Venezuela: Partido Socialista pede libertação de luso-venezuelanos detidos e reforço das relações com Caracas

Visita de quatro dias do Partido Socialista à Venezuela ficou marcada por encontros com autoridades venezuelanas, apelos à proteção da comunidade portuguesa e sinais de abertura diplomática

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José Luís Carneiro, Eurico Brilhante Dias e Paulo Pisco reuniram-se com autoridades da Venezuela e diáspora portuguesa entre 19 e 22 de março. Foto: divulgação
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O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, deslocou-se à Venezuela entre quinta-feira, dia 19, e domingo, dia 22, acompanhado pelo presidente do grupo parlamentar, Eurico Brilhante Dias, e pelo responsável pelas Comunidades Portuguesas, Paulo Pisco, numa visita marcada por reuniões com autoridades locais e com a diáspora portuguesa e pela preocupação com a situação de luso-venezuelanos detidos.

Durante a deslocação, José Luís Carneiro manteve reuniões com várias figuras do regime venezuelano, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Yván Gil. No final da reunião, o líder socialista destacou que foi “um encontro muito construtivo”, sublinhando a abertura demonstrada pelo governante em relação à situação de pelo menos quatro luso-venezuelanos detidos no país.

“Foi com muita satisfação, foi com uma atitude muito construtiva que este encontro decorreu”, afirmou Carneiro, acrescentando que Yván Gil mostrou-se “muito disponível” para acompanhar a situação dos cidadãos luso-venezuelanos detidos.

Segundo o secretário-geral, foi pedida “uma especial consideração” para estes casos, tendo sido igualmente transmitida uma mensagem de valorização da comunidade portuguesa no país.

O dirigente socialista sublinhou ainda a importância da cooperação internacional, afirmando que o Estado deve formular o seu protesto sempre que estejam em causa situações que envolvam cidadãos nacionais em contexto internacional, reforçando a necessidade de atuação diplomática coordenada. 

Numa outra intervenção, Carneiro apelou a uma solução estável para o país, defendendo que é essencial salvaguardar a proteção da comunidade portuguesa e garantir condições de segurança e estabilidade na Venezuela. 

A visita incluiu também contactos institucionais com a Assembleia Nacional (AN) venezuelana, nomeadamente com o seu vice-presidente, Pedro Infante, e o deputado luso-descendente Orlando Camacho, que preside à Comissão de Energia e Petróleo da AN e ao Grupo de Amizade Parlamentar Venezuela-Portugal, bem como com o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Jorge Arreaza. 

Estava ainda prevista uma audiência com a nova presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, que acabou por não se realizar devido a alterações de agenda de última hora.

Ao longo dos quatro dias, a delegação socialista reuniu-se ainda com associações e cidadãos portugueses em várias cidades, como Los Teques, Maracay, Valência e La Guaira, tendo igualmente mantido contactos com representantes das instituições portuguesas locais e visitado a Universidade Central da Venezuela e a organização não governamental Regala Una Sonrisa (Dê um Sorriso).

De igual modo, a agenda da visita incluiu um encontro com o presidente da Comissão Presidencial para a Paz e Convivência Democrática, Francisco Garcés.

Entre as principais preocupações levadas pelo PS estiveram a segurança da comunidade portuguesa e a necessidade de reforçar os apoios consulares. Foram ainda identificadas dificuldades no acesso a serviços financeiros e apoio social, sobretudo junto da população mais envelhecida.

No plano político, José Luís Carneiro defendeu uma transição democrática estável na Venezuela, sublinhando o potencial económico do país e a importância de fortalecer os laços entre Lisboa e Caracas, afirmando que o objetivo passa por reforçar e promover os canais de comunicação bilaterais para que permitam abordar questões de interesses em comum.

O líder socialista comprometeu-se a transmitir estas preocupações ao governo português e reiterou que o Partido Socialista continuará a acompanhar com atenção a situação da comunidade portuguesa na Venezuela, defendendo o reforço do diálogo institucional e da cooperação bilateral, incluindo ao nível parlamentar e económico.

Está ainda prevista uma deslocação do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, à Venezuela entre 31 de março e 2 de abril, inserida numa estratégia de valorização das comunidades portuguesas no estrangeiro, visando reforçar o apoio institucional, aprofundar os contactos com as autoridades locais e acompanhar de perto a situação da diáspora no país.

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