
“Os oceanos separam os territórios; a arte une as almas”.
Alguns acontecimentos são anunciados não pelo ruído que geram, mas pelo silêncio que deixam. A primeira viagem de Mário Moita à Argentina foi um deles. Não foi apenas a chegada de um cantor português. Foi a chegada de uma voz capaz de unir duas margens do Atlântico através da emoção, da memória e daquele sentimento profundo a que os portugueses chamam saudade.

A convite do Club Português del Gran Buenos Aires, Moita fez um recital inesquecível para mais de 400 pessoas. Com a elegância discreta dos maiores intérpretes e acompanhado apenas por um piano, transformou cada fado numa ponte entre Lisboa e Buenos Aires. A sua carreira, marcada pelo respeito pela música portuguesa e por uma interpretação íntima e profunda, encontrou na nossa comunidade um público que não ouviu apenas música: ouviu as suas próprias memórias.

Na manhã de domingo, 12 de julho, antes do festival, deu uma calorosa entrevista ao programa Terra Lusitana, o histórico programa de rádio que celebrará o seu aniversário em setembro. Durante 25 anos, partilhou a vida institucional, cultural e social do Club Português del Gran Buenos Aires e de toda a comunidade portuguesa na Argentina. Deixou também a sua marca, porque as palavras, quando nascem do coração, são outra forma de cantar.
A celebração também se falou através dos sabores. Os chorizos à portuguesa abriram a mesa; a cazuela de marisco com arroz evocou o mar que une a nossa história; e o frango com salada mista completaram um encontro onde a gastronomia e a cultura caminharam de mãos dadas.
O fado não pede autorização para entrar. Acomoda-se no silêncio, conversa com as memórias e floresce onde um português guarda a chave da sua terra natal. Nessa tarde, no Club Português del Gran Buenos Aires o tempo parou. Portugal não estava a doze mil quilómetros de distância: estava numa melodia, nos aplausos e em mais de 400 corações que batiam ao mesmo ritmo.

A primeira visita de Mário Moita à Argentina faz agora parte da memória coletiva da nossa comunidade. Porque os concertos terminam, os aplausos abrandam e as luzes do palco apagam-se. Mas alguns momentos ficam para sempre gravados na alma de um povo. ■
Víctor Manuel Rodrígues Passos Estanqueiro
Presidente da Federação das Associações Portuguesas da Argentina
Presidente do Clube Português da Grande Buenos Aires
*Os artigos de opinião são de inteira responsabilidade dos seus autores e não refletem, necessariamente, a visão do nosso órgão de comunicação social







Parabéns Mário Moita…és um grande ícone da música portuguesa a encontrar outros tons mundo afora!
Obrigada .Victor !! Felicitaciones !! por el gran trabajo .estar conectado con la música ,nuestras raices .Abrasar dos banderas….dé dos países ,qué amamos..!!!! gracias por acercarnos a nuestro Portugal. ..Saudades da Nossa Terra..