Opinião: “Na hora da despedida”, por Francisco Gomes da Costa

“Senhor Embaixador Luís Faro Ramos, nestes cinco anos em que esteve à frente da Embaixada de Portugal em Brasília houve significativos avanços nas relações luso-brasileiras. E muitos desses avanços devem-se indiscutivelmente ao seu trabalho eficiente, um interlocutor de extrema confiança e energia, sempre disposto a trabalhar com vigor pelo adensamento do diálogo e da cooperação entre o Brasil e Portugal”

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Francisco Gomes da Costa, presidente da Associação Luis de Camões, no Rio de Janeiro
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O tempo é inexorável. Muitos dos que estão aqui já nos despedimos de vários embaixadores de Portugal. Lembramos António Franco, Francisco Seixas da Costa, João Manuel Salgueiro, Francisco Ribeiro Telles, Jorge Cabral e a eles se junta agora o Emb. Luis Faro Ramos. A enumeração de tantos diplomatas da linha de frente comprova, por um lado, que já temos uma longa estada no Brasil, fomos partícipes de seu desenvolvimento nas últimas décadas, e, por outro, evidencia o quanto sabemos manter nossos valores e prestigiar, em nome de Portugal, aqueles que pelo cargo e pela representação lhe merecem o tributo da estima e as honras da homenagem.

No Brasil, sempre fomos diferentes, porque nos moveu no passado e ainda nos move no presente, o desejo de marcar a presença de Portugal e de envolver os brasileiros nossos amigos num “espírito” de missão que é impulsionado, livre dos partidos e dos regimes políticos, pela vontade de servir a Pátria e de enriquecer, com o nosso trabalho e a nossa maneira de estar, as relações entre os dois países.

Essa diferença é que deixou na alma dos embaixadores que serviram no Brasil e foram ocupar postos idênticos em terra alheia, ou exercer outras funções no Ministério dos Negócios Estrangeiros, vivas recordações não só deste país admirável e de sua gente – o que é absolutamente natural pelo que têm de sedução, de encantamento e de afabilidade – mas também da chamada “colônia” portuguesa, com a qual, cada um de acordo com sua personalidade e com as circunstâncias, conviveu e partilhou objetivos comuns.

Mas também de nossa parte – e, independentemente do período em que exerceram o seu múnus diplomático, dos êxitos obtidos e dos contratempos enfrentados – não esquecemos os antigos embaixadores, porque todos eles tiveram a noção exata da importância do trabalho da comunidade para a presença de Portugal no Brasil e o seu papel como êmbolo do relacionamento luso-brasileiro.

Às vezes, alguns deles tiveram de contrapor aos interesses transitórios dos políticos, os princípios permanentes de uma comunidade que se orgulhava de dizer que “o nosso partido era Portugal”; às vezes, foi preciso lembrar aos governos o que são e o que significam no Brasil o patrimônio e a ação associativa de raiz portuguesa; às vezes, foi até preciso lembrar aos portugueses do outro lado do Atlântico que durante 150 anos o Brasil acolheu os que para aqui vieram e que não era justo que Portugal, por causa da “fortaleza da Europa” ou dos compromissos da Convenção de Schengen, esquecesse a História e levantasse restrições à entrada de brasileiros.

E todos os embaixadores não hesitaram fazer ponderações ao governo quando se impunha defender diretrizes que tinham a ver com as posições dos portugueses do Brasil, com a sua unidade, com as suas associações, com a sua autonomia e com as suas diferenças perante outras comunidades.

O Emb. Luis Faro Ramos, que deixa agora suas funções em Brasília, junta-se a essa pléiade de diplomatas e estamos certos de que tal como seus antecessores não esquecerá também o Brasil, com toda a sua magia, nem os brasileiros, com o seu generoso acolhimento de família e nem os portugueses aqui residentes naquilo que eles têm de melhor, na sua devoção a Portugal e de respeito aos valores deste país.

Mas nada alterará o rumo e os azimutes da rota. E quando vemos cada vez mais brasileiros envolvidos nesse movimento associativo, por gosto da cultura, da língua, da solidariedade, da música, do desporto, da convivência ou do folclore, mais certos estamos de que mudam os tempos e mudam os homens, mudam as ideologias e os governos, mudam os regimes e as circunstâncias, mas não muda a nossa determinação de construir “pontes” sobre o Atlântico – e não são pontes com bandeiras efêmeras e desbotadas, porque são pontes construídas com os pendões de duas Pátrias eternas: o Brasil e Portugal.

Senhor Embaixador Luís Faro Ramos, nestes cinco anos em que esteve à frente da Embaixada de Portugal em Brasília houve significativos avanços nas relações luso-brasileiras. E muitos desses avanços devem-se indiscutivelmente ao seu trabalho eficiente, um interlocutor de extrema confiança e energia, sempre disposto a trabalhar com vigor pelo adensamento do diálogo e da cooperação entre o Brasil e Portugal.

Queremos agradecer-lhe tudo aquilo que fez, a sua disponibilidade para acolher os pleitos que lhe submetemos e a amizade pessoal com que nos distinguiu.

Assim sendo, e interpretando o sentimento de todos, queremos desejar-lhe, bem como à D. Cristina e à toda a Família, as maiores Felicidades e dizer-lhes que ficamos no Brasil sempre ao seu dispor e com saudades.  ■

 

Francisco Gomes Da Costa

Presidente da Associação Luis de Camões no Rio de Janeiro

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