Paraguai recebe assinatura histórica do acordo Mercosul-União Europeia após reunião prévia de Lula com líderes europeus no Rio

Cerimónia oficial acontece em Assunção no sábado, encerrando mais de 25 anos de negociações. Antes da assinatura, na sexta-feira, Lula reúne-se no Rio de Janeiro com Ursula von der Leyen e António Costa para alinhar os próximos passos do pacto

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Sala de Convenções do Banco Central do Paraguai receberá cerimónia no próximo sábado, dia 17. Foto: divulgação
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O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia será oficialmente assinado no próximo sábado, 17 de janeiro, no Gran Teatro José Asunción Flores, no Banco Central do Paraguai, em Assunção. 

A cerimónia marca um momento histórico para o bloco sul-americano, após mais de duas décadas de negociações. 

A assinatura do pacto, na capital paraguaia, consolida o entendimento considerado o mais relevante já alcançado pelo Mercosul em termos de acesso a mercados. 

O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, que exerce a presidência pro tempore do bloco, classificou o acordo como um marco no relacionamento externo do Mercosul.

O Banco Central do Paraguai, palco da cerimónia, tem forte simbolismo histórico: foi ali que, em 1991, foi assinado o Tratado de Assunção, documento fundador do Mercosul. 

Trinta e cinco anos depois, o país volta a receber os líderes regionais e europeus para selar uma associação estratégica que integrará um mercado de cerca de 800 milhões de habitantes, representando aproximadamente um quarto do PIB mundial.

A cobertura mediática internacional estará concentrada em Assunção, onde chefes de Estado, ministros das Relações Exteriores do Mercosul e representantes da União Europeia participarão na cerimónia oficial de ratificação.

Antes disso, porém, o Brasil desempenha um papel central na articulação final do processo: nesta sexta-feira, no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, Lula recebe a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. 

O encontro antecede a viagem das autoridades europeias ao Paraguai e visa discutir a agenda internacional bem como alinhar os detalhes políticos e institucionais da implementação do acordo.

Segundo o governo brasileiro, a parceria criará uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de habitantes e um PIB combinado estimado em mais de 20 trilhões de dólares. 

A implementação, contudo, será gradual, com impactos económicos esperados ao longo dos próximos anos.

Apesar da celebração oficial, o acordo ainda enfrenta resistências em alguns países europeus, sobretudo de setores agrícolas e ambientalistas. 

Ainda assim, a assinatura no próximo sábado, no Paraguai, representará o encerramento de um dos mais longos processos negociais da história recente do comércio internacional, com o Paraguai no centro deste momento decisivo.  ■

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