Portugal saúda libertação do luso-venezuelano Adrián Leonardo de Sousa e espera a libertação de outros dois cidadãos portugueses

Adrián de Gouveia foi o sexto luso-venezuelano libertado, enquanto Juan Rodríguez dos Ramos e Fernando Venâncio permanecem detidos na Venezuela

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Foto: divulgação
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O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) confirmou, no passado sábado, 4 de julho, que Adrián Leonardo de Gouveia de Sousa foi libertado de uma prisão na Venezuela, sendo o sexto cidadão luso-venezuelano a ser libertado no espaço de uma semana e meia.

Numa nota publicada na rede social X, o ministério tutelado por Paulo Rangel afirma, em nome do Executivo, que o Governo português saúda vivamente a libertação do luso-venezuelano Adrián Leonardo de Sousa, detido desde janeiro de 2024.

Expressa profunda solidariedade à família neste reencontro tão aguardado. O embaixador português esteve em contacto com Adrián Gouveia e a família desde o momento da libertação. O Governo português continuará a trabalhar, discreta, mas ativamente, pela libertação dos presos políticos detidos na Venezuela.

Assim, o major da Força Aérea Adrián de Gouveia recuperou a liberdade oito dias depois de o duplo sismo ocorrido na Venezuela ter ceifado a vida da sua mulher, Yexika Gimón, da sua sogra, María del Rosario, e da sua sobrinha, María José, que morreram sob os escombros do edifício onde residiam, em Turmero, no estado de Aragua. Uma das suas filhas, Adriana, de 19 anos, sobreviveu, após ter permanecido hospitalizada com prognóstico reservado.

O duplo sismo de 24 de junho destruiu a casa da família. As equipas de resgate retiraram a jovem sobrevivente dos escombros com vida, mas esta sofreu uma síndrome de esmagamento e luta pela sobrevivência no Hospital Central de Maracay, situado a 124 quilómetros a oeste da cidade de Caracas.

De Gouveia, militar da Força Aérea, encontrava-se detido desde 2018 na prisão de Ramo Verde. As autoridades associaram-no à Operação Gedeão, uma alegada incursão falhada ocorrida em maio de 2020, embora as organizações de defesa dos direitos humanos o considerem um preso político. Cumpriu parte da pena e já tinha sido anteriormente libertado, mas voltou a ser detido.

A pressão aumentou nos dias anteriores, quando o Comité pela Liberdade dos Presos Políticos (Clippve) exigiu a sua libertação imediata, para que pudesse estar junto das filhas. A tragédia familiar e o estado crítico de Adriana fizeram pender a balança.

O major da aviação Adrián de Gouveia acaba de ser libertado, informou a organização não governamental Coligação pelos Direitos Humanos e pela Democracia, na rede social X, recordando que o oficial permaneceu detido por motivos políticos sob a custódia do Estado venezuelano.

Da mesma forma, a vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, juntou-se às exigências do Clippve pela libertação do prisioneiro político, para que este pudesse abraçar as filhas num momento tão difícil. Nestas horas tão difíceis, a libertação de todos os presos políticos deve ser uma prioridade. Eles também merecem estar com os seus familiares, salientou.

Cidadão luso-venezuelano Héctor Ferreira Domingues libertado em abril

O Ministério dos Negócios Estrangeiros anunciou, a 21 de abril, através de uma publicação na rede social X, que Héctor Ferreira Domingues tinha sido libertado. O luso-venezuelano encontrava-se detido desde setembro de 2022, segundo avançou aquele ministério. O Governo português continuará a trabalhar, discreta, mas ativamente, pela libertação dos presos políticos que ainda estão detidos na Venezuela, lê-se ainda na publicação.

Ferreira, empresário com dupla nacionalidade, foi libertado após uma série de diligências diplomáticas conduzidas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal. A sua detenção tinha sido denunciada de forma contínua pelos familiares e por várias organizações de defesa dos direitos humanos, que afirmavam existirem irregularidades no processo judicial.

O Presidente da República Portuguesa, António José Seguro, manifestou satisfação pelo desfecho, qualificando o reencontro de Ferreira com a família como um acontecimento há muito aguardado pelas autoridades de Lisboa.

Héctor Ferreira Domingues, que estava preso no Internato Judicial Rodeo II e condenado a 18 anos de prisão, junta-se a um grupo de luso-venezuelanos que tem vindo a alcançar a liberdade desde a queda do regime de Nicolás Maduro, após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, ocorrido a 3 de janeiro deste ano.

A primeira libertação de uma cidadã luso-venezuelana ocorreu a 25 de janeiro, com a saída de Carla da Silva, que estava condenada a 20 anos de prisão e acusada dos crimes de traição, conspiração e financiamento do terrorismo.

A 1 de fevereiro, foi a vez de Pedro Fernández, médico e professor universitário, detido desde outubro de 2025 por razões políticas, relacionadas com a atividade de oposição nas redes sociais, segundo descrevia o ministério na altura. Três dias depois, seguiu-se Jaime Reis Macedo, acusado de incitamento ao ódio e associação para delinquir, detido desde julho de 2025, o mesmo mês em que fora detido Manuel Enrique Ferreira, libertado a 8 de fevereiro.

O deputado luso-venezuelano do Partido Social Democrata (PSD) na Assembleia Legislativa Regional da Madeira, Carlos Fernandes Ribeiro, salientou que a libertação do major luso-venezuelano Adrián Gouveia traz esperança, mas jamais apagará o sofrimento vivido nem devolverá o tempo perdido.

Que este reencontro seja o início de uma nova etapa, com a liberdade, a justiça e a dignidade que sempre lhe foram devidas. Roubaram anos da vida de Adrián Gouveia. Roubaram-lhe o direito de estar ao lado da família quando esta mais precisou dele. Que este reencontro seja o início de uma nova etapa, com a liberdade, a justiça e a dignidade que sempre lhe foram devidas, acrescentou.

Apesar destes avanços, o Executivo português deixou claro que o seu trabalho no país ainda não terminou. Agora, apenas Juan Rodríguez dos Ramos e Fernando Venâncio permanecem entre os luso-venezuelanos que aguardam a libertação.

Situação dos dois luso-venezuelanos privados de liberdade

Dos oito cidadãos com dupla nacionalidade portuguesa e venezuelana, dois continuam privados de liberdade. Fernando Venâncio, civil, comerciante e agricultor, está detido desde 4 de agosto de 2024, em Turmero, no estado de Aragua, permanecendo nas instalações do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC) de Turmero. Juan Francisco Rodríguez dos Ramos, cidadão português e venezuelano e militar na reserva, foi detido em Caracas a 2 de outubro de 2019 e encontra-se no Rodeo I.

O meu pai é o português que está detido há mais tempo, desde 2019. Foi levado de madrugada a um tribunal, onde apenas o identificaram e lhe leram as acusações e a sentença de 30 anos por um alegado magnicídio contra Nicolás Maduro. Não pôde dizer uma única palavra, tal como a juíza nunca conseguiu apresentar uma única prova. Nestes sete anos, só consegui comunicar com ele através de cartas e, apenas uma vez, numa videochamada de cinco minutos, relatou María Alejandra Rodríguez, filha de Juan Rodríguez dos Ramos.

Por sua vez, o filho de Fernando Venâncio contou que o pai foi vítima de várias expropriações no estado de Aragua e detido pelo regime em agosto de 2024. O meu pai está detido há quase dois anos, desde 2024, em condições nas quais não existe qualquer prova de que tenha feito alguma coisa na Venezuela.

Além disso, revelou que a família já prepara diferentes cenários para uma eventual libertação de Fernando Venâncio, defendendo que o pai deverá abandonar a Venezuela depois de recuperar a liberdade. Quando o meu pai sair da prisão, sabemos que não poderá permanecer lá. Terá de sair, não apenas pela sua segurança, mas também pela sua tranquilidade. Terá de descansar depois de tudo isto.

O Estado português e a comunidade portuguesa aguardam com expectativa a libertação e a saída da prisão dos dois cidadãos luso-venezuelanos, Juan Francisco Rodríguez dos Ramos e Fernando Venâncio Martínez. Num país como a Venezuela, onde a comunidade portuguesa constitui um fator importante para o desenvolvimento da nação sul-americana, o novo contexto político e social que o país atravessa é acompanhado com esperança. ■

Marcos Ramos Jardim

Correspondente na Venezuela e nas Caraíbas

 

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