.

O modelo previsto permite a troca de informações, a realização conjunta de projetos, atividades e eventos, bem como o cofinanciamento de programas. O “Fundo Especial da CPLP” também pode apoiar projetos apresentados pelos Observadores Consultivos, mediante o cumprimento das regras aplicáveis e a celebração de protocolos que definam as responsabilidades financeiras das entidades envolvidas.

As Comissões Temáticas ocupam uma posição central nesta estrutura. Ao reunirem organizações com competências comuns, podem promover a partilha de experiências, identificar práticas aplicáveis aos Estados-membros e desenvolver projetos com financiamento e capacidade de execução. Para que cumpram esta função, precisam de coordenação, reuniões periódicas, planos anuais de atividades e iniciativas públicas que permitam divulgar os resultados alcançados.

O desafio está em converter o estatuto de Observador Consultivo numa participação regular e mensurável. A articulação com o Secretariado Executivo, a circulação de informação e o acompanhamento das decisões políticas podem aproximar as instituições da sociedade civil, das empresas, das universidades e das comunidades. A CPLP ganhará capacidade de intervenção se os seus Observadores Consultivos forem tratados como parceiros na conceção e execução de soluções para o espaço de língua portuguesa. Sendo assim, a Funcex goza de plenas condições para ser ainda mais útil, mas sistemática no fortalecimento da entidade lusófona, mas também no caso do fortalecimento de quem caminha ao nosso lado. ■

Antonio Carlos da Silveira Pinheiro

Presidente da Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex)

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