Parte do telhado da Casa dos Poveiros do Rio de Janeiro, situada na Rua do Bispo, no bairro do Rio Comprido, zona Norte da cidade, desabou na manhã desta segunda-feira, 16 de março, pelas 9h30, atingindo severamente o segundo andar de um prédio centenário, onde funciona o Salão Nobre da entidade. Para já, não há registo de vítimas. A ocorrência está a ser acompanhada pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro. A interdição total do espaço foi determinada.
Em declarações à Agência Incomparáveis, Claudio Murad, presidente da Casa dos Poveiros do Rio de Janeiro, confirmou o desabamento e disse que está acompanhando a movimentação das autoridades neste momento.
Comentou que não há segurança para entrar no local e conhecer os reais estragados ao património cultural e material da entidade, além, claro, do próprio telhado e, possivelmente, do mobiliário instalado no local, que pode ter sido gravemente afetado, pois conta com cadeiras, mesas e outros móveis de apoio com relevância para a história do clube.
Ainda de acordo com Murad, a Casa dos Poveiros está “totalmente interditada” pelas autoridades do Rio de Janeiro a partir de hoje.
“Com as fortes chuvas ocorridas no Rio de Janeiro, nos últimos dias e semanas, o madeiramento, que é antigo, pesou e cedeu, forçando uma das torres laterais, o que levou ao desabamento do telhado”, explicou este responsável, que comentou que o clube já havia sido, depois de denúncias de moradores da região, notificado pela Defesa Civil e que havia um processo documental a decorrer para a realização das obras necessárias de manutenção, porém, o telhado acabou por desabar antes do início das mesmas.

“Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para resolver o problema o mais rápido possível. As obras estão já contratadas, mas precisávamos da autorização da Prefeitura do Rio para iniciar a reforma. Agora, precisamos da autorização para anular a interdição do local e focarmos nos trabalhos de reconstrução”, avançou Claudio Murad, que não escondeu que “precisamos agora de dinheiro para conseguir concretizar os nossos objetivos”.
História quase centenária e de valorização da cultura da Póvoa de Varzim no Brasil
Desde 1930, a Casa dos Poveiros do Rio de Janeiro tem promovido as culturas e tradições do município da Póvoa de Varzim, localizado no distrito do Porto, região Norte de Portugal, como o folclore poveiro, além de realizar aulas desportivas, eventos culturais e convívios entre os luso-brasileiros numa zona do Rio de Janeiro onde vive grande parte da diáspora lusa e da comunidade lusodescendente, com forte apego à imagem de Portugal. No último dia 8 de janeiro, a Casa completou 96 anos de “muita história”, com “um almoço super especial” realizado dias depois, 25 de janeiro.

A Casa dos Poveiros é palco também de aulas de natação, futsal e dança, e aposta ainda no campo social. Em novembro do ano passado, abriu as portas da quadra polidesportiva para receber um projeto com aulas funcionais gratuitas promovidas pela Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro do Turano, onde residem comunidades carentes na cidade maravilhosa. Um projeto que conta com ações na área da saúde, bem-estar e motivação para a vizinhança.
Em janeiro de 2025, a Casa celebrou 95 anos de fundação com a presença de um público de cerca de 300 pessoas e uma atração internacional. O evento contou com a apresentação do Rancho Poveiro, vindo diretamente de Portugal, com foco nos trajes, danças e cantares dos pescadores da Póvoa de Varzim.
A Casa recebeu no passado grandes eventos luso-brasileiros e festivais com entidades e autoridades dos dois países.

“A interdição da Casa fará falta para a nossa comunidade que não terá acesso à sua agenda cultural, mas também à comunidade local, uma vez que a população dos bairros da Tijuca e do Rio Comprido utiliza o espaço para diversas finalidades”, realçou fonte consultada pela nossa reportagem, que não quis se identificar.
“Moro de frente, escutei um barulho enorme, achei que tinha desabado alguma coisa, porém não vi nada devido as árvores. Barulho assustador”, informou uma das moradoras do local nas redes sociais.
Portugueses no Rio de Janeiro lamentam o desastre numa das mais emblemáticas entidades de cariz português no Rio de Janeiro. ■





