Portugal: Deputado José Dias Fernandes recua e mantém-se no Chega após exigir maior representação para os emigrantes

Depois de ter comunicado a intenção de abandonar a bancada parlamentar do Chega, o deputado eleito pelo círculo da Europa voltou atrás após uma reunião com André Ventura, mantendo-se no partido, mas reiterando críticas à falta de prioridade dada às comunidades portuguesas e avisando que continuará a exigir mudanças internas

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Segundo José Dias Fernandes, a origem do descontentamento está na forma como o Chega tem tratado os assuntos relacionados com as comunidades portuguesas. Foto: divulgação/Redes Sociais José Dias Fernandes
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O deputado do Chega eleito pelo círculo da Europa, José Dias Fernandes, retirou o pedido para passar à condição de deputado não inscrito poucas horas depois de o ter apresentado ao presidente da Assembleia da República, mantendo-se na bancada parlamentar após um encontro com o presidente do partido, André Ventura. 

Contudo, apesar do recuo, o parlamentar afirma que persistem as razões que motivaram o protesto e garante que continuará a lutar por maior representação das comunidades portuguesas e pela valorização das matérias da emigração na agenda política do partido.

A crise teve início quando José Dias Fernandes formalizou a intenção de abandonar a bancada parlamentar do Chega, decisão que poderia reduzir a representação do partido na Assembleia da República. No entanto, após contactos com a direção nacional e uma reunião com André Ventura, o deputado decidiu anular o pedido, mantendo-se, para já, integrado no grupo parlamentar.

Na origem do descontentamento está, segundo o próprio, a forma como o partido tem tratado os assuntos relacionados com as comunidades portuguesas. O deputado considera que continua a existir uma distância entre as preocupações dos emigrantes e as prioridades políticas da direção nacional.

“Vim para aqui para defender as comunidades e não para passar férias. Não vim para ser mais um, vim para trabalhar para as comunidades e para que possam ver que há trabalho feito. Isso não está a acontecer como eu quero”, enfatizou.

O parlamentar referiu que o seu compromisso político foi assumido perante os portugueses residentes no estrangeiro e não perante a estrutura partidária.

“Não devo nada ao partido, devo às comunidades”, declarou.

Entre os temas que considera estarem a ser sucessivamente adiados encontram-se propostas relacionadas com o voto eletrónico remoto, a fiscalidade aplicável aos emigrantes que regressam a Portugal e o reforço do ensino da língua portuguesa no estrangeiro.

Outra das críticas prende-se com a organização interna do Chega relativamente às comunidades portuguesas. José Dias Fernandes defende que os núcleos existentes em vários países, nomeadamente em França, devem ser oficialmente reconhecidos para permitir que os emigrantes tenham representação efetiva nos órgãos nacionais do partido, considerando que os portugueses residentes no estrangeiro continuam afastados dos processos de decisão internos.

De igual modo, o deputado anunciou que irá entregar à direção do Chega um conjunto de propostas destinadas a reforçar a participação das comunidades portuguesas na estrutura partidária e a acelerar a tramitação das iniciativas legislativas relacionadas com a emigração.

Apesar de ter decidido permanecer na bancada parlamentar, José Dias Fernandes deixa claro que a situação continua em aberto.

“Vou ponderar bem o futuro”, vincou.

Eleito pela primeira vez pelo círculo da Europa nas eleições legislativas de 2024 e reeleito em 2025, José Dias Fernandes continua, assim, a representar os portugueses residentes no estrangeiro, mantendo a pressão sobre a direção do Chega para que as questões da diáspora assumam um papel mais relevante na ação política do partido.

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